Palma de uma mão feminina com dezenas de comprimidos coloridos sobre fundo amarelo.

Sustentabilidade e uso racional de medicamentos andam de mãos dadas

Usar os medicamentos de forma racional, não é apenas uma forma de garantir melhor saúde e mais segurança. O uso adequado dos fármacos contribui para a sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde, ao reduzir os custos com medicamentos e consultas, e ajuda a que mais pessoas tenham acesso a cuidados de saúde e medicamentos.

Por outro lado, tomar o medicamento certo da forma correta também ajuda a reduzir a quantidade de resíduos produzidos.

Veja como usar os medicamentos de forma racional, isto é, na dose certa e por um período de tempo adequado, e com menores custos para si, para a comunidade e para o ambiente.

Como usar os medicamentos corretamente?

Quem nunca deitou a mão a uma caixa de analgésicos para aliviar uma dor de cabeça? São várias as situações em que nos automedicamos. As dores de cabeça e de garganta, a diarreia ou a febre ligeira, são apenas alguns dos exemplos mais comuns.

Apesar de ser prática corrente, e até aceite como parte do sistema de saúde, a automedicação envolve riscos, mesmo quando falamos de medicamentos não sujeitos a receita médica.

Nenhum medicamento é inócuo, e até mesmo os produtos naturais podem apresentar efeitos adversos. Outra regra a memorizar: os medicamentos sujeitos a receita médica não devem ser usados no contexto da automedicação.

Estes medicamentos requerem cuidados redobrados e a sua utilização só deve ser feita sob vigilância médica, pela pessoa a quem foram prescritos e para a causa identificada. Não partilhe, nem aceite que partilhem consigo, medicamentos com receita médica.

Antes de tomar um medicamento de venda livre leia o folheto informativo e siga à risca as suas recomendações. Se tem dúvidas sobre as indicações dadas, peça aconselhamento a um profissional de saúde. Lembre-se: a toma não deve exceder os 3 a 7 dias, dependendo da situação. Se os sintomas persistirem ou se se agravarem, procure um médico.

Quando recorrer a medicamentos de venda livre?

Os medicamentos de venda livre só devem ser usados para alívio de sintomas passageiros e sem gravidade, e de acordo com as recomendações incluídas no folheto ou prestadas por um profissional de saúde.

Na lista de situações passíveis de automedicação, o Infarmed inclui os problemas digestivos, respiratórios, cutâneos, nervosos, musculares e ósseos, oculares, ginecológicos e vasculares, especificamente:

• Constipações e gripes;

• Tosse e dores de garganta;

• Infeções recorrentes das narinas;

• Úlceras da boca;

• Digestão incompleta ou difícil;

• Vómitos, diarreia, obstipação esporádica (prisão de ventre), hemorróidas;

• Dores ligeiras a moderadas;

• Queimaduras solares;

• Feridas, picadas de insetos, eczema e outros problemas ligeiros a moderados da pele.

Para problemas mais sérios ou persistentes deve marcar uma consulta. Se procurou um médico e saiu de lá sem uma receita médica, não desespere. Nem sempre a abordagem farmacológica é a mais correta.

Ir ao médico não significa, necessariamente, obter uma receita médica. Nem a competência de um médico se mede pelo número de receitas que passa.

Como tomar medicamentos sem receita médica em segurança?

Tomar um medicamento não sujeito a receita médica em segurança implica o seguimento de regras. Ler e seguir as instruções do rótulo e folheto, além das recomendações do médico ou farmacêutico, e respeitar a dose e o tempo de toma indicados são medidas absolutamente essenciais.

Deve ainda optar por um medicamento que trate apenas os sintomas que apresenta. Por exemplo, se tem pingo no nariz, não escolha um que trate também dores de cabeça.

Além disso, não tome suplementos vitamínicos em paralelo, nem combine medicamentos sujeitos a receita médica com fármacos de venda livre, sem conhecimento do médico. Esta prática aumenta o risco de efeitos adversos.

Antigripais? Guarde o seu dinheiro

Alguns medicamentos não são recomendados por existirem dúvidas sobre a sua eficácia ou por serem combinações que não apresentam benefícios. É o caso dos antigripais, que combinam várias substâncias ativas, como por exemplo, anti-histamínicos, descongestionantes, antipiréticos ou analgésicos, vitamina C e cafeína.

Além de aumentar o risco de efeitos adversos ou a possibilidade de sobredosagem (se tomar a mesma substância ativa em separado), poderá estar medicar-se para sintomas que nem apresenta. Outros casos há em que certas substâncias ativas estão presentes em doses tão baixas, que qualquer efeito é mera coincidência.

A melhor opção é tomar medicamentos individuais para cada sintoma: é mais eficaz tanto do ponto de vista médico, como do ponto de vista ambiental. Se tiver febre, tome paracetamol ou ibuprofeno. Caso apresente sintomas de alergias, veja com o seu médico se precisa de um anti-histamínico.

Ser sustentável é isto mesmo: adquirir e utilizar apenas os medicamentos de que efetivamente precisa.

Como descartar medicamentos em segurança

A sustentabilidade no uso de medicamentos não termina no momento da toma. O ciclo só se fecha quando o consumidor descarta estes resíduos, de preferência da forma correta.

Para tal, deve entregar os medicamentos de que já não necessita e os que estão fora do prazo de validade, bem como os respetivos materiais de acondicionamento, num ponto de recolha VALORMED.

Estes pontos estão disponíveis nas farmácias comunitárias e, se olhar com atenção, vai ver que provavelmente existe um na sua farmácia habitual.

As cartonagens vazias, folhetos informativos, frascos, blisters, ampolas e bisnagas, também devem ser entregues, tal como os acessórios de administração como colheres, copos, seringas doseadoras, cânulas, entre outros.

A razão? Por terem estado em contacto com substâncias ativas e excipientes. Todos os resíduos que possam conter restos de medicamentos, sejam xaropes, comprimidos, cremes ou outros devem ser depositados lá.

Com esta recolha, evitamos o depósito de medicamentos juntamente com o lixo doméstico ou, pior, o seu despejo através dos esgotos. Em ambos os casos, poderia ocorrer contaminação dos solos e águas pelas substâncias ativas e excipientes utilizados na sua produção.

Outra vantagem é facilitar a correta reciclagem dos materiais de embalagem e acondicionamento dos medicamentos (papel, cartão, plástico, vidro), através da correta separação e classificação dos resíduos recolhidos e, quando necessário, o seu encaminhamento para incineração com valorização energética.

O que não pode depositar nestes pontos: agulhas, seringas ou qualquer outro material corto perfurante, termómetros de mercúrio, aparelhos elétricos ou eletrónicos, material de penso e cirúrgico (gaze, algodão, álcool etílico, água oxigenada, etc.), produtos químicos ou detergentes, fraldas e radiografias.

As últimas só devem ser entregues quando a AMI lança a sua campanha anual de recolha nas farmácias comunitárias.

Se seguir estes conselhos estará a contribuir para reduzir o uso desnecessário de medicamentos, e a evitar hospitalizações, consultas e custos de administração de outros medicamentos.

Evita despesas com a sua saúde e estará a contribuir para a sustentabilidade do SNS e para um planeta mais verde.