Notícias

Hepatite C: cada tratamento com sofosbuvir custa 48 mil euros

20 janeiro 2015 Arquivado
tratamento_hepatitec

20 janeiro 2015 Arquivado

Só os doentes mais graves estão a ter acesso ao sofosbuvir, o novo medicamento para tratar a hepatite C, que eleva a taxa de cura para perto dos 90 por cento. O valor inicialmente pedido pela farmacêutica é incomportável para o Serviço Nacional de Saúde. Saiba como evitar a doença.

Início

Quarenta e oito mil euros foi quanto a Gilead Sciences pediu inicialmente a Portugal por cada tratamento para a hepatite C com sofosbuvir. Este antivírico de ação direta apresenta dados de estudos clínicos bastante promissores no tratamento da doença, quando combinado com outros medicamentos, atingindo taxas de cura definitiva que rondam os 90 por cento.

O sofosbuvir é tomado oralmente durante 12 a 24 semana, combinado de várias formas com a terapêutica convencional. Mas os € 48 mil referem-se apenas ao valor do medicamento. Por outras palavras, o tratamento completo (que inclui outros medicamentos) ultrapassa esse valor. O preço pedido não permite ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) assegurar a comparticipação a todos os que precisam. São escolhidos doentes prioritários, em função do risco de mortalidade e de progressão da doença. Entretanto, o Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde) aguarda uma nova proposta da farmacêutica.

Em Portugal, há mais de 12 mil doentes diagnosticados com a infeção pelo vírus da hepatite C (VHC). Estima-se mesmo que o número de infetados ultrapasse os 100 mil. Este é um vírus recentemente conhecido (só foi identificado em 1989) e, por não causar sintomas nas primeiras fases de evolução da doença, dificilmente é detetado em toda a população infetada.

Tempo de tratamento reduzido para metade
A hepatite C é uma inflamação do fígado provocada pelo VHC. Quando crónica, pode conduzir à cirrose, insuficiência hepática e cancro. A novidade introduzida pelos antivíricos de ação direta foi a interferência no ciclo replicativo do vírus, anulando o seu efeito multiplicativo e, logo, impedindo o agravamento da doença. Reduz também o tempo do tratamento (sem o sofosbuvir, a terapêutica convencional prolonga-se por 48 semanas) e o risco de cancro do fígado, um dos mais mortais.

O Infarmed reconhece a eficácia e até a relação custo-benefício do sofosbuvir. Mas o SNS apenas o comparticipa em casos excecionais, em função do risco de mortalidade e de progressão da doença. Entre os doentes prioritários estão os que padecem de cirrose hepática ou com o funcionamento do fígado claramente comprometido, prevendo-se que o tratamento contribua significativamente para a sobrevivência e para o aumento da qualidade de vida.

Os pedidos de autorização excecional para utilização do sofosbuvir são da responsabilidade do médico que acompanha o doente. Cabe ao Infarmed dar ou não luz verde ao processo. Cada decisão demora, em média, 19 dias, depois de esclarecidas todas as questões processuais junto do hospital que fez o pedido. Até ao final de 2014, 91% das solicitações tinham sido aprovadas. Setenta doentes puderam usufruir do novo medicamento.