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Apple continua a prejudicar os utilizadores do iPhone

Apesar de condenada pela justiça europeia, a Apple continua a recorrer a estratégias de obsolescência programada, que reduzem a vida útil dos iPhones.

  • Dossiê técnico
  • João Miguens
  • Texto
  • Inês Lourinho
02 dezembro 2020
  • Dossiê técnico
  • João Miguens
  • Texto
  • Inês Lourinho
Metade de uma maçã a apodrecer, com uma dentada no lado direito

iStock

A obsolescência programada dos equipamentos constitui não apenas uma deliberada prática comercial desleal, que lesa os interesses financeiros dos consumidores, como é altamente prejudicial para o ambiente, dado que potencia a acumulação de lixo eletrónico, uma das categorias que mais poluem o planeta. As atualizações do sistema operativo iOS, em 2017, tornaram mais lentos os iPhones que já não eram recentes. Na prática, a Apple induziu os consumidores a substituírem os modelos antigos por novas versões ou, pelo menos, a pagarem a troca da bateria. As alterações introduzidas, em janeiro de 2017, no sistema operativo com a atualização iOS 10.2.1 afetaram os iPhones 6, 6 Plus, 6s e 6s Plus.

Justiça europeia do lado dos consumidores

Combater as práticas de obsolescência programada é uma das bandeiras da União Europeia, que tem produzido legislação para promover um ciclo de vida para os aparelhos tão longo quanto possível. Por isso, o Tribunal Administrativo de Roma confirmou, no princípio de junho, a coima de 10 milhões de euros fixada pela Autoridade Garante da Concorrência e do Mercado italiana.

Embora ciente dos potenciais danos da atualização até ao modelo 6S Plus, a Apple, deliberadamente, não informou os consumidores. Pelo contrário, estes foram pressionados para fazerem a atualização.

Conforme estabelecido pelo tribunal italiano, a Apple também adotou uma política comercial destinada a acelerar a substituição dos smartphones por modelos novos, aproveitando a elevada fidelidade dos seus clientes. Houve, assim, um abuso destinado a convencer os consumidores, que, de outra forma, teriam mantido os aparelhos.

Já no início de 2020, a Direção-Geral da Concorrência, do Consumo e da Repressão de Fraudes, entidade francesa, havia aplicado uma coima de 25 milhões de euros à gigante tecnológica, pelas mesmas razões.

No seguimento destas decisões, no princípio de junho de 2020, a Euroconsumers, que reúne cinco organizações de consumidores na Europa e no Brasil e de que a DECO PROTESTE faz parte, pediu responsabilidades à Apple. Mas a marca preferiu ignorar os direitos dos consumidores.

Consumidores não querem aparelhos novos

A Apple implementou uma conduta, em todo o mundo, que visa aumentar a frequência da substituição dos iPhones mais antigos, que causou prejuízos aos consumidores ao nível global. A necessidade de uma economia sustentável e de uma transição verde justa são mais urgentes do que nunca, pelo que temos uma mensagem clara para a Apple e para os fabricantes que queiram enveredar pelo mesmo caminho: não toleramos mais a obsolescência programada. Não queremos uma maçã nova, queremos uma maçã que dure e que esteja ao nível das expectativas dos consumidores. Um equipamento da Apple não é propriamente barato, e não é aceitável que, ao fim de pouco tempo de utilização, os consumidores sofram pressão para substituí-lo.

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