Mobilidade

A mobilidade sustentável está na ordem do dia, mas ainda há um grande caminho a percorrer. Saiba como pode contribuir para um planeta mais sustentável, deslocando-se de forma mais consciente.

A Humanidade na estrada

Os primórdios da mobilidade humana remontam à construção das primeiras estradas, no IV ou V milénio antes de Cristo. Com os Romanos surgiram as primeiras grandes extensões de estradas – chegaram a ter mais de 400 mil quilómetros por todo o Império. Mas foi com a Revolução Industrial que chegou a necessidade de transportar grandes quantidades de produtos e de máquinas através de grandes distâncias. O século XIX marca, assim, o início de uma era em que a necessidade e o desejo de viajar nunca mais desaparecerão das sociedades humanas.

Mas de que falamos exatamente, quando falamos de mobilidade? A mobilidade corresponde ao conjunto de deslocações, associadas a múltiplos motivos e atividades, sejam elas profissionais, de logística familiar, sociais, entre outras. Dada a crescente dimensão dos aglomerados populacionais, a mobilidade motorizada ganhou destaque.

As últimas décadas ditaram alterações profundas dos padrões de mobilidade em Portugal, geradas muitas vezes por decisões públicas noutros setores. Por exemplo, a confluência das escolas primárias ocorrida nas décadas de 1970 e 80 por razões economicistas e de concentração de meios levou a que deixasse de ser possível para a maioria das crianças ir a pé para a escola. Do mesmo modo, a dificuldade de arrendamento ou aquisição de casa em Lisboa ou no Porto gerou movimentos em direção aos municípios suburbanos.

E assim foram crescendo os movimentos pendulares, enquanto as áreas urbanizadas também se expandiam, ficando cada vez mais longe das paragens e estações ferroviárias já existentes.

É aí que surge a necessidade, para muitas famílias, da compra de um carro: é raro encontrar um local de residência que disponha de boas ligações em transporte público aos locais de trabalho dos dois adultos de um casal. Tornou-se mais frequente a compra por razões de qualidade na mobilidade e de disponibilidade económica; outros critérios como boas escolas, comércio ou serviços nas redondezas foram relegados para segundo plano.

Mas nem todas as deslocações são obrigatórias. Também há um número crescente de deslocações associadas ao lazer, ao encontro de amigos e às atividades extraescolares dos filhos, por exemplo.

A evolução urbanística das cidades também influenciou a cadeia de mobilidade dos habitantes, tornando-se mesmo contrária aos interesses de uma mobilidade simples. Partimos de cidades de pequena dimensão, sem concentração de atividades ou funções, com muita habitação, muitos serviços, comércio e, em muitos casos, indústria. Nessa altura, vivia-se perto do local de trabalho e os serviços e comércio estavam sempre perto. As deslocações faziam-se essencialmente a pé.

O crescimento exponencial das cidades cria polos monofuncionais – empresariais, comerciais e habitacionais – separados geograficamente. As deslocações regulares e diárias entre os vários polos tornam-se indispensáveis. A cadeia de mobilidade torna-se maior e muito mais complexa. Como podemos reduzir a cadeia de mobilidade e os tempos e custos de deslocação, de forma a diminuir o seu impacto ambiental e a melhorar a qualidade de vida dos habitantes?

Para começar, a rede de transportes públicos tem de ter uma oferta suficientemente atraente para que um número significativo de pessoas que têm carro e dinheiro para o utilizar regularmente optem pelo transporte coletivo. É preciso que exista regularidade e quantidade adequada, e que o tempo total de percurso, a fiabilidade, o preço, o conforto na espera e a bordo, e a interligação entre as várias soluções sejam atraentes. Em relação ao preço, a criação do passe metropolitano foi um avanço na direção certa.

Mas perante a impossibilidade de haver soluções individualizadas para todos, já existem soluções ao nosso alcance.

Existe a solução “park & ride”, isto é, usar o carro da família até à paragem de autocarro/ estação do comboio/ estação de metro e seguir a partir daí em transporte coletivo, contudo são grandes as limitações: preço e disponibilidade de estacionamento condicionam a adesão. A EMEL reforçou soluções neste sentido, apostando no bilhete diário, em zonas de acesso a transporte público, e também existem parques nas periferias, com preços especiais para quem usa o passe.

As soluções de mobilidade partilhada ou suave têm sido apontadas como um caminho para resolver as dificuldades de ligação. A “alimentação” dos transportes coletivo pesado (comboios, ferries, metropolitanos, autocarros) pode ser feita por veículos que, ou não fiquem estacionados junto às estações (partilhados, como bicicletas elétricas) ou de pequenas dimensões e facilmente transportáveis (como as trotinetes elétricas ou a bicicleta dobrável).

A ascensão destas soluções deve-se à crescente conectividade digital. Os últimos anos têm sido prolíferos no desenvolvimento de novas opções de mobilidade baseadas na internet. E é aqui que a digitalização pode contribuir para a mobilidade suave, simplificando a opção pelos transportes coletivos multimodais.

Existem, agora, três conceitos de mobilidade partilhada: o de veículos (motas e automóveis) partilhados por um conjunto de utilizadores sucessivos; o de bicicletas elétricas e de trotinetas elétricas através de aplicações, como a Lime ou a Hive; e por fim, as viagens partilhadas por um conjunto de utilizadores simultâneos, como acontece no conceito de táxis partilhados e no transporte de passageiros em veículos descaracterizados a partir de plataformas eletrónicas (por exemplo, a Uber ou a Kapten).

No caso das bicicletas, em nome de uma cidade mais sustentável, a Câmara Municipal de Lisboa vai testar a utilização gratuita das bicicletas Gira por estudantes, residentes e trabalhadores. A grande vantagem é a tração elétrica que permite duplicar, ou multiplicar por mais, as distâncias praticadas face ao que poderia ser feito a pé ou com uma bicicleta de tração humana.

Há cada vez mais pessoas a organizar a sua vida com base em modelos alternativos de mobilidade e até com melhor qualidade. Muitos concluíram que o carro, usado em média cerca de 5% do tempo, é um desperdício de dinheiro e de recursos. Embora a posse de um automóvel provavelmente nunca venha a ser proibida, é de esperar que passe a ser uma opção minoritária, motivada pela preocupação como ambiente e a poluição (atmosférica e sonora) provocada.

Os acordos que Portugal subscreveu obrigam à criação de sistemas de mobilidade e transportes capazes de atingir os objetivos propostos. Mas colocam também uma responsabilidade acrescida a todos os Portugueses. Falhar não é uma opção. A mudança vai ter de acontecer, e será mais fácil com a colaboração de todos.

Uma coisa é certa, alargar as vias e aumentar a sua capacidade não resolve os problemas inerentes ao congestionamento das estradas com as consequências ambientais e de saúde pública que se conhecem. As soluções passam, forçosamente, por fomentar alternativas sólidas, práticas e fiáveis ao transporte em viatura própria.

Soluções em que as pessoas possam manter, ou melhorar, os níveis de acesso às funções desejadas, seja o trabalho, os serviços, o lazer ou a interação social, sem ser necessário percorrer longas distâncias. Na cidade ideal, tudo deve estar ao alcance de uma caminhada.

Não havendo soluções perfeitas, a era digital e os incentivos aos modos mais ativos (ou suaves) — como é o caso das bicicletas ou trotinetes elétricas partilhadas, da reconfiguração de espaços públicos e da construção de ciclovias — podem trazer ganhos significativos. Reduzir veículos, mas assegurar as mesmas deslocações com transporte coletivo ou escolar também é indispensável.

Por outro lado, a pandemia de covid-19 obrigou-nos a trocar a presença física pelo acesso virtual, como tem acontecido no âmbito do teletrabalho, das compras, das reuniões familiares e até eventos à distância. Com milhares de pessoas a trabalhar a partir de casa, os níveis de poluição e ruído nas cidades desceram de tal forma, que animais raramente vistos nas urbes regressaram. Nos primeiros meses de 2020, as emissões de CO2 e outros gases com efeito de estufa diminuíram drasticamente. Podemos dar continuidade a este ímpeto de mudança, pensando nas alterações que devemos fazer ao nosso estilo de vida para assegurar o futuro do planeta

Veja o que pode fazer para ajudar Portugal a atingir a meta de neutralidade carbónica em 2030 (ou seja, uma redução de 90% das emissões no setor dos transportes:

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