Guia de compras

Televisores: guia de compras

29 junho 2020
Numa loja de eletrónica, na secção dos televisores, um jovem casal observa alguns dos televisores em exposição. O homem do casal é moreno, enverga uma camisa azul e calças claras, com um cinto castanho, e abraça a mulher. A mulher é loira e veste uma camisa azul-clara e calças cinzentas.

Qual a diferença entre um ecrã LCD e um OLED? A qualidade de imagem é muito influenciada pelo nível de resolução do ecrã? Saiba como escolher um televisor à sua medida.

Tipos de ecrã

Os televisores LCD (Liquid Crystal Display – Ecrã de Cristais Líquidos) funcionam com retroiluminação. Esta fonte de iluminação incide sobre uma camada de cristais líquidos, a qual controla a passagem desta luz sobre os vários sub-pixels A intensidade destes sub-pixels permite reproduzir as diversas nuances da palete cromática.   

A relação qualidade/preço dos LCD é uma das suas principais vantagens. Porém, não conseguem produzir cores muito precisas ou negros profundos(o que impacta igualmente os níveis de contraste obtidos, muito dependentes dos níveis de negro). Apesar disto, a qualidade é satisfatória nos melhores aparelhos.

Tipos de LCD

Os aparelhos LED podem observar duas técnicas de construção distintas: Edge lit LED e Direct LED (matriz dinâmica RGB), ou FALD (full matrix). Os primeiros permitem obter ecrãs mais finos e menos dispendiosos e os segundos conseguem um controlo mais preciso da iluminação em cada zona do ecrã.

Nos LCD Edge-Lit, a aplicação dos elementos LED é feita no topo/fundo, nas laterais ou em todo o redor do ecrã. Os elementos difusores garantem que a iluminação se propaga de modo uniforme. Esta instalação resulta em televisores mais baratos e finos.

Nos LCD FALD, os elementos LED são espalhados por toda a traseira do painel LCD, o que permite a aplicação de sistemas de local dimming. Estes controlam a intensidade de luz dos LEDs por blocos, adaptando o nível de retroiluminação a cada secção da cena reproduzida. Assim, torna-se possível atenuar ou desligar a iluminação nas zonas mais escuras e obter níveis de negro mais profundos e melhor contraste.

Existem ainda os LCD Quantum Dot. A diferença face aos LCD LED está no tipo de retroiluminação e no percurso que esta faz até atingir o filme de cristais líquidos. Utilizam LEDs azuis, capazes de maior precisão comparativamente aos LED brancos. Os LED azuis incidem sobre um filme com biliões de nano cristais (os “Quantum Dots”) de diferentes tipos e dimensões (dos 2 aos 10 nano metros – nm). Consoante a sua dimensão, cada um destes cristais emite, ao receber a luz azul, um tipo distinto e muito bem definido de cor: os cristais com 2nm emitem tons azulados e os de 10nm produzem a cor vermelha.

A densidade de luz e espetro de cores produzidos pelos Quantum Dot são superiores aos restantes LCD. Têm ainda como ponto forte a elevada precisão na reprodução de cores, equiparável aos ecrãs OLED.

Porém, tal como os restantes LCD, não conseguem produzir negros profundos. Apesar disso, obtêm um bom nível de contraste, graças aos elevados níveis de brilho que alcançam. Os aparelhos com HDR tendem a ser bastante luminosos e, como tal, interessantes para usar em salas com muita luz ambiente. 

Ecrãs OLED

Nos ecrãs OLED não existe uma fonte de retroiluminação. São compostos de LEDs de material orgânico (OLED – Organic Led Emitting Diode) que são controlados individualmente e produzem a sua própria luz quando lhes é aplicada corrente elétrica.

Tal implica que, nas zonas mais escuras das imagens, os níveis de negro conseguem ser reproduzidos de uma forma correta e se consegue manter visibilidade de detalhes nas áreas menos iluminadas. Face aos LCD, os OLED apresentam níveis de negros muito superiores e, consequentemente, excelentes níveis de contraste. Além disso, como não funcionam com retroiluminação, não se verificam problemas de falta de uniformização e fugas de iluminação. 

Embora capazes de produzir cores com um elevado grau de precisão, o nível máximo de iluminação dos OLED é algo limitado e inferior ao dos atuais LCD “Quantum Dot”. São, por isso, menos adequados ao uso durante o dia e com bastante luz ambiente na sala.  

Valores de contraste

O contraste marca a diferença entre as zonas escuras e claras das imagens e tem mais impacto nas últimas. Se for baixo, gera imagens muito esbatidas; se for exagerado, resulta em imagens agressivas, cansativas para a vista e com perda de detalhes nas zonas mais claras. Um televisor com o contraste bem regulado exibe brancos brilhantes, mas sem perda de detalhes.

O valor de rácio de contraste indica a diferença de luminosidade produzida entre uma área branca da imagem (desejavelmente de luminosidade elevada) e uma área negra da imagem (quanto menos luminosa, mais próxima de um nível de negro profundo estará). 

Outras funcionalidades

Para os gamers, a introdução da tecnologia “Freesync” é interessante ao evitar o surgimento de quebras nas imagens nos jogos (tearing), que acontecem quando o televisor está a funcionar com uma taxa de amostragem inferior à gerada por uma placa gráfica (de uma consola de jogos ou PC). O sistema é da AMD, mas também aceita placas gráficas NVidia. Resultado: maior sensação de fluidez nos jogos.

A integração de microfone no comando permite fazer a entrada de texto por voz em apps que o permitam (ex: no YouTube). Em alguns casos, o TV, pode contar ainda com um assistente de voz, ou possibilitar o controlo de algumas funções básicas do televisor (ex: mudar de canal).

Alguns televisores podem ainda ser integrados num sistema IoT (ex: controlados pela app Google Home ou Amazon Alexa), ou mesmo possuir um ecrã de monitorização de todos os equipamentos IoT que tenha ligados em casa (ex: aceder à imagem de uma câmara conectada, ao estado da máquina de lavar, de café, etc). 


Imprimir Enviar por e-mail