Guia de compras

Como escolher e comprar auscultadores

16 agosto 2020
vários auscultadores pousados sobre uma barra

Permitem gerir as chamadas e o leitor de música do smartphone, participar em reuniões por videoconferência e apreciar as suas canções favoritas. O investimento é elevado, mas a versatilidade pode justificá-lo.

Os auscultadores com redução ativa de ruído ajudam a manter a concentração durante o trabalho e em momentos de lazer, ao eliminarem os sons de fundo. Se o ambiente for silencioso, a função de cancelamento também pode ser desativada, até porque implica, tendencialmente, uma diminuição na qualidade do som. Requer ainda o uso de bateria ou pilhas.

O investimento inicial é considerável. Auscultadores com bom desempenho custam, pelo menos, 100 euros. Para pagar menos, terá de abdicar de alguma qualidade, mas, mesmo assim, encontra opções bastante razoáveis.

A versatilidade destes auscultadores, cujo som não desilude em mais de metade dos aparelhos testados, é grande. Além de poder usá-los para ouvir música de forma mais concentrada, todos os modelos analisados incluem microfone e dão a possibilidade de controlar chamadas telefónicas. Logo, servem para participar em reuniões de trabalho, por meio de uma aplicação de videoconferência. Funcionam ainda como sistema de mãos livres para atender chamadas telefónicas ou como controlo do leitor de música do smartphone.

Em todos os casos, devem ser ligados ao aparelho (computador, telemóvel ou tablet) através de bluetooth.

Mais-valia extra: a maioria dos auscultadores que testámos, do tipo circum ou supra-aural, isto é, que assentam à volta ou sobre as orelhas, oferece grande conforto numa utilização mais prolongada.

Tipos de auriculares e auscultadores

Auriculares sem fios (Bluetooth)

Com exceção dos “earbuds”, sempre sem cabos, os outros tipos de auriculares podem ser encontrados em duas variantes: os que têm ligação por cabo clássica ao telemóvel (ou a qualquer outra fonte de áudio) e os que a dispensam, ao integrar um recetor Bluetooth. No caso destes, basta fazer o streaming das faixas de música a partir do telemóvel, Smart TV com Bluetooth áudio, aparelhagem de som com emissor Bluetooth ou qualquer outra fonte de som compatível.

Auriculares intra-auriculares

Os intra-auriculares são semelhantes aos auriculares clássicos em termos de peso e dimensões. A grande diferença é que se inserem diretamente no canal auditivo através de peças adaptadoras de borracha ou silicone que funcionam como autênticos tampões.

Têm a grande vantagem de melhorar o isolamento sonoro porque tapam o canal auditivo e de a sua fixação ser melhor, evitando que caiam em movimento (por exemplo, durante a corrida ou no ginásio).

Em muitos casos, os intra-auriculares são vendidos com vários tamanhos diferentes de adaptador, o que permite uma boa adaptação a diferentes utilizadores. Um encaixe efetivo no ouvido é fundamental para a estabilidade, isolamento sonoro e qualidade de som.

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Os intra-auriculares melhoram o isolamento sonoro e fixam-se mais facilmente.

Auriculares “earbuds”

Em quase tudo semelhantes aos modelos intra-auriculares clássicos, os “earbuds” distinguem-se por dispensar qualquer tipo de cabo e só existem com Bluetooth. São dois auriculares colocados nos ouvidos de forma independente, sem qualquer ligação física entre eles.

A maior parte dos modelos deste tipo traz uma caixa de transporte que, além de servir para carregar os auriculares, inclui uma bateria que carrega as baterias dos auriculares.

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Os “earbuds” são independentes entre si e recarregáveis.

Auriculares clássicos

À primeira vista, assemelham-se aos intra-auriculares. No entanto, não se inserem no canal auditivo. São colocados à frente deste, fixando-se apenas no interior da orelha, sem tocar o canal auditivo interno. A fixação tende a ser menos efetiva por esse motivo.

De dimensões e peso muito reduzidos, normalmente são modelos bastante portáteis e de fácil transporte e arrumação. O isolamento sonoro dos ruídos circundantes é mínimo, o que força muitos utilizadores a elevar bastante o volume da música quando estão em ambientes muito ruidosos.

Auscultadores circum-aurais e supra-aurais

Mais volumosos e com almofadas para os ouvidos permitem, supostamente, uma utilização mais confortável em comparação com os auriculares. Dividem-se em dois modelos: circum-aurais (assentam em cima das orelhas) e supra-aurais (envolvem por completo as orelhas).

Muitos utilizadores acreditam que os cones (drivers) de maiores dimensões deste tipo de auscultadores asseguram uma melhor qualidade sonora e que as almofadas para as orelhas possibilitam um melhor isolamento sonoro e conforto de utilização. Mas os nossos testes comprovam que também existem pequenos auriculares e intra-auriculares com qualidade sonora elevada. Estes modelos dependem mais de uma boa fixação nas orelhas. Se não existir, além do conforto, a qualidade sonora fica comprometida. Esse problema quase não afeta os modelos circum e supra-aurais. 

Além disso, usar auscultadores grandes, muitas vezes coloridos, com design diferenciado, tornou-se uma moda entre adolescentes. Os fabricantes apresentam soluções a pensar neste tipo de utilizadores.

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Em cima, o modelo circum-aural que envolve por completo as orelhas e o modelo supra-aural, em baixo, que assenta em cima das orelhas. 

Auriculares para desporto

Grande parte dos intra-auriculares que analisámos reúnem duas características ideais para a prática desportiva: melhor capacidade de fixação durante movimentos mais bruscos e resistência à transpiração.

A melhor capacidade de fixação durante movimentos bruscos, como a corrida, consegue-se através de um sistema complementar ao encaixe das borrachas adaptadoras nas orelhas, em que o objetivo é aumentar a fixação em movimento.

O sistema muda conforme os modelos. A maioria recorre a alvéolos de borracha que encaixam no interior da orelha para aumentar a fixação. Noutros casos, o próprio corpo dos auriculares envolve parte da orelha (ex: desenho em “gancho”), aumentando a fixação.

 

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Neste exemplo, o modelo recorre a um sistema de fixação extra dos auriculares para quem pratica desporto (desenho em “gancho”).
Outra das características dos auriculares específicos para desporto é a utilização de materiais com maior resistência à transpiração e alguma resistência a salpicos de água. Alguns modelos referem mesmo resistência à imersão.

A nossa avaliação de conforto inclui o aspeto da capacidade de fixação dos auriculares, que tem influência direta no conforto de utilização.

Como escolher auscultadores e auriculares

A utilização que vai dar condiciona o tipo de auscultadores ou auriculares a escolher. Grandes e almofadados circum-aurais e supra-aurais? Ou os mais discretos intra-auriculares e “earbuds”? A grande diferença está, sobretudo, no formato físico. Mas há funções úteis a ter em conta que podem fazer a diferença na altura da compra. 

Comando integrado no cabo ou corpo dos auriculares

No caso dos auriculares clássicos com cabo de ligação ao smartphone, é preciso cautela com o comando integrado no cabo. Os auriculares com comando para dispositivos iOS não vão funcionar em pleno nos smartphones Android e vice-versa.

Pode, por exemplo, conseguir iniciar e fazer pausa em faixas de música, mas não consegue ajustar o volume ou usar o microfone para as chamadas. Às vezes, os mesmos auriculares estão disponíveis nas versões iOS e Android.

No caso dos “earbuds”, os comandos estão integrados no corpo dos próprios auriculares, através de uma superfície sensível ao toque ou por intermédio de pequenos botões colocados no auricular.

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Alguns equipamentos integram os comandos no cabo.

Controlo vocal

O controlo vocal está presente na maioria dos modelos. É uma funcionalidade interessante para as situações em que não queremos ou não podemos aceder ao smartphone, ideal para fazer uma chamada telefónica ou reproduzir músicas.

Para usar esta funcionalidade, basta ter o assistente de voz ativo no smartphone e, depois, pressionar durante alguns instantes um botão dos auriculares (por exemplo, o botão destinado a iniciar uma chamada telefónica). De seguida, o assistente inicia-se no telemóvel e pode dar as instruções vocais usando o microfone dos auriculares.

Gama de frequências

Todos os auriculares analisados apresentam gamas de frequências anunciadas que excedem os limites da audição humana. Mas, como verificamos nos testes, são apenas valores teóricos. Na prática, é mais importante que as diferentes frequências sejam representadas de forma equilibrada, sem a sobreposição de intervalos de frequência ou atenuação notória nos valores extremos.

Na altura de escolher uns auriculares, não dê muita importância à gama de frequências anunciada.

Saco ou bolsa de transporte

Alguns dos modelos analisados têm um saco de transporte que ajuda a proteger e a evitar que o cabo dos auriculares se entrelace. Normalmente, são estruturas rígidas que permitem proteger os auriculares quando colocados numa mala de viagem ou num saco com outros objetos. No caso dos “earbuds”, a caixa de transporte inclui uma bateria recarregável. Sempre que coloca os “earbuds” na caixa, inicia-se o carregamento das baterias.

Perguntas frequentes

Qual o tipo de auscultador com melhor qualidade sonora?

Muitos utilizadores optam por auscultadores supra e circum-aurais por considerarem que têm qualidade sonora superior à dos pequenos auriculares e intra-auriculares. Mas não é porque estes modelos têm menores dimensões que emitem som de pior qualidade. Se estiverem bem adaptados à orelha, podem proporcionar algum isolamento e boa reprodução sonora. A decisão depende sobretudo do gosto pessoal e daquilo que quer investir. Explore o nosso comparador de auscultadores.

Como escolher os auscultadores mais confortáveis?

Nos modelos circum ou supra-aurais, o conforto depende do peso, da pressão sobre a cabeça, do calor e dos materiais usados nas almofadas e na banda de fixação. Já no caso dos auriculares, o conforto e a qualidade do som são influenciados pela adaptação e fixação aos ouvidos. Num auricular “solto”, a perceção dos graves é muito afetada. Como todos temos orelhas diferentes, a maioria dos auriculares traz adaptadores.

Alguns auscultadores podem ter peso e dimensões consideráveis, pelo que a possibilidade de os dobrar, para facilitar a arrumação, é uma mais-valia. Pode, assim, encaixá-los num saco de transporte de dimensões mais reduzidas (por vezes, fornecido de origem) ou na mala do portátil.

Em teoria, quanto maior a gama de frequências, maior o leque de sonoridades que os auscultadores reproduzem. Mas os valores indicados são apenas teóricos. Nos nossos testes, temos verificado que nem sempre as frequências são representadas de forma satisfatória (por exemplo, há sobreposição de intervalos e atenuação nos extremos do espectro sonoro). 

Qual o impacto do uso de auscultadores para a saúde?

Seja num escritório com dezenas de pessoas, a trabalhar lado a lado, ou em casa em teletrabalho, os auscultadores continuam a ser a chave de acesso à concentração. Mas o uso destes equipamentos suscita preocupações.

O risco depende de dois fatores: volume sonoro e período de exposição. De forma simples, os ouvidos funcionam como copos, que se vão enchendo com os ruídos a que são expostos ao longo do dia, sendo que, quanto maior a intensidade sonora, mais depressa atingirão o limite. À noite, quando dormimos, podem relaxar num ambiente silencioso, e os copos vão esvaziando. É por isso que, por exemplo, depois de um concerto de rock, podemos ter uma perturbação de audição temporária, e até ouvir zumbidos, mas, com uma boa noite de sono, tudo volta ao normal. Já se o copo ficar totalmente cheio, ocorre sempre algum tipo de perda da capacidade auditiva, um quadro irreversível e cumulativo. Ou seja, se abusar um pouco, durante alguns dias, o efeito talvez nem seja percetível. Mas, se for acumulando excessos, a perda auditiva começa a ficar notória. 

O aviso que os telemóveis fazem é fiável?

Em 2009, a Comissão Europeia estipulou que os níveis sonoros nos equipamentos de áudio individuais fossem regulados para 85 dB(A) e que não fosse permitido aumentá-los para lá de 100 dB(A). De acordo com a mesma diretiva, se o volume for regulado para o máximo, deverá surgir uma mensagem a avisar dos riscos para a saúde auditiva.

Apesar das boas intenções da legislação, este aviso deve ser encarado apenas como uma indicação de que está a ser selecionado determinado volume sonoro, que pode conduzir a maior risco auditivo. Por duas razões. Primeiro, supõe que estão a ser usados os auscultadores de origem. Se forem trocados por outros mais sensíveis, quando surgir o aviso, o nível sonoro será bastante mais elevado. Depois, o risco não depende apenas do volume escolhido, mas da relação entre a pressão sonora e o período de exposição. Volumes menos intensos podem ser suportados por períodos mais longos sem consequências, e os mais elevados apenas por prazos mais reduzidos, até que os ouvidos cheguem ao limite.

 

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