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Impressora 3D: fora do alcance do comum dos mortais

26 setembro 2013 Arquivado

26 setembro 2013 Arquivado

Já está à venda uma das primeiras impressoras 3D, a MakerBot2, que cria objetos tridimensionais em plástico. Não está ao alcance da carteira de todos, nem as primeiras utilizações são fáceis.

A impressão de objetos em três dimensões já não pertence ao mundo da ficção científica. Apresentamos os resultados de um teste realizado por uma associação congénere a uma das primeiras impressoras 3D à venda que permite realizar esse sonho, a 3D MakerBot 2.

Existem outras impressoras 3D à venda, algumas com preços mais baixos. Porém, os resultados obtidos neste teste permitem-nos tirar conclusões sobre o estado de desenvolvimento da impressão 3D e das suas reais capacidades e limitações para uma utilização doméstica.

Não é um objeto para todas as bolsas, mas pode vir a sê-lo. Quanto à utilização, é necessário alguma experiência. Após algumas tentativas, produzem-se objetos com uma taxa razoável de sucesso. Mas o preço é proibitivo e direcionado para um uso profissional: cerca de 1800 euros.

Veja no nosso vídeo o primeiro modelo 3D em ação.

Para construir um objeto tridimensional, esta impressora utiliza um material plástico, o chamado PLA (ácido poliláctico), derivado do milho, e em diferentes cores, enrolado em forma de bobine e acoplado à impressora. Cada bobine inclui 1 kg de filamento de PLA e custa cerca de 35 euros.
Cada bobine inclui 1 kg de filamento de PLA e custa cerca de 36 euros.
Cada bobine inclui 1 kg de filamento de PLA e custa cerca de 36 euros.
É provável que daqui a alguns anos, com preços mais baixos e uma melhor facilidade de utilização, as perspetivas sejam mais interessantes.

Antes de imprimir, é necessário criar um modelo em 3D: a impressora traz um software gratuito, denominado MakerWare, que permite importar modelos pré existentes realizados em CAD.

Este programa proporciona ao utilizador uma vista 3D da plataforma e zona de impressão, permitindo colocar vários objetos e redimensioná-los. Porém, a criação ou a alteração de novos objetos não é possível. Uma vez definido o projeto, cria-se um ficheiro de construção e envia-se para a impressora através de USB ou de cartão de memória SD. Na impressora, pode instalar uma única bobine de PLA para cada impressão, o que significa que o objeto impresso será obrigatoriamente de uma só cor. O objeto é construído a 230ºC: a cabeça de impressão derrete o fio de PLA e começa por projetá-lo contra a plataforma da impressora.
Testámos um modelo encomendado online no sítio na Internet do fabricante norte-americano (www.makerbot.com).
Testámos um modelo encomendado online no sítio na Internet do fabricante norte-americano (www.makerbot.com).
Bules e chávenas a sair da impressora
Construímos bules e chávenas. Com uma bobine de 1 quilo de PLA produzem-se 10 chávenas. As nossas primeiras tentativas tiveram uma taxa de sucesso muito reduzida, pela grande dificuldade em alinhar a plataforma da impressora, que tem de ficar exatamente paralela ao movimento da cabeça de impressão. Quando se imprime em alta qualidade, o software não nos dá qualquer sinal de estar ativo durante um longo período de tempo, o que leva o utilizador a crer que deixou de funcionar. Uma vez adquirida alguma experiência, a taxa de sucesso na construção dos objetos situou-se entre os 60 e os 80%, dependendo da dimensão e da complexidade do objeto.
As nossas primeiras tentativas em criar chávenas e bules tiveram uma taxa de sucesso muito reduzida, pela grande dificuldade em alinhar a plataforma da impressora.
As nossas primeiras tentativas em criar chávenas e bules tiveram uma taxa de sucesso muito reduzida, pela grande dificuldade em alinhar a plataforma da impressora.

A escolha da qualidade de impressão tem enorme influência sobre o tempo: em qualidade média, pequenos objetos, como uma chávena, exigem poucos minutos para criar o ficheiro que dá as instruções à impressora. Depois, para imprimir, há que aguardar mais 15 a 30 minutos. Já em alta qualidade, um bule necessita de um par de horas para elaborar o ficheiro e 15 ou mais horas para imprimir.

É possível escolher três níveis de qualidade de impressão, segundo a densidade do enchimento, da altura de cada camada e da espessura exterior do objeto.

Características

  • Dimensões: 49x32x38 cm, sem a bobine
  • Peso: 11,5 kg
  • Ligações: USB, cartão SD
  • Software: MakerBot, MakerWare, ficheiros .stl, .obj, .thing.
  • Sistema operativo: Windows (XP/7/8), Mac OSX (10.6/10.7/10.8), Linux (Ubuntu 12.04+)

Beethefirst, a primeira impressora 3D portuguesa
A primeira impressora 3D totalmente concebida e desenvolvida em Portugal é a Beethefirst e já se encontra à venda em www.beeverycreative.com por € 2200, acrescidos de € 6,72 de custo de transporte. Porém, quando tentamos encomendar o produto, somos informados de que não fazem a expedição para Portugal, um erro já reconhecido pelo fabricante e que o mesmo se compromete a corrigir. Ocupando o mesmo espaço de uma comum impressora de papel, a Beethefirst foi criada de raiz, em 18 meses, por dois jovens engenheiros portugueses da Universidade de Aveiro.


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