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Ansiedade e insónias: benzodiazepinas a mais

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Portugal exagera nas benzodiazepinas, situação reconhecida pelas autoridades. Quisemos verificar como o problema é abordado no terreno e, mesmo face a insónias pouco graves, sem nenhuma doença associada, os médicos tendem a prescrever medicamentos. Algumas farmácias continuam a vender sem receita.

  • Dossiê técnico
  • Teresa Rodrigues
  • Texto
  • Inês Lourinho
05 setembro 2018
  • Dossiê técnico
  • Teresa Rodrigues
  • Texto
  • Inês Lourinho
ansiedade e insonias

iStock

"De vez em quando, tenho dificuldade em dormir e, ao acordar, parece que nem sequer descansei. Ando assim há algumas semanas. Porém, sempre que isto me acontece, continuo a desempenhar as minhas tarefas sem grandes problemas, e não fico muito irritado nem ansioso durante o dia. Mas, quando vou para a cama, tenho medo de o sono não vir”.

Um tal cenário, sem outras queixas, corresponde a uma insónia primária de curta duração. Segundo as melhores práticas, depois de colocar várias questões para apurar a situação, o médico deve propor mudanças nos hábitos relacionados com o sono, e só avançar para medicamentos numa segunda fase. Porém, nem sempre isso acontece, como se percebe pelos resultados do nosso estudo por cenário.

Instruímos os nossos colaboradores anónimos para repetirem um guião que abordasse os aspetos que configuram a insónia primária de curta duração. Depois, entre janeiro e maio de 2018, marcámos 32 consultas de psiquiatria e medicina geral e familiar em estabelecimentos privados das regiões de Bragança, Coimbra, Évora, Faro, Funchal, Guarda, Lisboa, Ponta Delgada e Porto. Destes 32 profissionais, 25 receitaram medicamentos, entre benzodiazepinas, antidepressivos, antipsicóticos e produtos à base de melatonina. Apenas três propuseram as alterações comportamentais como primeira abordagem.

Os nossos colaboradores deslocaram-se ainda a 73 farmácias das mesmas regiões e pediram uma embalagem de Xanax, para a qual não tinham receita. As queixas eram as mesmas. E, em 11 estabelecimentos, foi possível obter o comprimido para dormir sem receita.

Portugal encontra-se nos lugares cimeiros do consumo de benzodiazepinas, um problema que é reconhecido sem grandes rodeios pelas autoridades de saúde nacionais. Ficam, assim, caracterizadas algumas explicações.

ansiedade e insonias

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