Primeiras impressões

Novo iPad: incompatível com a nossa rede 4G

10 abril 2012 Arquivado

10 abril 2012 Arquivado

O novo iPad não está preparado para funcionar com as nossas frequências 4G mas, no portal da Apple, essa limitação não é clara, o que pode ser considerado publicidade enganosa. Já o denunciámos à Direção-Geral do Consumidor.

Batizado apenas de “iPad”, o novo tablet parece idêntico ao seu antecessor, o iPad 2: tem o mesmo design e tamanho de ecrã. Mas há alterações importantes, como novo processador, placa gráfica, câmara fotográfica e ecrã de resolução superior.

Se já tem um iPad 2, não vale a pena investir no novo iPad. Para quem vai comprar o primeiro, o novo iPad tem vantagens claras sobre o iPad 2, mas este é um bom tablet que pode agora encontrar a um preço mais baixo. Consulte os resultados do teste ao iPad 2 e avalie se compensa pagar mais por um aparelho com resolução superior.

O novo iPad está disponível em seis versões. Com Wi-Fi apenas, o iPad com 16 GB custa € 479, na versão com 32 GB, € 579, e, na versão com 64 GB, 679 euros. Com Wi-Fi e 4G, o modelo com 16 GB custa € 599, o modelo com 32 GB, € 699, e a versão com 64 GB, 799 euros.

Aplicações ganham peso
A resolução do ecrã do novo iPad é quatro vezes superior à do iPad 2: 2048x1536 pixels, ainda maior do que a resolução dos televisores Full HD. Resultado: as fotos são agora mais detalhadas e a visualização de sítios na Net, por exemplo, é muito mais agradável. Não precisa de fazer “zoom” para conseguir ler textos em tamanho pequeno e não há o efeito de "ligeiramente desfocado".

Em consequência do aumento de definição, as imagens e as aplicações são mais pesadas e ocupam mais memória, pois devem ter uma resolução quatro vezes maior do que antes. Entre as aplicações já atualizadas, várias aumentaram bastante o seu tamanho. Quem tiver um iPad de 16 GB arrisca-se a esgotar a memória rapidamente. O alerta também é válido para quem tiver versões mais antigas do iPad. O tamanho das aplicações vai aumentar, mesmo que não beneficie da maior resolução com o seu modelo.

As fotografias registadas pela câmara atingem os 5 Megapixels e pode gravar vídeo em Full HD (1080p). O novo iPad está à altura dessas funções, apesar de ser pouco prático para tirar fotos em férias.

Ligação 4G inútil e um ligeiro sobreaquecimento
A rede de Internet móvel 4G, bem mais rápida do que a 3G, está presente no novo iPad. Na Europa, Portugal é pioneiro na tecnologia 4G, que já está a funcionar com cobertura ainda muito limitada. Mas não podemos aproveitar as suas vantagens com o novo iPad.

O modelo que entrou agora no mercado europeu não está preparado para funcionar com as frequências 4G europeias. Só pode usar a rede 3G ou 3G+. No seu sítio na Net, a Apple refere que aquela ligação só é possível nos Estados Unidos e no Canadá, mas fá-lo de forma quase impercetível numa pequena nota de rodapé, o que é lamentável.  

Limitação da rede 4G passa despercebida no sítio na Net da Apple.

Com um processador e uma placa gráfica mais potentes, o aparelho aquece mais do que o seu antecessor ao usar determinadas aplicações: registámos 10°C acima dos cerca de 30°C no iPad 2. Ao contrário do que referiram algumas notícias recentes, esta temperatura não é muito elevada, nem perigosa, e não diminui o desempenho do aparelho. No entanto, poderá ser desconfortável se tiver o tablet ao colo. 

No nosso teste, o novo iPad aqueceu até mais 10ºC do que o iPad 2.

O aumento na resolução e no processador exigem muito mais bateria. Esta aumentou de capacidade, o que permite manter o mesmo tempo de autonomia do iPad 2, 10 horas. Contudo, demora mais tempo a carregar: 8 horas não chegam. Já se fizer uma carga rápida de 30 minutos, pode usar o novo iPad durante 1 hora e 40 minutos, contra 2 horas do iPad 2.   

Se usar o ecrã na luminosidade máxima, a bateria esgota-se mais depressa: dura apenas 5 horas em utilização, contra 10 horas com um brilho mais baixo.