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Ansiedade e insónias: benzodiazepinas a mais

Televisão e telemóvel fora do quarto

Para o nosso cenário, a terapia cognitiva comportamental, que inclui, entre outros, mudanças de hábitos de sono, deve ser a primeira abordagem, apesar de proporcionar resultados mais demorados. É o que dizem, por exemplo, as Normas Europeias para o Diagnóstico e Tratamento das Insónias. Mas, entre o ideal e o possível, muitas vezes, a realidade obriga-nos a ficar com o segundo. Portugal sofre de uma carência deste tipo de terapia no setor público e, no privado, as consultas podem ser caras e nem sempre estão cobertas por seguros de saúde. Mas, se tais condicionantes podem justificar a prescrição de medicamentos pelos médicos visitados, não invalidam que devessem ter insistido mais na investigação e adaptação do estilo de vida. E que tivessem mencionado a possibilidade do recurso à terapia cognitiva comportamental. Boas práticas relacionadas com a higiene do sono até foram referidas em 22 das 32 consultas, mas apenas três médicos consideraram prematuro avançar para os fármacos.

E a prescrição é desaconselhável? Embora não seja considerada uma opção desajustada, dado o risco de dependência das benzodiazepinas, em casos pouco graves o melhor é atacar primeiro com outras armas. Claro que, por vezes, o indivíduo não pode esperar que a mudança de hábitos produza resultados: tem de dormir. Nessas situações, os medicamentos serão sempre necessários, mas é preciso tratar também a causa subjacente.

Há, contudo, regras a seguir, para diminuir os riscos de dependência. E nem todos os fármacos são uma boa solução. Dos 32 médicos consultados, 14 indicaram benzodiazepinas na receita. Estamos a falar de substâncias como o alprazolam, o lorazepam ou o diazepam, que, entre outros, têm efeitos sedativos e relaxantes, e que são uma opção adequada, desde que a toma não se prolongue para além de quatro semanas seguidas, com desabituação incluída.

Alguns antidepressivos sedativos também podem ser usados em insónias de curta duração. Mas anti-histamínicos, contra as alergias, e antipsicóticos, indicados para psicoses como a esquizofrenia, duas categorias de fármacos que também têm poder sedativo, não são recomendados, por não haver estudos suficientes a atestar a sua eficácia nestas situações. Além disso, os antipsicóticos têm outros efeitos adversos muito inconvenientes, como apatia.

Quanto aos fármacos à base de melatonina, hormona que induz o sono, estão aprovados pela Agência Europeia do Medicamento e deram provas de eficácia em pacientes com insónia, mas só a partir dos 55 anos. Antes disso, não parece haver demonstração suficiente para justificar o respetivo uso. O mesmo acontece com os medicamentos à base de plantas (fitoterapia), igualmente com um nível de evidência reduzido.