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Tecnologia 5G tem riscos para a saúde?

A nova geração de redes móveis 5G irá permitir um desempenho muito superior face à 4G, em termos de fluxo de dados, capacidade e velocidade da resposta da rede. Aumenta o perigo das ondas eletromagnéticas? Esclareça todas as dúvidas. 

  • Dossiê técnico
  • João Oliveira e João Miguens
  • Texto
  • Cécile Rodrigues e Fátima Ramos
28 maio 2021
  • Dossiê técnico
  • João Oliveira e João Miguens
  • Texto
  • Cécile Rodrigues e Fátima Ramos
5G

iStock

A implantação das redes móveis de quinta geração (5G) está prestes a acontecer. Recentemente, a tecnologia 5G foi associada à propagação do coronavírus e ao aumento dos riscos das radiações eletromagnéticas: cancro do cérebro, leucemia, dores de cabeça, depressão e pensamentos suicidas. Esclarecemos as dúvidas. 

As frequências da 5G são muito mais elevadas e mais nocivas para a saúde?

A 5G faz uso da radiação eletromagnética, com um efeito semelhante às redes móveis 2G, 3G e 4G para o corpo humano. A 5G em Portugal irá usar sobretudo duas faixas de frequência: 700 MHz e 3,6 GHz. A primeira é inferior às frequências utilizadas nas tecnologias móveis atuais e a segunda, embora mais elevada, não coloca os utilizadores em risco. Os alarmismos não se justificam. Até porque estudos verificaram que quanto mais elevadas são as frequências, menor é a penetração das ondas no tecido humano: a pele atua como um filtro para as ondas eletromagnéticas com frequências mais elevadas. Quanto mais elevadas as frequências, menor é a penetração das ondas, reduzindo a exposição dos órgãos internos.

Mais antenas aumentam o nível de radiação?

Com a 5G, a paisagem urbana será marcada por novas antenas em toda a parte: prevê-se um número muito maior de antenas e de estações de base, mais próximas do solo e dos utilizadores, o que tem gerado ondas de pânico junto de alguns grupos da população. Nas zonas urbanas, a 5G irá utilizar faixa de frequências mais elevada e, consequentemente, as ondas terão menor alcance. Serão, por isso, necessárias mais antenas e estações de base. No entanto, mais antenas e menor distância não significa maior exposição às radiações eletromagnéticas: as múltiplas antenas 5G serão mais pequenas e irão operar com níveis de potência mais baixos.

As ondas eletromagnéticas aumentam o risco de cancro do cérebro?

O conhecimento científico nesta área continua a evoluir e os dados de novos estudos serão importantes para enquadrar cada vez melhor as questões de segurança. No entanto, até à data, não existem evidências científicas robustas que permitam concluir que a radiação eletromagnética aumenta o risco de cancro do cérebro ou causa outro tipo de danos. Este tipo de cancro continua a ser raro e a sua incidência não tem aumentado (veja o gráfico em baixo), apesar de a utilização de smartphones se ter massificado. Despendemos, hoje, muito mais tempo ao telemóvel, mas com outro tipo de tarefas: ao usar as aplicações e as redes sociais, por exemplo, o smartphone está nas mãos e não encostado à cabeça.

Gráfico cancro do cérebro não aumentou 

Utilização prudente do smartphone

São muitos os que temem as radiações das antenas e das estações de base, mas a verdade é que um telemóvel ao ouvido sujeita-nos a um nível de radiação muito superior ao de uma antena instalada a centenas de metros. A razão é que o nível de radiações é fortemente atenuado com a distância.

Com chamadas prolongadas, os tecidos junto à orelha tendem a aquecer. Devemos, por isso, ser cautelosos no uso do telemóvel. Sugerimos algumas medidas.

  • Evite ou encurte chamadas em espaços com má receção, como no elevador, na cave ou nos parques de estacionamento subterrâneos.
  • Não durma com o telemóvel na mesa de cabeceira, a não ser que o desligue ou ative o modo de voo.
  • Sempre que possível, use auriculares ou o modo mãos livres. Os auriculares com fios são preferíveis: os sem fios funcionam com Bluetooth que emite radiações na faixa dos 2,4 GHz, embora a potência máxima destes dispositivos seja centenas de vezes mais baixa do que a de um telemóvel.
  • Aproxime o telemóvel do ouvido só após o primeiro toque, quando liga, ou depois de atender, quando recebe uma chamada.

5G: a revolução nas telecomunicações móveis

A nova geração de redes móveis irá permitir um desempenho muito superior face à 4G, em termos de fluxo de dados, capacidade e velocidade da resposta da rede. 

A 5G traz maior largura de banda, o que pode vir a permitir uma velocidade de download teórica até 10 Gbps. Na prática, teremos em breve velocidades inferiores a 1 Gbps, que permitem descarregar um filme em menos de dois segundos, por exemplo. Embora a velocidade seja o aspeto mais visível para os utilizadores, a capacidade da rede e a latência são as características que mais diferenciam esta geração das anteriores.

A quinta geração tem mais capacidade, ou seja, permite que muitos mais dispositivos se liguem à rede. Como tal, acredita-se que esta característica contribua para um grande desenvolvimento da internet das coisas (IoT), uma vez que todas as “coisas” (equipamentos) podem comunicar em simultâneo. Milhares de carros, sensores e outros dispositivos podem estar ligados à internet, o que significa que, a pouco e pouco, podem começar a surgir as tão desejadas cidades inteligentes.

Por outro lado, a 5G permite uma latência muito mais baixa. Ou seja, o tempo de resposta da rede é inferior a 10 milissegundos, podendo mesmo atingir 1 a 2 milissegundos (quase instantâneo). Na presente tecnologia, a melhor latência ronda os 40 milissegundos. Ter uma rede que responde com uma rapidez quase ao nível da reação humana permite que se possam realizar tarefas muito delicadas pela internet. É o caso das operações com dispositivos cirúrgicos controlados remotamente e acompanhados por câmaras com grande nitidez, ou a condução autónoma de veículos capazes de tomar decisões.

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