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Auscultadores: controle os decibéis nos ouvidos

Limiar de segurança: 75 a 85 dB(A)

Embora apreciadora de heavy metal, Joana está exposta a níveis de pressão sonora inferiores aos de Afonso e de Miguel, tanto em duração (menos de uma hora por dia), como em termos de intensidade média: 75,9 dB(A). No tempo restante, ouve música em casa através de colunas estéreo, com volumes também moderados. Afonso e Miguel utilizam os auscultadores todos os dias, por períodos de uma hora e meia e duas horas, respetivamente. Além disso, regulam os auscultadores para níveis mais elevados, sendo os momentos mais críticos os correspondentes às deslocações de metro. Em ambos os casos, estão sujeitos a intensidades médias de 94 dB(A) durante cerca de uma hora diária.

Se considerarmos que o som passa a ser incomodativo quando excede os 75 a 85 dB(A), em princípio, nenhum dos jovens está em risco em ambientes silenciosos ou urbanos. Mas, sabendo que os dois rapazes utilizam o metro com frequência, e que foi nesse ambiente que todos aumentaram o volume para níveis superiores ao limiar aconselhado, há que ter cautela.

O ruído pode causar perda auditiva permanente a partir de 130 a 140 dB(A) num curto período ou, em caso de exposição contínua, de 85 dB(A) durante oito horas ou mais por dia. E, no metro, o ruído facilmente vai além dos 100 dB(A). Mais: os efeitos a curto prazo podem não ser óbvios em exames audiométricos, mas a exposição acumulada é suscetível de causar défice auditivo e zumbidos (acufenos). É como um copo que se vai enchendo de cada vez que o ruído ultrapassa o limiar de segurança. 

Assim, a surdez pode não ser evidente na infância ou na adolescência, mas é possível que se torne notória no princípio da idade adulta. Segundo um relatório da Organização Mundial de Saúde divulgado em 2017, cerca de 1,1 mil milhões de indivíduos dos 12 aos 35 anos correm o risco de perdas auditivas irreversíveis por abusarem do nível sonoro dos auscultadores. Também o United States National Health and Nutrition Examination Survey constatou que a prevalência de perda auditiva em adolescentes aumentou 31% nas últimas duas décadas.

O impacto é considerável: além de isolamento social, o problema implica custos com tratamentos, desemprego ou até reforma precoce.