Dossiês

Resistência a antibióticos: problema de saúde pública a resolver

Os antibióticos na agropecuária, água e solos

Na produção agropecuária, as vacinas e as boas práticas de higiene ajudam a prevenir doenças, diminuindo a necessidade de tratamentos com antibióticos e, consequentemente, a população de bactérias resistentes.

O que podem fazer as autoridades? Fiscalizar práticas de boa higiene na produção alimentar; controlar o processo de produção “do prado ao prato”; sensibilizar todos os intervenientes na cadeia de produção e comercialização com formação; incentivar a investigação de novos medicamentos e ampliar programas de monitorização de resistência aos antimicrobianos. Atualmente, só existe para a salmonela em aves de capoeira e em produtos alimentares de origem animal.

Em casa, é possível evitar uma intoxicação alimentar e não ingerir bactérias resistentes provenientes dos alimentos:

  • lave as mãos antes de mexer em alimentos;
  • lave bem os alimentos para eliminar grande parte dos microrganismos nocivos. A fruta e os legumes merecem mais cuidado, em particular se forem consumidos crus;
  • a maioria dos microrganismos morre a 70ºC. Se cozinhar bem os alimentos, elimina o risco. Em caso de reaproveitamento de sobras, certifique-se de que todas as partes ficam quentes;
  • manipule os alimentos em separado para evitar a chamada contaminação cruzada. Por exemplo, ao arranjar o frango, lave bem as mãos, os instrumentos e as superfícies utilizados antes de manusear os legumes, o peixe ou outra carne.

Água e solos contaminados

Os antibióticos, tal como os restantes produtos farmacêuticos e substâncias hormonais, são descarregados nas águas residuais. Logo, vão aparecer nos rios e albufeiras, muitos dos quais são fontes da água para consumo humano. Estes poluentes prejudicam a estrutura e a função dos ecossistemas aquáticos, incluindo os biofilmes (algas, bactérias e fungos), que têm um papel essencial na degradação da matéria orgânica presente na água e no fundo dos rios.

A ingestão contínua de água com antibióticos pode levar a que os indivíduos se tornem resistentes à sua ação. Contudo, a atual lei sobre a qualidade da água para consumo humano não inclui a pesquisa e a quantificação de produtos farmacêuticos e hormonas esteroides, usados na medicina humana e veterinária.

A falta de um rastreio nacional invalida a caracterização da água que consumimos e a delineação de medidas de ação ou de prevenção, mas existem pistas nesse sentido. Defendemos que é preciso reduzir a carga de antibióticos libertados para o ambiente e alargar o leque das substâncias prioritárias a controlar com regularidade.