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Auscultadores: controle os decibéis nos ouvidos

Conseguir alcançar a concentração, quer esteja num escritório barulhento ou em teletrabalho rodeado pela família, pode depender de uns auscultadores. Mas o uso prolongado suscita preocupações. Saiba como preservar a saúde e escolher os modelos mais confortáveis.

03 março 2022
Homem com auscultadores a participar numa videoconferência através de um computador portátil

iStock

Um escritório com dezenas de pessoas, a trabalhar lado a lado, é um ambiente “colorido”, onde encontrar concentração, muitas vezes, só é possível com o uso de auscultadores. De repente, o mundo à volta desliga-se, e o trabalho começa a fluir entre o cérebro e a ponta dos dedos. E esta sensação de bolha será ainda mais evidente se os auscultadores forem dotados da função de cancelamento ativo de ruído. Para muitos portugueses em teletrabalho, o cenário não se alterou substancialmente. A partilha da casa com outros elementos da família passou a ser o dia-a-dia, e os auscultadores continuam a ser a chave de acesso à concentração.

Comparar auscultadores

Mas o uso destes equipamentos suscita preocupações. A Organização Mundial da Saúde estima que, nos países desenvolvidos, cerca de metade da população entre os 12 e os 35 anos esteja exposta a níveis de ruído inseguros, devido a aparelhos de som, como os auscultadores. Se estes já eram quase obrigatórios em locais de trabalho mais animados, a utilização pode não ter diminuído em casa. Damos conselhos para manter a saúde auditiva e ajudamos a escolher os modelos mais confortáveis.

Que impacto tem o uso de auscultadores?

O risco depende de dois fatores: volume sonoro e período de exposição. De forma simples, os ouvidos funcionam como copos, que se vão enchendo com os ruídos a que são expostos ao longo do dia, sendo que, quanto maior a intensidade sonora, mais depressa atingirão o limite. À noite, quando dormimos, podem relaxar num ambiente silencioso, e os copos vão esvaziando. É por isso que, por exemplo, depois de um concerto de rock, podemos ter uma perturbação de audição temporária, e até ouvir zumbidos, mas, com uma boa noite de sono, tudo volta ao normal. Já se o copo ficar totalmente cheio, ocorre sempre algum tipo de perda da capacidade auditiva, um quadro irreversível e cumulativo. Ou seja, se abusar um pouco, durante alguns dias, o efeito talvez nem seja percetível. Mas, se for acumulando excessos, a perda auditiva começa a ficar notória.

O ruído torna-se incomodativo quando excede os 75 a 85 dB(A), e pode causar perda auditiva permanente a partir de 130 a 140 dB(A) num curto período ou, em caso de exposição contínua, de 85 dB(A) durante oito horas ou mais por dia. Para saber se estes níveis são facilmente atingidos, em 2018, estudámos os hábitos de audição de música de três adolescentes, e concluímos que, numa sala silenciosa ou até num ambiente de rua, em princípio, não havia necessidade de elevar o volume sonoro para níveis de risco. O principal problema residia nas viagens de metro, em que, devido a um ruído de fundo na ordem dos 100 dB(A), se verificou a tendência para aumentar a intensidade da música nos auscultadores. Ainda assim, em viagens curtas, o risco acabava por não ser tão grave. Mas os “nossos” adolescentes eram até bem comportados. A verdade é que, segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 1,1 mil milhões de indivíduos dos 12 aos 35 anos correm o risco de perdas auditivas, por abusarem dos auscultadores.

O aviso que os telemóveis fazem é fiável?

Em 2009, a Comissão Europeia estipulou que os níveis sonoros nos equipamentos de áudio individuais fossem regulados para 85 dB(A) e que não fosse permitido aumentá-los para lá de 100 dB(A). De acordo com a mesma diretiva, se o volume for regulado para o máximo, deverá surgir uma mensagem a avisar dos riscos para a saúde auditiva. Mas, apesar das boas intenções da legislação, este aviso deve ser encarado apenas como uma indicação de que está a ser selecionado determinado volume sonoro, que pode conduzir a maior risco auditivo. Por duas razões. Primeiro, supõe que estão a ser usados os auscultadores de origem. Se forem trocados por outros mais sensíveis, quando surgir o aviso, o nível sonoro será bastante mais elevado. Depois, o risco não depende apenas do volume escolhido, mas da relação entre a pressão sonora e o período de exposição. Volumes menos intensos podem ser suportados por períodos mais longos sem consequências, e os mais elevados apenas por prazos mais reduzidos, até que os ouvidos cheguem ao limite.

Qual o tipo de auscultador que oferece melhor qualidade sonora?

Muitos utilizadores optam por auscultadores supra e circum-aurais, ou seja, que assentam à volta ou sobre as orelhas, por considerarem que têm qualidade sonora superior à dos pequenos auriculares e intra-auriculares. Mas não é porque estes modelos têm menores dimensões que emitem som de pior qualidade: nos nossos testes, encontrámos vários intra-auriculares à altura. Se estiverem bem adaptados à orelha, podem proporcionar algum isolamento e boa reprodução sonora. A decisão depende sobretudo do gosto pessoal e daquilo que quer investir. As nossas Escolhas Acertadas para os vários tipos de auscultadores (intra-auriculares, circum e supra-aurais) começam em cerca de 35 euros. Já para modelos com redução ativa de ruído, é possível encontrar soluções de qualidade com preço a partir de 60 euros. Explore o nosso comparador de auscultadores.

Como escolher os auscultadores mais confortáveis?

Nos modelos que assentam à volta ou sobre as orelhas (circum ou supra-aurais), o conforto depende do peso, da pressão sobre a cabeça, do calor e dos materiais usados nas almofadas e na banda de fixação. Já no caso dos auriculares, o conforto e a qualidade do som são influenciados pela adaptação e fixação aos ouvidos. Num auricular “solto”, a perceção dos graves é muito afetada. Como todos temos orelhas diferentes, a maioria dos auriculares traz adaptadores.

Alguns auscultadores podem ter peso e dimensões consideráveis, pelo que a possibilidade de os dobrar, para facilitar a arrumação, é uma mais-valia. Pode, assim, encaixá-los num saco de transporte de dimensões mais reduzidas (por vezes, fornecido de origem) ou na mala do portátil.

Em teoria, quanto maior a gama de frequências, maior o leque de sonoridades que os auscultadores reproduzem. Mas os valores indicados são apenas teóricos. Nos nossos testes, temos verificado que nem sempre as frequências são representadas de forma satisfatória (por exemplo, há sobreposição de intervalos e atenuação nos extremos do espetro sonoro).

A função de redução ativa de ruído ajuda a neutralizar os sons circundantes, sendo mais eficaz contra tonalidades constantes e de baixas frequências, como as provenientes de motores. Mas, ao ligar a função, pode ocorrer uma ligeira diminuição da qualidade sonora, devido à redução do leque de frequências reproduzidas pelos auscultadores. Note-se, contudo, que a perda de qualidade é menos percetível nos modelos mais recentes e de melhor desempenho. Os modelos com redução ativa de ruído usam bateria, que normalmente é recarregada por USB.

Os auscultadores com microfone podem ser usados para chamadas de vídeo ou de voz com os colegas de trabalho durante o período de teletrabalho. Basta ligá-los ao computador, normalmente por bluetooth.

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