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Backup de imagens na cloud: como gerir os 15 GB do Google Fotos

Em junho, o Google Fotos, o mais popular serviço de armazenamento de imagens do mundo, passou a impor um limite de 15 GB, partilhado com as contas de Gmail e Google Drive. Saiba como gerir o espaço.

  • Dossiê técnico
  • António Alves
  • Texto
  • Inês Lourinho
10 setembro 2021
  • Dossiê técnico
  • António Alves
  • Texto
  • Inês Lourinho
Google Fotos

iStock

O Google Fotos é a grande referência entre os serviços de backup de fotografias. Simplicidade no upload, na edição, na navegação, na localização e na partilha de imagens explica grande parte do sucesso. Mas o argumento definitivo era a possibilidade de armazenar imagens em “alta qualidade” sem limites de espaço. Era, já não é desde junho deste ano. Entretanto, a Google puxou o travão de mão e fixou um máximo de 15 GB, a dividir com as contas de Gmail e Google Drive.

Mas, como explicámos há alguns meses, quando a medida foi anunciada, o limite de 15 GB não é um drama. Fotos produzidas por telemóveis mais recentes, em regra, dão origem a ficheiros compreendidos entre 2 e 10 MB. Após compressão, estes valores descem para um intervalo que vai dos 500 KB aos 5 MB. Se considerarmos um cenário em que 3 GB estão alocados ao Gmail e ao Google Drive e em que cada foto pesa 3 MB, os 12 GB restantes de espaço grátis serão suficientes para umas quatro mil imagens. No caso de guardar 200 fotos por mês, estamos a falar de dois anos para esgotar o armazenamento.

Ainda assim, tem receio de ultrapassar o horizonte temporal? Há truques simples para gerir o espaço.

Defina o modo de qualidade para o backup

Uma das formas de economizar os gigabytes gratuitos é selecionar o nível de qualidade das imagens. O modo “qualidade original” implica que as fotos sejam armazenadas tal como foram capturadas, sem compressão. O Google Fotos sempre permitiu esta possibilidade, mas com limites.

Depois, existe o modo “poupança de armazenamento”, dantes designando por “alta qualidade” e que, até junho, não impunha máximos. Apesar de ser possível carregar para o serviço imagens com mais de 16 megapíxels (MP), a resolução é automaticamente reduzida para este valor.

Ao configurar o serviço, há que optar por um dos dois modos, mas, em qualquer altura, é possível alterar a escolha acedendo às definições. Como é evidente, a “poupança de armazenamento” ajuda a maximizar o espaço gratuito. Mas será o corte significativo? E até que ponto a qualidade das imagens sai sacrificada?

Procurámos responder a este par de interrogações com alguns exemplos… e com um smartphone Samsung S10+ dotado de câmara traseira grande-angular (wide angle) de 12 MP, que, dependendo do modo de fotografia escolhido, pode produzir ficheiros acima de 9 MB.

Explicação prévia: o algoritmo de compressão será mais ou menos eficiente, consoante o desafio que lhe é apresentado. Assim, é bastante mais simples comprimir uma imagem com poucos detalhes (por exemplo, com o fundo desfocado) do que outra repleta de elementos. No segundo caso, o processo pode fazer tábua rasa de informação importante, percetível a olho nu.

O que fizemos? Fotografámos um cenário com a mesma distância focal, mas com três níveis de detalhe no plano de fundo, usando a resolução de 12 MP e o máximo da qualidade. Fizemos, para tal, variar a nitidez e a focagem do plano de fundo, que incluía a maior parte dos detalhes. A primeira foto foi capturada com focagem ao fundo, enquanto, para as restantes, optámos por fazê-la incidir no plano frontal. Na terceira imagem, usámos ainda o modo “retrato”. A seguir, fizemos o upload para o Google Fotos no modo “poupança de armazenamento”, e comparámos os resultados com os ficheiros originais.

fotos A

Focagem no plano de fundo, no plano frontal e no plano frontal em modo "retrato".

Em teoria, a foto em modo “retrato”, isto é, com o fundo muito desfocado, adapta-se melhor à compressão, visto existir uma área significativa em que é possível cortar informação, sem que a degradação seja muito visível. Peguemos primeiro na ampliação de um detalhe dessa versão.

fotos B

Ampliação de 10 vezes: foto original e compactada.

Neste caso, a compressão da imagem foi enorme, passando de um ficheiro original de 10,8 MB para 703 KB. Na prática, permite armazenar 15 vezes mais fotos no mesmo espaço e sem degradação visível. Tratou-se de um teste mais extremo, visto que o tamanho original era maior, também por ter sido usado o modo “selective focus”, que permite, após a foto ser capturada, alterar o ponto de focagem.

Abaixo, mostramos o impacto na foto em que a focagem foi feita no plano frontal, mas sem recorrer ao modo “retrato”, mantendo-se, assim, algum detalhe no fundo.

fotos C

Ampliação de 30 vezes: foto original e compactada.

O fator de compactação usado pelo algoritmo foi agora de três vezes (3,3 MB para 1,1 MB), sendo que as diferenças de qualidade continuam muito pouco evidentes.

O terceiro exercício corresponde à foto mais exigente, com a focagem a incidir no plano de fundo, que, assim, mantém a maioria do detalhe. Neste caso, obtivemos um fator de compressão próximo de duas vezes (4,3 MB para 2,3 MB), sendo que o nível de degradação da imagem se mantém praticamente impercetível.

fotos D

Ampliação de 100 vezes: foto original e compactada.

Assim se vê que o algoritmo usado pelo Google Fotos funciona bastante bem, tomando decisões corretas acerca do nível de compressão a aplicar, consoante as características da imagem. Nas várias situações que testámos, a perda de qualidade foi sempre impercetível ou irrelevante. Já a poupança de espaço, embora dependa muito do tipo de foto, é sempre considerável. Mas, em imagens com o fundo desfocado, acaba por ser ainda maior.

Em conclusão, se o equipamento que usa para fotografar for um smartphone, ou se na máquina dispensar o formato RAW (sem compressão) e não recorrer a resoluções acima de 16 MP, não há perdas de qualidade assinaláveis. Para este cenário, o modo “poupança de armazenamento” é, sem dúvida, o mais aconselhável. Nas restantes situações, as fotos guardadas podem sofrer perdas de qualidade percetíveis, uma vez que se trata de versões comprimidas.

Use as ferramentas do Google Fotos para gerir o espaço

Outra solução para poupar é recorrer às ajudas do próprio serviço. Na parte inferior esquerda dos menus, aceda à opção “armazenamento”, que lhe dá uma estimativa do tempo restante, calculada com base no seu padrão de utilização. Ao dar uso às ferramentas de gestão de espaço, não só estica o período estimado para esgotar o armazenamento gratuito, como se livra de muito lixo.

Uma regra de ouro é ser crítico ao rever as fotos da última sessão. De nada adianta ter várias imagens que mostram quase a mesma situação: escolha de imediato as melhores e apague as restantes. Fotos sem interesse, desfocadas ou mal enquadradas são todas para descartar. E não vale a pena deixar para mais tarde, porque mais tarde corre o risco de não o fazer.

Verificar quais os vídeos e as fotos de maior dimensão ou as capturas de ecrã (printscreens) pode dar pistas sobre os ficheiros a eliminar.

Mas também pode usar o menu “explorar”, onde é possível agrupar as fotos por categorias: locais, pessoas, coisas, etc. Esta organização ajuda a encontrar lotes de imagens candidatas à eliminação.

Mais dicas? Aceda ao menu “arquivo” e verifique se contém imagens. Os ficheiros aqui arrumados deixam de estar visíveis na biblioteca, mas continuam a gastar espaço.
Já no menu “lixo”, encontra as imagens eliminadas nos 60 dias anteriores. Pode apagá-las definitivamente ou recuperar as descartadas de forma acidental.

15 GB não chegam? Compre armazenamento

Se os 15 GB de armazenamento grátis, partilhados com Google Drive e Gmail, não lhe chegarem nem com as artes e manhas da boa gestão, resta-lhe comprar espaço ou optar por outra solução de backup.

Mediante subscrição do Google One, tem a possibilidade de adicionar entre 100 GB e 2 TB de armazenamento, o que lhe vai custar de 1,99 a 9,99 euros por mês. Pode partilhar o espaço extra com a família, para que os custos se tornem mais razoáveis. A subscrição admite até seis utilizadores.

Outra via é investir em soluções que evitem a dependência da cloud, como uma unidade de armazenamento NAS, que é conectada à rede doméstica, ou um disco rígido externo.

Alternativas ao Google Fotos não são opção

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