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Photokina: superzooms atingem limiar do absurdo

22 setembro 2014 Arquivado

22 setembro 2014 Arquivado

Se a corrida aos megapixels é coisa do passado, assistimos a novos campeonatos entre os fabricantes de máquinas fotográficas. Rapidez na focagem e no disparo e zoom de maior distância focal são as competições do momento. Mas nem todas as novidades são realmente interessantes.

Os fabricantes querem estar em forma na Photokina, a feira de Colónia que reúne o melhor do mundo dos equipamentos fotográficos. Animadores nos standes, que pousam ou fazem movimentos para os fotógrafos experimentarem as novas funcionalidades dos aparelhos, luzes, jogos e vídeos enchem as salas, ao mesmo tempo que representantes, diretores e funcionários das marcas se desdobram em explicações a consumidores e profissionais. Faz-se fila para ter nas mãos o último grito de cada marca. Os visitantes de todo o mundo são aos milhares. O programa é extenso e procurar as novidades no meio de uma dezena de edifícios ligados por quilómetros de corredores, salpicados por gente de todas as latitudes, pode ser uma prova de resistência física e mental. Analisamos para si as principais novidades.

Compactas pequenas em declínio
As vendas das máquinas compactas tradicionais, as quais, no passado, reuniam o maior número de vendas, estão em queda desde há dois anos e a tendência foi muito visível na feira de Colónia. Não foram introduzidas grandes novidades nem as marcas melhoraram os modelos existentes com funções realmente interessantes. Chegou a ponto de a Canon nem sequer trazer à Photokina compactas pequenas e de a Olympus anunciar que vai suspender o seu fabrico. Se há algum tempo dizíamos que ainda não era certo quem ia ganhar a guerra entre compactas e smartphones, hoje já parece evidente que os últimos estão a causar sérios estragos entre as fileiras das primeiras. 

Os sensores de grandes dimensões são, para já, a tábua de salvação do setor e permitem a alguns modelos atingir a qualidade de imagem das máquinas híbridas ou mesmo reflex.  As compactas que continuam a ter mercado são as que trazem funções ausentes nos smartphones. É o caso dos modelos de ação ou aventura, que resistem à exposição a areia ou salpicos de água, e das superzooms, que permitem distâncias focais impossíveis nos smartphones. 

Também com as vendas a subir, os modelos híbridos vieram para ficar. Muitos fabricantes atualizaram as suas gamas de produtos. Mas a Canon decidiu retirar-se da corrida, apenas inovando a linha M-System no Japão, onde lançou a M2 há alguns meses. Não é claro se a decisão se deve ao facto de apresentarem uma qualidade um pouco inferior à da concorrência ou a uma estratégia de marketing que passa pela aposta na venda das objetivas da linha AF. 

Outro setor a receber cada vez mais atenção dos fabricantes é o das objetivas para máquinas híbridas. Os processos de produção, nomeadamente ao nível do tratamento da superfície das lentes, foram explicados na feira como nunca antes tinha acontecido e mais modelos viram a luz do dia, por exemplo, pela mão da Tamron e da Sigma, que reúnem uma boa relação entre a qualidade e o preço. 

Novos campeonatos para disputar
Os fabricantes gostam de impressionar com números. No passado, assistimos a uma corrida aos megapixels. Hoje, outras características oferecem terreno de batalha. É o caso do zoom, que muitas marcas levam ao limite. A Photokina mostrou ao mundo uma superzoom de 65 vezes, que equipa a Canon Powershot SX60, o que roça o absurdo. Ao ampliar exageradamente o motivo a capturar, é impossível perceber o que se está a fotografar. Além disso, a resolução e a nitidez de que em teoria o utilizador usufrui são afetadas por este fator de ampliação e pela oscilação da mão ao fotografar. Um zoom entre 5 e 10 vezes é mais do que suficiente para as necessidades da maioria das pessoas. É preferível apostar num sensor de maiores dimensões e num diafragma com maior abertura.

A Canon Powershot SX60HS vem com zoom de 65 vezes. Com um tal fator de ampliação, torna-se impossível perceber o que se está a fotografar.
A Canon Powershot SX60HS vem com zoom de 65 vezes. Com um tal fator de ampliação, torna-se impossível perceber o que se está a fotografar.

A rapidez da focagem e a focagem preditiva também prometem guerra. As máquinas fotográficas digitais eram conhecidas por um desempenho inferior em condições de fraca luminosidade, problema que foi resolvido há alguns anos com a introdução de valores elevados de ISO e sensores mais sensíveis à luz. Apresentavam ainda dificuldade a focar, problema que também foi relegado para o passado. Muitos fabricantes dizem-se agora os mais rápidos no gatilho e alguns chegam a anunciar uma focagem em 60 milissegundos, alegações que serão verificadas nos próximos testes que realizarmos. 

A focagem parece ter-se tornado também mais inteligente, com dispositivos capazes de seguir a posição de um objeto em movimento, de modo a ficar 100% definido no momento em que a foto é tirada. Assistimos na Photokina a demonstrações com um jogador de futebol a dar toques numa bola, mas também temos de tirar as teimas no laboratório.

O número de imagens por segundo é mais uma competição em que todos querem estar na frente. É notório o aumento da velocidade. Muitas máquinas conseguem já 15 fotogramas por segundo, com total focagem entre disparos.

Assistimos a uma demonstração da focagem com um jogador de futebol, cujas imagens eram reproduzidas num ecrã à parte.
Assistimos a uma demonstração da focagem com um jogador de futebol, cujas imagens eram reproduzidas num ecrã à parte.
As maiores novidades das principais marcas
A Canon atualizou a 7D e lançou a Powershot SX60HS, que vem com zoom de 65 vezes, e um novo modelo da linha G. Para já, esta Canon G7X deixa boa impressão, com sensor de 1 polegada, zoom de 4 vezes, distância focal de 24-100 mm e abertura de f:1.8-2.8. Mas temos de esperar pelo veredito do laboratório.
Com zoom de 4 vezes e distância focal de 24-100 mm, a Canon G7X deixou boa impressão.
Com zoom de 4 vezes e distância focal de 24-100 mm, a Canon G7X deixou boa impressão.
A Nikon trouxe um novo modelo full frame, a D750, e uma câmara selfie, a S6900, com disparador dedicado na parte da frente e um apoio para pousar o aparelho.
A Nikon lançou um novo modelo full frame, muito aguardado pelo público: a D750.
A Nikon lançou um novo modelo full frame, muito aguardado pelo público: a D750.

A Sony lançou a Alpha 5100, um modelo híbrido de entrada de gama, muito pequeno, sobretudo tendo em conta que esta marca incorpora os sensores de maiores dimensões entre as compactas.

A Panasonic também já entrou na corrida dos sensores de grandes dimensões em modelos compactos, com duas propostas interessantes: a LX100 e a FZ. A primeira vem equipada com um sensor de 1,33 polegadas. A marca diz ter a melhor qualidade de vídeo, com a introdução do 4K, que oferece quatro vezes mais nitidez do que a alta definição. Outra novidade é o modo de disparador silencioso nas máquinas híbridas. Perde-se um pouco na dinâmica das cores, mas as imagens apresentam ainda boa qualidade. 

A Panasonic evoluiu igualmente no campo dos smartphones, exibindo um modelo com um impressionante sensor de 1 polegada e módulo de fotografia com zoom de 3 vezes.

A Panasonic anuncia a melhor qualidade de vídeo integrada em máquinas fotográficas. Experimentámos a LX100, que, para já, causou boa impressão.
A Panasonic anuncia a melhor qualidade de vídeo integrada em máquinas fotográficas. Experimentámos a LX100, que, para já, causou boa impressão.

A Samsung trouxe a mais profissional das híbridas. A NX1 é um modelo novo, que consegue os melhores números em muitas categorias. À prova de salpicos de água, oferece 28,7 MP de resolução e tem um sensor com 205 pontos de deteção, visor de 2.36 MP e ligação Wi-fi, para partilhar imagens nas redes sociais.

O laboratório terá a palavra final sobre o desempenho e a utilidade de todas estas novidades.

A Samsung criou um sistema, através de ligação sem fios, que permite visualizar num tablet aquilo que a máquina está a capturar.
A Samsung criou um sistema, através de ligação sem fios, que permite visualizar num tablet aquilo que a máquina está a capturar.