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Farmácias vendem antibióticos para cão sem receita

25 maio 2017
Venda de antibióticos sem receita para animais

25 maio 2017
Pedimos um antibiótico para o cão em 100 farmácias portuguesas, sem apresentar receita do veterinário, e conseguimos comprá-lo em 38. Esta prática potencia o uso desnecessário destes medicamentos, que favorece o aparecimento de bactérias resistentes, com impacto também na saúde humana.
 

“Tenho um cão que, na última semana, tem tossido muito. No passado, o veterinário receitou-lhe Actidox para uma tosse parecida”. Esta foi a situação que expusemos em 100 farmácias nacionais escolhidas de forma aleatória. Em 34 venderam-nos o antibiótico sem a necessária prescrição médica. Noutras quatro, perguntaram se iríamos entregar a receita mais tarde. Respondemos que não era essa a nossa intenção, mas venderam na mesma.

Nas restantes 62 farmácias visitadas, não conseguimos comprar o medicamento pretendido. A maioria informou que se tratava de um antibiótico e, como tal, não poderia ser vendido sem receita médica.

O melhor seria consultar o veterinário, disseram. Esta é a atitude correta e a mais responsável. Além de ilegal, a venda de antibióticos sem prescrição médica permite o uso indevido e mostra um ponto de fuga no sistema.

Estes medicamentos são cruciais para tratar infeções, mas, em excesso, promovem o desenvolvimento de resistências. Durante as últimas décadas, estudámos várias vertentes da utilização destes fármacos, denunciámos situações e contribuímos para algumas soluções. Esperamos que o mesmo suceda desta vez. A Ordem dos Farmacêuticos reconheceu o problema e diz já estar a trabalhar, com a Ordem dos Veterinários, em medidas para o ultrapassar. “Não se trata de falta de conhecimento da legislação [por parte dos farmacêuticos], nem da importância da saúde animal e da sua influência na saúde humana... mas a sensibilização sobre a medicina veterinária ainda não existe há muito tempo”, explica Ana Paula Martins, bastonária daquela Ordem.