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Aspen Pharma investigada por suspeita de impor preços

19 maio 2017
Saiba porque é que as farmacêuticas dificultam o acesso aos medicamentos.

19 maio 2017
A Comissão Europeia vai investigar as práticas comerciais da Aspen Pharma em 30 países. A farmacêutica já tinha sido multada em Itália, em 2016, por ter aumentado o preço de medicamentos anticancerígenos até 1500 por cento.

O caso dos medicamentos para a Hepatite C

Também o acesso aos medicamentos para a hepatite C tem sido prejudicado por estratégias semelhantes. O medicamento com sofosbuvir tem uma taxa de cura que ronda os 90% e marcou uma mudança importante para os doentes com hepatite C. Segundo a Organização mundial da Saúde (OMS), a infeção com este vírus mata cerca de 700 mil pessoas por ano. Afeta sobretudo os toxicodependentes que usam drogas injetáveis e os portadores de VIH/SIDA.

 

 Sofosbuvir: a história por detrás do aumento disparado do preço deste medicamento inovador contra a hepatite C. 

 

Uma prática comum

A atuação da Gilead reflete uma estratégia moldada por questões financeiras. Não se pode dizer que o mercado das farmacêuticas é livre, porque está muito protegido através das patentes e dos dados exclusivos.

Os Governos investem em bens públicos, como a ciência, o desenvolvimento tecnológico e medicamentos para grupos vulneráveis que de outra forma não poderiam aceder-lhes. Recompensar os investidores privados pelos avanços que conseguem e financiam faz sentido. Mas o elevadíssimo preço dos medicamentos inovadores e a compra de ações próprias levantam questões sobre a forma como os riscos e recompensas estão a ser divididos.

A solução poderá passar por dar aos sistemas de saúde maior poder de negociação dos preços e modelos de pagamento, pela criação de limites à compra de ações próprias e pelo teste de alternativas para encorajar e recompensar a investigação e desenvolvimento de medicamentos verdadeiramente inovadores.

Fonte: Betting on hepatitis C: How financial speculation in drug development influences access to medicines, de Victor Roy e Lawrence King. Publicado no British Medical Journal em julho de 2016.