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As vacinas contra a covid-19 alteram o ADN?

O rápido aparecimento de vacinas contra a covid-19 trouxe desinformação e vários receios. Um deles, falso, é que as vacinas de mRNA alteram o ADN humano. Saiba como funcionam.

  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Sofia Frazoa e Alda Mota
17 dezembro 2020
  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Sofia Frazoa e Alda Mota
Enfermeiro a dar vacina de mARN contra a covid-19 a uma mulher.

iStock

Desde o início da pandemia, a comunidade científica internacional convergiu esforços para o desenvolvimento rápido, seguro e eficaz de vacinas contra a covid-19. Com a rapidez da resposta surgiram medos que se foram espalhando pelas redes sociais e pela opinião pública. Um dos receios, infundado, é a possibilidade de as vacinas de mRNA (material genético do vírus Sars-CoV-2) alterarem o ADN de quem as recebe.

A modificação genética envolveria a inserção deliberada de ADN estranho no núcleo de uma célula humana. As vacinas não o fazem. O mRNA das vacinas não se integra no núcleo celular, pelo que não se trata de modificação genética. Se as células se dividirem, incluirão apenas o seu ADN natural.

Como funcionam as vacinas de mRNA?

As vacinas “treinam” o sistema imunitário para reconhecer a parte causadora da doença de um vírus e reagir quando se encontrar com o vírus funcional. Tradicionalmente, as vacinas contêm vírus enfraquecidos ou proteínas de assinatura purificadas do vírus.

Uma vacina mRNA é diferente. Em vez de se injetar a proteína viral, uma pessoa recebe material genético que codifica a proteína viral. Quando estas instruções genéticas são injetadas na parte superior do braço, as células musculares traduzem esse mRNA para produzir a proteína viral diretamente no corpo.

Esta abordagem imita o que o SARS-CoV-2 faz na natureza, mas o mRNA da vacina codifica apenas para o fragmento crítico da proteína viral (proteína Spike). Isto dá ao sistema imunitário uma visão prévia de como é o verdadeiro vírus sem causar doenças. Esta pré-visualização confere ao sistema imunitário tempo para conceber anticorpos que podem neutralizar o vírus real se o indivíduo alguma vez for infetado.

 
Fonte: BBC/Nature, novembro de 2020 (adapt.).

Embora o mRNA sintético das vacinas seja material genético, não pode ser transmitido à geração seguinte. Após uma injecção de mRNA, esta molécula guia a produção de proteína dentro das células musculares, que atinge níveis máximos durante 24 a 48 horas e que pode durar mais alguns dias.

O desenvolvimento e a rápida disponibilização a nível mundial de vacinas seguras e eficazes são elementos essenciais para o controlo da pandemia.

A capacidade de uma vacina contra a covid-19 prevenir doença grave, hospitalização e morte corresponde ao mais importante indicador de efetividade da vacinação, especialmente pela pressão imposta nos sistemas de saúde.

A Agência Europeia do Medicamento (EMA) encontra-se, neste momento, a avaliar a segurança e a eficácia de quatro vacinas contra a covid-19. A EMA anunciou recentemente a previsão de conclusão da avaliação a duas vacinas, desenvolvidas e fabricadas pela BioNTech/Pfizer e pela Moderna, entre a penúltima semana de 2020 e as duas primeiras semanas de 2021. As duas vacinas em causa usam esta tecnologia de mRNA e apresentam resultados promissores: eficácia de, aproximadamente, 95 por cento.

 

 

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