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Resistência a antibióticos: problema de saúde pública a resolver

30 dezembro 2019
resistencia a antobioticos

As bactérias multirresistentes sobrevivem na presença de três ou mais antibióticos. Com grande capacidade de adaptação, resistem aos fármacos mais comuns.

Por que são tão resistentes?

O número de doentes infetados com bactérias que não cedem à ação dos antibióticos está a aumentar (em outubro de 2016, 30 pessoas ficaram infetadas com a bactéria Klebsiella e 3 acabaram por falecer no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho).

Alguns doentes não conseguem ser tratados adequadamente porque os microrganismos resistem a vários medicamentos a que, algum tempo antes, eram sensíveis. São as chamadas bactérias multirresistentes, que sobrevivem na presença de 3 ou mais antibióticos. Representam uma séria ameaça para a saúde humana e animal. Se não se travar o seu desenvolvimento, num futuro próximo, a medicina terá grande dificuldade em tratar as doenças bacterianas, por ineficácia dos medicamentos.

Portugal é dos países europeus com elevada taxa de resistência das bactérias Staphylococcus aureus, responsável por pneumonias, infeções no coração e nos ossos, e Enterococcus faecalis e faecium, que causam infeções urinárias e meningite, segundo o Centro Europeu de Controlo de Doença.

Estas bactérias resistentes têm uma grande capacidade de adaptação, por isso desenvolveram mecanismos de resistência aos fármacos de uso mais comum. Trata-se de uma espécie de escudo protetor que incorporam nos genes e transmitem às “bactérias filhas” e a algumas “vizinhas”, criando um “exército” de superbactérias. Assim, é preciso recorrer a tratamentos cada vez mais complexos ou desenvolver novos medicamentos.

Os fatores responsáveis pelo aparecimento e propagação destas bactérias são a toma excessiva de antibióticos pelos humanos e a utilização na veterinária, na agropecuária e na tecnologia industrial. O aumento na movimentação de pessoas e na circulação de alimentos e matérias-primas para a produção alimentar nos diferentes países é outra das fontes.

Restringir o uso de antibióticos às situações em que são indispensáveis é um passo crucial para travar o problema. Para isso, é preciso cumprir as regras de prescrição e aplicação destes fármacos ao Homem. Nas explorações pecuárias, agrícolas e de aquicultura só devem ser utilizados para fins terapêuticos.

A descoberta de novos fármacos tem igualmente sido abordada, mas, apesar de necessária, não resolve a situação. Além de o processo de investigação ser demorado, há que contar com a grande capacidade de adaptação dos microrganismos.

A solução é difícil e exige um trabalho conjunto e sincronizado das várias entidades responsáveis ao nível mundial. Nos últimos anos, a União Europeia tem assumido a liderança na limitação do uso de antibióticos na produção animal e agrícola. Vários países europeus, incluindo Portugal, já criaram sistemas de vigilância de resistência aos antibióticos. A DECO, através dos seus testes, tem contribuído.

Além disso, têm sido colocadas em prática diversas estratégias, como campanhas e vídeos sobre a resistência aos antibióticos, apelos da Organização Mundial da Saúde à lavagem das mãos e à vacinação (para limitar a transmissão de infeções), a instituição do Dia Europeu do Antibiótico, a 18 de novembro, e a sensibilização para a prescrição e toma racional destes medicamentos.