Guia de compras

Drones: guia de compras

Com um céu nublado, de tons azuis-escuros e roxos como fundo, as imagens a contra-luz de um drone a funcionar, em cima à esquerda, e de um homem a manipulá-lo, em baixo, à direita.

Para evitar imprevistos, é importante o drone ter mecanismos de segurança, como limites de altitude e geográficos (geofencing) ou a função "return-to-home". Antes de comprar, saiba o que deve valorizar num drone.

No contexto da aviação, um drone é uma aeronave não tripulada, ou seja, não tem ocupantes a bordo e é pilotada remotamente.

Os drones para o consumidor em geral estão a crescer em sofisticação. Desde logo, preveem mais mecanismos de segurança operacional, como limites de altitude e geográficos (geofencing) e zonas interditas (no-fly), algo indispensável, por exemplo, nas proximidades de aeroportos. Como a lei impõe restrições ao voo junto a este tipo de infraestruturas, tais precauções podem ser uma grande ajuda no cumprimento das disposições legais.

Apps e funções dos drones

Muito útil é também a função “return to home”, que obriga o equipamento a regressar à casa de partida em face de uma emergência, como falha de comunicação com o comando ou bateria fraca. Os drones incluem ainda opções mais sofisticadas ao nível da fotografia e do vídeo. Captação de selfies, voo em órbita e a função “segue-me” (follow me) são hoje comuns na maioria dos equipamentos. 

Quase todos os modelos têm apps associadas que somam funcionalidades ao drone, como a possibilidade de acompanhar a filmagem no ecrã, enquanto outras substituem o comando na tarefa de manobrar o equipamento. Mas mesmo os drones que incluem comando permitem encaixar o smartphone para enquadrar as fotos ou as filmagens, e seguir de perto o que está a ser capturado. Por sua vez, os modelos que trazem ecrã integrado no comando dispensam o emparelhamento com o smartphone, o que facilita a preparação do voo.

Como os vídeos em 4K podem ser muito pesados, um cartão de memória SD de elevada capacidade e desempenho é uma mais-valia (de preferência de classe 6 ou 10). 

Voar um drone com o smartphone

Voar um drone já não tem grande ciência. Tipicamente, existem dois joysticks: um para subir, descer e rodar sobre si mesmo (yaw), outro para deslocar o drone nas diversas direções. Longe vão os tempos em que o piloto de um aeromodelo tinha de ajustar constantemente a potência dos rotores através do comando, o que requeria verdadeira maestria.

Largados os comandos, a aeronave mantém as posições vertical e horizontal. Pode parecer simples, mas requer a leitura e o processamento de dados de muitos sensores: GPS, sensores óticos, barométricos, giroscópios ou acelerómetros. A cada alteração de uma variável, o drone tem de calcular e ajustar instantaneamente a potência de cada um dos quatro rotores (no caso dos quadricópteros). Tem também de ter em consideração a variável vento (direção e intensidade) para conseguir manter o drone controlável.

No entanto, operar a aeronave através do smartphone, e não com o comando, é menos prático, requer habituação e pode ter impacto no desempenho. O piloto tem de ser preciso ao tocar no ecrã, para dar as ordens certas: de contrário, o equipamento pode descrever movimentos erráticos. Mas possuir um comando também não é sinónimo de excelência. Alguns drones registam mau desempenho, apesar de incluírem aquele dispositivo.

Bateria e transporte dos drones

E quanto é que dura uma viagem de drone? Não espere muito mais do que uns 30 minutos de voo, que podem descer abaixo dos 15 minutos no caso dos drones com pior nota. Não deixa de ser frustrante esperar uma hora para carregar a bateria e depois usufruir de um prazer fugaz. Uma bateria adicional pode ser boa ideia, mas o preço, por vezes, é elevado.

Ao terminar as andanças do drone, saiba que certos modelos podem ser dobrados, mesmo com as hélices montadas, para facilitar o transporte. Outros exigem a desmontagem daquelas peças e da câmara. Normalmente, existe uma ordem e posição certas para as hélices, um componente sensível, que, mal montado, provoca acidentes e resulta em despesas adicionais. Com o cartão DECO+ consegue alguns descontos na compra e manutenção de drones.

Regras para voar drones

Existem três categorias de operação, em função do nível de risco: aberta, específica e certificada. Na primeira categoria, os operadores de drones têm de fazer o registo na plataforma do Regulador (ANAC) sempre que o aparelho tenha mais de 250 gramas. Para além disso, sempre que o equipamento tiver câmara, é obrigatório pedir autorização à Autoridade Aeronáutica Nacional. Na categoria específica, existe sempre obrigatoriedade de pedir autorização à ANAC.

Já há equipamentos para utilizadores domésticos que conseguem subir acima de 4 quilómetros. Mas em Portugal não se pode voar a mais do que 120 metros. Esta é a altura máxima definidas por muitos outros países. Para ascender acima dos 120 metros é necessária uma autorização.

Para voar em espaços fechados é preciso autorização do proprietário do espaço. Há ainda que ter em conta que o sinal de GPS é altamente restringido dentro de portas pelo que a precisão do equipamento pode ser afetada. 

Questões frequentes

Como registar um drone?

A obrigatoriedade de registo dos drones está prevista desde 2018. Na prática, só em janeiro de 2021 é que a Autoridade Nacional de Avião Civil (ANAC) disponibilizou a plataforma eletrónica para registo de drones.

Um drone tem sempre câmara?

Não. Um drone não tem de necessariamente ter uma câmara. Nem tão pouco tem de voar: há drone terrestres, aquáticos ou híbridos, por exemplo. Mas a grande maioria dos drones para uso em lazer têm uma câmara integrada.

Posso filmar ou fotografar com um drone?

Em Portugal, sempre que se realizam filmagens aéreas é necessário pedir autorização à Autoridade Aeronáutica Nacional (AAN). O pedido é gratuito e pode ser feito online. Se for filmado por um drone e sentir a sua privacidade invadida deve reportar às forças de segurança (GNR ou PSP) e fazer uma denúncia junto da Comissão Nacional de Proteção de Dados.

É difícil pilotar um drone?

Não. A maioria dos drones atuais têm tecnologia que lhes permitem fazer voo estacionário, isto é, ficar a voar no mesmo local se o piloto largar os comandos. Mas, para evitar situações perigosas, é necessário algum treino. Há ainda que ter presente que em muitos casos as hélices estão expostas e funcionam como lâminas.