Mobilidade sustentável

Mobilidade Urbana e os Novos Tempos

Há alguns anos, quem precisava de chegar ao emprego tinha duas opções: o carro próprio ou os transportes públicos. O automóvel era a opção mais cómoda e, muitas vezes, a mais rápida. Hoje em dia, com a dificuldade em estacionar, nem sempre é a mais confortável. Muito menos barata, eficaz ou ecológica.

Novos modelos de mobilidade estão a ganhar terreno, seja pela chegada de conceitos inovadores baseados em aplicações móveis (por exemplo, Uber), seja pela popularização de soluções de partilha de trotinetes e bicicletas elétricas (como a Gira, Jumper ou Lime). O carsharing, que oferece o conforto e a comodidade de um carro mas melhora a eficiência em relação ao transporte privado, também cresceu. E a explosão de scooters e pequenas motos (elétricas ou não) ficou a dever-se à chamada Lei das 125, que permitiu aos detentores de carta de ligeiros conduzir motas.

A agilidade e a economia destas soluções estão a convencer muitos automobilistas de que existem melhores soluções para poupar tempo e dinheiro em deslocações. Vejamos quais os novos modelos de mobilidade adotados pelos portugueses e que vantagens trazem.

Caminhar, caminha, caminhar

Já ouviu dizer que a viagem é o destino? Pois bem, se a distância que pretende percorrer pode ser feita em 10 ou 15 minutos, vá a pé e desfrute desse tempo a sós para refletir, pensar ou ouvir música. O planeta agradece, a sua saúde agradece e a sua carteira vai andar mais cheia.

Pedalar até ao trabalho

A aposta na construção de ciclovias em muitas cidades levou a que muitos conciliem, hoje, um estilo de vida saudável com preocupações ambientais e económicas, elegendo a bicicleta — tradicional ou elétrica — ou a trotinete, para se deslocarem diariamente, de forma prática, rápida e segura.

Lisboa conta já com 60 quilómetros de ciclovias, prevendo-se que continuem a expandir-se, nomeadamente para as zonas mais periféricas. No país, existem atualmente cerca de dois mil quilómetros construídos de ciclovia, mas o objetivo é atingir os 10 mil em 2030.

A bicicleta elétrica em regime de partilha ou própria permite fazer face a maiores distâncias, incluindo em percursos acidentados, graças à assistência. O impacto económico desta escolha, quando comparado com a utilização diária do carro é enorme. Se optar por uma assinatura mensal da Gira, por exemplo, paga € 25 anualmente, ou seja, pouco mais que € 2 por mês. A partir de agora e a título experimental, a GIRA vai tornar gratuita a utilização das bicicletas, através de passes mensais com disponibilidade de horas, destinados a habitantes, estudantes e trabalhadores da cidade.

Se optar por uma bicicleta própria, pode comprar uma bicicleta elétrica de origem ou converter a sua atual bicicleta.

Há quem as use para fazer percursos diários de mais de 20 quilómetros e há quem as conjugue com os transportes públicos como o metro, o comboio, o autocarro ou o barco. Além de não poluírem, têm a vantagem de permitir poupar, exercitar e até relaxar nas deslocações diárias, com despesas de manutenção residuais.

Mas nem as bicicletas, nem os ciclistas reúnem ainda a tolerância alargada da sociedade. É preciso mudar mentalidades para escolhas de mobilidade mais heterogéneas e criar melhores condições para quem escolhe esta forma de deslocação.

Trotinete elétrica: alugar ou comprar?

A trotinete é um dos transportes partilhados mais usados em Lisboa. Segundo a informação disponível na página oficial da Câmara Municipal de Lisboa (CML), existem quase 7 500 veículos disponíveis e 400 mil clientes ativos entre os vários operadores.

As trotinetes podem ser um meio de transporte interessante para fazer deslocações pontuais dentro da cidade, mas são uma solução cara face a outras alternativas para quem utilize com frequência. Para os adeptos da trotinete que queiram fazer uma utilização regular, poderá compensar comprar o seu próprio veículo, em vez de recorrer a serviços de mobilidade partilhada. Se não, veja: para fazer uma viagem de 2,1 quilómetros gastaria € 2,45 na Lime ou € 2,95 nos restantes operadores. Se precisasse de fazer essa viagem duas vezes por dia, todos os dias úteis, gastaria num mês mais de € 100.

É um montante elevada para um percurso curto e os operadores não apresentam, ainda, pacotes de minutos ou passes, ao contrário do que acontece noutras modalidade de sharing, como a Gira, que permite custos de utilização mais baixos para quem viaja com mais frequência.

Por isso, comprar uma trotinete elétrica poderá ser uma solução. Se gastasse entre € 250 e € 300 na compra de um veículo, sem contar com as despesas de carregamento, recuperaria o investimento em dois a três meses de utilização, comparando com os custos de utilização das trotinetes partilhadas.

Motas: agilidade na cidade

A Lei das 125 veio permitir aos detentores de carta de ligeiros conduzir motas com motores até 125 cc. ou potência até 15 cv. e foi responsável pela explosão de scooters e pequenas motos nos centros urbanos.

A agilidade e a economia destes veículos rapidamente convenceram muitos automobilistas, que encontraram neles a solução perfeita para pouparem tempo no trânsito e não enlouquecer à procura de estacionamento. As motos são mais rápidas, económicas e fáceis de manobrar na cidade.

Se optar por um modelo elétrico, terá uma solução de mobilidade verdadeiramente sustentável: uma scooter ou mota elétrica não produz emissões de CO2 e não emite qualquer ruído. Em termos ambientais, reduz tanto a poluição atmosférica quanto a sonora.

O mercado das motos elétricas cresce anualmente, mas ainda não apresenta um número expressivo, pela mesma razão que o parque de carros elétricos ainda não é muito grande. É preciso expandir a autonomia e as infraestruturas de carga, e tornar o preço por comparação aos veículos de combustão mais atrativo.

Carsharing: acessibilidade sem preocupações

Prefere conduzir em vez de ser conduzido e as suas deslocações incluem várias pequenas paragens? Nessas situações, o carsharing é a solução mais óbvia. O carsharing — aluguer de viaturas por um curto período de tempo, sem fidelizações ou mensalidades fixas — tem ganho adeptos em Portugal. O utilizador paga um valor por minuto pelo aluguer, e o preço inclui o custo do seguro, do estacionamento, e do combustível. O fator acessibilidade também justifica a sua popularidade: as viaturas podem ser recolhidas e entregues em qualquer sítio.

Com o objetivo de reduzir o uso excessivo do carro e a quantidade de automóveis em circulação nas estradas, baixando as emissões de dióxido de carbono, este serviço permite complementar as deslocações dentro da cidade. Este conceito tem vindo a ganhar utilizadores em Portugal, principalmente nas grandes cidades. Uma das principais razões é a possibilidade de poupar.

Muitas das plataformas a atuar neste espaço em Portugal estão condicionadas pelo impacto da covid-19. Se quer experimentar, a Emov by Free2Move Carsharing é uma opção. A vantagem é a despreocupação que esta opção traz: não tem de se preocupar se o carro tem ou não combustível ou com parquímetros. Usa, estaciona e pronto. A balança poderá pender ainda mais para o uso destas soluções se os operadores de carsharing introduzirem nas suas frotas mais carros elétricos. Esta opção poderia impulsionar a transição para os veículos elétricos para quem pondera essa hipótese mas quer testar, ou para quem, não podendo adquirir um veículo elétrico, tenha na sustentabilidade uma das suas preocupações.

O futuro da mobilidade é verde

No que toca à mobilidade, o futuro chegou. São inúmeras as opções sustentáveis de mobilidade: só tem de encontrar a solução ou combinação de soluções que mais se adequa às suas necessidades diárias de transporte. E se é verdade que a evolução técnologica nos tem presenteado com melhores e mais inovadoras soluções, a verdade é que ainda temos muito caminho pela frente. A revolução da mobilidade verde não se faz apenas de tecnologia. As pessoas são essenciais, e mudar mentalidades — individual e coletivamente — é indispensável.

Evitar demonizar os adeptos das novas modalidades de mobilidade e garantir que todos têm direito a circular, reforçando a boa vontade entre todos os que partilham as vias. Retirar ao carro o estatuto de rei da cidade e desenhar cidades onde se privilegie andar a pé, de bicicleta e de transportes públicos, face a usar o transporte individual.

Reforçar a infraestrutura ciclável e prever locais para o estacionamento seguro de bicicletas, trotinetes e motas elétricas. Garantir que os transportes públicos permitem o transporte destes complementos ou que existe estacionamento adequado para as mesmas. Só desta forma será possível conjugar as novas soluções de mobilidade com a rede de transportes públicos.