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Smartwatches e pulseiras desportivas baratos valem a pena?

Vale a pena comprar uma pulseira desportiva ou um smartwatch de baixo custo? Apesar dos preços atrativos, os nossos testes revelaram que, na maioria dos casos, o barato pode sair caro.

  • Dossiê técnico
  • Pedro Mendes e José Almeida
  • Texto
  • Ana Rita Costa e Filipa Nunes
22 outubro 2021
  • Dossiê técnico
  • Pedro Mendes e José Almeida
  • Texto
  • Ana Rita Costa e Filipa Nunes
mulher a olhar para smartwatch

iStock

O velhinho relógio deu lugar aos smartwatches e pulseiras desportivas. De acordo com dados da IDC, empresa de inteligência de mercado especializada em tecnologias da informação, telecomunicações e tecnologia de consumo, em 2020, foram vendidos em todo o mundo cerca de 444 milhões de wearables, um aumento de 28,4% face ao ano anterior que revela a popularidade crescente destes dispositivos.

Marcas como a Apple, a Garmin ou a Samsung têm maior notoriedade neste mercado, mas os preços dos dispositivos podem, em alguns casos, ultrapassar os 250 euros. Para quem estes valores não estão ao alcance, há cada vez mais opções de baixo custo, entre 5 euros e 40 euros.

Apesar das centenas de avaliações de cinco estrelas que muitos destes wearables low cost reúnem em lojas online como a Amazon ou a Wish, nem todos são confiáveis. Para ajudar a distinguir o trigo do joio, selecionámos vários modelos que custam entre 5 e 40 euros, e submetemo-los a uma versão simplificada do nosso programa de testes de wearables, comparando-os com os equipamentos de referência que obtiveram melhor qualidade global nos nossos testes.

Modelos low cost testados:

  • Aswee Fitness Tracker (B5), disponível a partir de 38 euros;
  • M4 Smart Bracelet, disponível a partir de 8 euros;
  • 119 Plus Smart Watch, disponível a partir de 15 euros;
  • TEMINICE ID15, disponível a partir de 35 euros;
  • Aquarius AQ125HR, disponível a partir de 33,95 euros;
  • Technaxx TX-HR6, disponível a partir de 30 euros;
  • PopGlory P22 Smart Watch, disponível a partir de 33 euros;
  • Willfull WF025-BL-FX-FR9, disponível a partir de 39,99 euros;
  • OPPO BAND, disponível a partir de 29,99 euros;
  • Samsung Galaxy Fit 2, disponível a partir de 24,90 euros
  • Honor Band, disponível a partir de 29,90 euros;
  • REALME WATCH, disponível a partir de 43,99 euros;
  • AmazFit Bip, disponível a partir de 59, 90 euros;
  • Xiaomi MI Band 4, disponível a partir de 20,32 euros.

Configuração exige paciência

Comparativamente a modelos de topo como os da Apple, da Fitbit, da Garmin ou da Samsung, com excelentes resultados no que diz respeito à configuração e à facilidade de utilização, estes modelos mais acessíveis são, em muitos casos, um bicho-de-sete-cabeças para quem pretende uma configuração sem problemas.

Configurar o Aswee Fitness Tracker (B5), um dispositivo que custa 38 euros na Amazon, revelou-se particularmente frustrante: o processo de emparelhamento com o smartphone não começou automaticamente e foi preciso navegar dentro da app que o acompanha, a FitPro, para iniciar o procedimento manualmente. A dificuldade repetiu-se quando configurámos o M4 Smart Bracelet e o 119 Plus Smart Watch — que também recorrem à app FitPro —, ambos à venda na Wish, por 8 e 15 euros, respetivamente.

Personalização fica aquém nos low cost

Embora nem todos ofereçam uma experiência de configuração complicada, quando o tema é personalização, os wearables de baixo custo ficam aquém das possibilidades oferecidas pelos equipamentos mais caros.

O TEMINICE ID152, disponível na Amazon por 35 euros, o Aquarius AQ125HR, à venda na Fruugo por 33,95 euros, e o 119 Plus Smart Watch, são exemplo disso. O primeiro não permite ajustar nenhuma das opções diretamente no aparelho, sendo para isso necessário recorrer à app, e os outros dois não permitem mudar o brilho do ecrã, nem no equipamento nem na app. Além disso, como têm menos botões que as versões de topo, o que permite aos fabricantes baixar os custos dos aparelhos, a utilização destes dispositivos é também mais difícil quando comparada com os equipamentos mais caros.

Medições pouco fiáveis

Outra das desvantagens dos equipamentos de baixo custo é que são pouco rigorosos nas medições que fazem. A maioria dos modelos só efetua a monitorização de coisas simples, como os passos diários, e não tem sensores de batimento cardíaco ou de oxigenação sanguínea. Já o GPS, ferramenta essencial para quem pratica desporto e pretende calcular com precisão a distância percorrida e a velocidade, não está disponível em nenhum dos modelos que testámos.

O 119 Plus Smart Watch e o Aswee Fitness Tracker B5, por exemplo, conseguem monitorizar o batimento cardíaco no pulso, mas não o fazem com precisão, interrompendo a medição durante a atividade física, sendo necessário ativar a função várias vezes. O Aquarius AQ125HR, por exemplo, só deu informações precisas durante o exercício. Em repouso os dados estavam incorretos.

Por outro lado, todos os wearables low cost que testámos fazem a monitorização do sono, embora com pouco rigor. É o caso do Smart Bracelet, à venda por 8 euros na Wish, e do Technaxx TX-HR6, disponível por 30 euros na Amazon: iniciaram o registo do sono quando os dispositivos ainda estavam pousados numa mesa, indicando diferenças entre sono leve e profundo.

Qualidade dos materiais não vai além do aceitável

Os nossos testes revelaram ainda que quase todos os modelos selecionados são constituídos por materiais pouco resistentes, o que em alguns casos se traduz em desconforto no pulso para o utilizador.

O M4 Smart Bracelet, por exemplo, partiu enquanto o carregávamos e o Aquarius QA125HR chegou estragado, obrigando-nos a comprar uma segunda unidade para testar. O melhor de todos acaba por ser o PopGlory P22 Smart Watch, disponível na Amazon por 33 euros, que revelou uma qualidade de construção superior aos restantes. Quanto à qualidade do ecrã, o pior do teste é mesmo o Aquarius AQ125HR, com um ecrã demasiado pequeno e monocromático que dificulta a leitura.

Relógios e pulseiras pouco “smart”

É no capítulo das funcionalidades inteligentes que estes wearables low cost deixam mais a desejar, o que não é expectável em dispositivos que se querem “smart”. Por exemplo, todos os que testámos vibram quando há uma chamada ou mensagem a entrar, mas nenhum permite responder diretamente no ecrã.

E se os wearables de topo são exímios na sincronização e funcionam sem qualquer problema nas aplicações próprias das marcas e nas de terceiros, já os modelos de baixo custo recorrem todos a aplicações genéricas que dão, quase sempre, problemas de utilização. É o caso da app VeryFitPro, usada em cinco dos modelos testados, e da app FitPro, usada em três. Concebidas para funcionar numa gama alargada de dispositivos, estas apps não estão otimizadas para pulseiras, o que se traduz numa má experiência de utilização, sobretudo porque estes equipamentos não têm muitos botões, o que obriga a recorrer constantemente à aplicação. O único que permite, ainda assim, recorrer a apps mais populares, como a Apple Health ou a Strava, é o Willfull WF025-BL-FX-FR9, disponível por 39,99 euros na Amazon. Apesar de todas estas lacunas, todos os wearables low cost que testámos têm compatibilidade com dispositivos Android e iOS.

Nem todos os wearables são maus

Contas feitas, o mais provável é que estes relógios inteligentes e pulseiras desportivas de baixo custo não respondam às necessidades da maioria dos consumidores que procuram um destes dispositivos. Se pretende apenas medir os passos ou procura um destes equipamentos para se iniciar no mundo dos wearables, pode fazer sentido começar com um pequeno investimento. Mas até nesse caso convém fazer uma escolha acertada. Comprar para deitar fora depois de apenas uma dúzia de utilizações tem um impacto negativo no ambiente.

Entre os modelos low cost de fabricantes desconhecidos existem algumas opções com bons resultados nos nossos testes. No que diz respeito a pulseiras desportivas, há três "Escolhas acertadas", com preços a partir de 30 euros, e uma pulseira "Mais em conta", disponível a partir de 20 euros. 

Já no caso dos smartwatches, as "Escolhas acertadas" estão disponíveis a partir de 38 euros e 60 euros.

As nossas recomendações em smartwatches e pulseiras desportivas

OPPO BAND
Ver resultado do teste Acesso reservado
a partir de
 29,99
REALME WATCH
Ver resultado do teste Acesso reservado
a partir de
 34,50
HONOR BAND 5
Ver resultado do teste Acesso reservado
a partir de
 29,90
XIAOMI MI BAND 4
Ver resultado do teste Acesso reservado
a partir de
 20,32


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