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Resistência a antibióticos: problema de saúde pública a resolver

18 novembro 2016
grafico medicamentos

As bactérias multirresistentes sobrevivem na presença de três ou mais antibióticos. Com grande capacidade de adaptação, resistem aos fármacos mais comuns.

Por que são tão resistentes?

O número de doentes infetados com bactérias que não cedem à ação dos antibióticos está a aumentar (em outubro de 2016, 30 pessoas ficaram infetadas com a bactéria Klebsiella e 3 acabaram por falecer no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho).

Alguns doentes não conseguem ser tratados adequadamente porque os microrganismos resistem a vários medicamentos a que, algum tempo antes, eram sensíveis. São as chamadas bactérias multirresistentes, que sobrevivem na presença de 3 ou mais antibióticos. Representam uma séria ameaça para a saúde humana e animal. Se não se travar o seu desenvolvimento, num futuro próximo, a medicina terá grande dificuldade em tratar as doenças bacterianas, por ineficácia dos medicamentos.

Portugal é dos países europeus com elevada taxa de resistência das bactérias Staphylococcus aureus, responsável por pneumonias, infeções no coração e nos ossos, e Enterococcus faecalis e faecium, que causam infeções urinárias e meningite, segundo o Centro Europeu de Controlo de Doença.

Estas bactérias resistentes têm uma grande capacidade de adaptação, por isso desenvolveram mecanismos de resistência aos fármacos de uso mais comum. Trata-se de uma espécie de escudo protetor que incorporam nos genes e transmitem às “bactérias filhas” e a algumas “vizinhas”, criando um “exército” de superbactérias. Assim, é preciso recorrer a tratamentos cada vez mais complexos ou desenvolver novos medicamentos.

Os fatores responsáveis pelo aparecimento e propagação destas bactérias são a toma excessiva de antibióticos pelos humanos e a utilização na veterinária, na agropecuária e na tecnologia industrial. O aumento na movimentação de pessoas e na circulação de alimentos e matérias-primas para a produção alimentar nos diferentes países é outra das fontes.

Restringir o uso de antibióticos às situações em que são indispensáveis é um passo crucial para travar o problema. Para isso, é preciso cumprir as regras de prescrição e aplicação destes fármacos ao Homem. Nas explorações pecuárias, agrícolas e de aquicultura só devem ser utilizados para fins terapêuticos.

A descoberta de novos fármacos tem igualmente sido abordada, mas, apesar de necessária, não resolve a situação. Além de o processo de investigação ser demorado, há que contar com a grande capacidade de adaptação dos microrganismos.

A solução é difícil e exige um trabalho conjunto e sincronizado das várias entidades responsáveis ao nível mundial. Nos últimos anos, a União Europeia tem assumido a liderança na limitação do uso de antibióticos na produção animal e agrícola. Vários países europeus, incluindo Portugal, já criaram sistemas de vigilância de resistência aos antibióticos. A DECO, através dos seus testes, tem contribuído.

Além disso, têm sido colocadas em prática diversas estratégias, como campanhas e vídeos sobre a resistência aos antibióticos, apelos da Organização Mundial da Saúde à lavagem das mãos e à vacinação (para limitar a transmissão de infeções), a instituição do Dia Europeu do Antibiótico, a 18 de novembro, e a sensibilização para a prescrição e toma racional destes medicamentos.