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Falhanço da TDT reconhecido

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Um estudo pedido pela ANACOM reconhece o que temos vindo a alertar desde 2012, com as primeiras medições no terreno. O sinal é instável, a oferta é insuficiente e pode haver conflito de interesses na gestão da Televisão Digital Terrestre.

24 janeiro 2018
TDT

Thinkstock

O estudo sobre a Televisão Digital Terrestre (TDT), solicitado pelo regulador do sector (ANACOM), conclui que a qualidade do sinal é um dos principais motivos para muitos utilizadores adotarem outras soluções de televisão, sobretudo os serviços pagos. O estudo também alerta para um possível conflito de interesses da MEO na gestão da TDT. As conclusões agora divulgadas reconhecem o que temos vindo a alertar desde o início, expondo, de forma clara, como os consumidores foram lesados neste processo mal conduzido pelo regulador.

TV por subscrição deveria ser alternativa e não a regra

Sempre considerámos que o princípio da Televisão Digital Terrestre era manter o serviço de televisão gratuita, mas com mais qualidade e oferta para os consumidores. Desta forma, a televisão paga (por subscrição) seria uma alternativa para quem quisesse ter ainda mais conteúdos e funcionalidades.

Na altura da implementação da TDT em Portugal, em 2008, faltou informação às populações e um período de transmissão simultânea (simulcast) suficiente para uma migração espontânea.


Apenas 17,8% dos lares acedem exclusivamente à TDT

De acordo com o estudo agora realizado, os principais utilizadores da TDT em Portugal são pessoas isoladas, idosas e com menor rendimento, que se queixam da qualidade do sinal e de terem muito menos canais do que noutros países. A oferta em Portugal é de, apenas, sete canais e o Governo prometeu abrir concurso para incluir outros dois. Ao contrário do que seria suposto, no estudo, a TDT é descrita como o “parente pobre da televisão”, a que apenas 17,8% dos lares portugueses têm acesso exclusivo.

Perante este cenário de falta de qualidade da TDT, grande parte dos portugueses vê-se forçada a subscrever um serviço pago de televisão, tornando Portugal num dos países europeus com maior penetração de serviço de televisão por subscrição.