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Resistência a antibióticos: problema de saúde pública a resolver

30 dezembro 2019
resistencia a antobioticos

O desenvolvimento de resistências é um fenómeno natural nas bactérias, acelerado quando se insiste em tomar antibióticos desnecessariamente.

Antibióticos na medida certa

Os antibióticos são medicamentos que matam as bactérias ou inibem a sua reprodução, o que permite ao nosso organismo destruir os microrganismos. Por isso, estão indicados para tratar infeções bacterianas.

O desenvolvimento de resistências é um fenómeno natural nas bactérias. Este é acelerado quando se insiste em tomar antibióticos desnecessariamente, como perante uma dor de garganta simulada, sem sinais de infeção bacteriana.

Veja a reportagem sobre o problema da resistência dos antibióticos.

Gripes e constipações não se curam com antibióticos

Um tratamento feito com a duração e as doses erradas ou não indicado para a doença também facilita a adaptação e a reprodução de bactérias mais insensíveis. Tal pode prolongar a duração da doença, aumentar as visitas ao médico e os internamentos em hospitais e até os custos do tratamento para o utente e/ou o Estado. Portanto, os antibióticos reservam-se para as situações indispensáveis.

Lembre-se de que este fármaco não resolve infeções por vírus, como as gripes e constipações. Na maioria das vezes, as inflamações da garganta são causadas por vírus, mas também podem ser desencadeadas por bactérias. Por isso, o uso do antibiótico nestas situações é, muitas vezes, desnecessário. Nalguns casos, pode justificar-se como prevenção secundária. Por exemplo, quando há outra doença ou o sistema imunitário é fraco.

O utente pode contribuir para a prevenção:

  • tome apenas o que lhe é receitado, respeitando as doses, o intervalo entre as tomas e a duração do tratamento. Os medicamentos usados por outros utentes podem não ser adequados;
  • não pressione o médico a receitar antibióticos;
  • entregue as sobras de fármacos na farmácia para proteção do meio ambiente;
  • combata a gripe e a constipação com repouso, muitos líquidos, analgésicos para a febre e dores (paracetamol, por exemplo).

Evitar infeções nos hospitais é fundamental

As bactérias resistentes espalham-se rapidamente em ambientes confinados. Por exemplo, em hospitais, centros de saúde e geriátricos.

As infeções após 48 horas de internamento em hospitais, chamadas nosocomiais, contribuem para o aparecimento de bactérias resistentes. Em Portugal, afetam 1 em cada 12 utentes internados, o que é muito superior à taxa europeia (5,7 por cento). O número de profissionais de saúde dedicados ao controlo destas infeções é inferior à média europeia, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

A principal via de transmissão é o contacto direto entre quem transporta o micróbio e quem está mais suscetível de contrair a infeção. Esta situação aumenta o risco de complicações médicas e até a duração dos internamentos. As mãos mal lavadas dos profissionais são o entrave ao controlo das infeções hospitalares. Certos microorganismos sobrevivem em objetos (agulhas, batas, luvas), pelo que a esterilização dos utensílios deve ser rigorosa.

Os profissionais de saúde contribuem para a prevenção com:

  • boas práticas, como lavar sempre e bem as mãos, usar luvas e respeitar as rotinas de esterilização e de desinfeção de equipamentos e superfícies;
  • a limitação do contacto entre doentes;
  • alertas às visitas sobre a importância de cobrir a boca e o nariz com o antebraço ou um lenço de papel quando tossem ou espirram.