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Apple TV+ chega a Portugal, mas não convence

A Apple TV+ até parece tentadora, com preço de 4,99 euros mensais, seis acessos e vídeos 4K com HDR. Mas a subscrição inclui apenas sete séries e um documentário.

  • Dossiê técnico
  • António Alves
  • Texto
  • Inês Lourinho
21 novembro 2019
  • Dossiê técnico
  • António Alves
  • Texto
  • Inês Lourinho
Apple TV

Apple

Depois da Netflix, da Amazon Prime Video e da HBO, eis que chega a Portugal a Apple TV+, sempre com o objetivo de desafiar o líder. Lançada em 2015, a Netflix veio revolucionar o modo de ver televisão, com a ajuda de um forte catálogo de produções próprias, que têm atingido notoriedade mundial. Narcos e La Casa de Papel são apenas dois dos nomes que trazem atrás de si legiões de fãs em todas as latitudes. Será que a Apple tem o que é preciso para destronar a Netflix?

A Apple TV+ terá presença em mais de 100 países, apostando em produções próprias e exclusivas. Alguns nomes sonantes juntaram-se já às suas fileiras: a apresentadora Oprah Winfrey, a atriz Jennifer Aniston e até o realizador Steven Spielberg. A subscrição mensal tem um custo que aparenta ser bastante acessível - 4,99 euros - e que permite o acesso a um máximo de seis utilizadores.

Bom demais para ser verdade? Seguramente. Até porque, apesar dos nomes sonantes, do acesso a conteúdos em resolução 4K com otimização de contrastes (HDR), do som de elevada qualidade (Dolby Atmos) e da boa legendagem em português, o catálogo é muito reduzido nesta fase de arranque. Embora a Apple tente baralhar os utilizadores, com muitos conteúdos de videoclube na página de entrada do seu site, apenas oito séries estão incluídas na subscrição. E algumas só têm quatro episódios, exibidos à razão de um por semana... A Apple terá de investir muito mais nas produções próprias para ser uma alternativa credível.

A partir do preço inicial, é sempre a somar. Mediante um extra, é possível subscrever o acesso a conteúdos de canais americanos populares, como a CBS ou a HBO, mas ainda não em Portugal. O que há é a possibilidade de alugar ou comprar filmes, incluindo títulos recentes. Ponto positivo: quem tiver comprado um dispositivo da Apple após 10 de setembro de 2019 recebe um ano de subscrição.

Outro problema é a compatibilidade. A Netflix permite o acesso em qualquer computador, smartphone, tablet, smartTV ou consola de jogos recente, algumas caixas descodificadoras de operadores de televisão e diversos leitores multimédia. Já a Apple TV+ só admite dispositivos da marca, o acesso via browser ou iTunes (nada conveniente), ou ainda através de alguns televisores recentes da Samsung com o sistema operativo Tizen (os QLED de 2018 e 2019 e a maioria dos LCD 4K de 2018 e 2019).

Significa isto que, por enquanto, a Netflix continua a dominar o streaming de vídeo. Ainda que mais caro (13,99 euros por quatro acessos e vídeos 4K ou 10,99 euros por dois acessos e HD), é o serviço mais recomendável. Além da compatibilidade quase universal, o catálogo continua a deixar os rivais a anos-luz de distância. Para já, não aconselhamos, pois, o serviço da Apple.

 

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