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Guia de primeiros socorros para tratar feridas

Alguns produtos antisséticos com iodopovidona, como Betadine ou Septil, ou com clorohexidina, como Hibitane, podem ser úteis em feridas extensas ou sujas, pois ajudam a eliminar microrganismos que podem causar infeções.

  • Dossiê técnico
  • Cristina Cabrita
  • Texto
  • Laís Castro
29 agosto 2018
  • Dossiê técnico
  • Cristina Cabrita
  • Texto
  • Laís Castro
Mãe a aplicar antissético numa ferida do filho

iStock

Se não for tratada, uma simples ferida pode funcionar como porta de entrada de microrganismos nocivos. Estes podem chegar aos tecidos, multiplicar-se e produzir infeções, caso as defesas do nosso organismo não impeçam a sua ação.

Quatro passos para evitar complicações

  1. Limpe imediatamente a lesão. Até pode usar água da torneira. Se esta for própria para consumo, é tão eficaz quanto o soro fisiológico - e mais barata.
  2. As feridas ligeiras não precisam de cuidados de maior. Basta lavar com água, remover a sujidade e os tecidos mortos e proteger com um penso. Um ambiente ligeiramente húmido é o ideal para a cicatrização, já que cria condições favoráveis à atividade das células e dos elementos que permitem a reconstrução dos tecidos.
  3. Nas feridas extensas ou sujas, pode aplicar um antissético após a lavagem. Os mais recomendados são a iodopovidona e a clorohexidina, que atuam contra múltiplos microrganismos e não interferem no processo de cicatrização. As investigações apontam a iodopovidona (presente no Betadine e Septil) como a substância mais eficaz, seguindo-se a clorohexidina (presente no Hibitane). Ambas são vendidas em várias formas farmacêuticas, como , pomada, creme ou solução. Não use mais do que um antissético na mesma ocasião. Os produtos podem interagir, aumentando o risco de efeitos adversos, como irritabilidade da pele.
  4. Ao colocar o antissético, evite o contacto do frasco com a ferida, para prevenir contaminações. Não retire a crosta formada sobre a lesão. Esta protege a ferida e controla a hemorragia.

 

Antisséticos recomendados para tratar feridas

antisseticos

Os antisséticos à base de iodopovidona e a clorohexidina são os mais recomendados, pois atuam contra múltiplos microrganismos e parecem não interferir no processo de cicatrização.

 

Antisséticos: sim ou não?

A utilização de antisséticos em feridas abertas, como queimaduras e lacerações, é controversa, sobretudo porque existem poucos estudos sobre a sua eficácia e segurança em condições reais de utilização. 

Quando recorremos a estas substâncias, pretendemos eliminar os microrganismos nefastos ou reduzir a sua multiplicação. O problema é que estes produtos têm uma ação pouco específica: atacam qualquer tecido vivo, incluindo células humanas essenciais para a cicatrização. Este é o principal argumento dos que se opõem ao uso. Referem ainda que alguns produtos são ineficazes quando há matéria orgânica, como sangue e pus. Contudo, a toxicidade foi maioritariamente verificada em laboratório (estudos in vitro), não em situações reais. Os ensaios clínicos revelam que grande parte não interfere na cicatrização.

Outros especialistas defendem que não usar um antissético atrasa a cura, uma vez que os microrganismos produzem substâncias capazes de manter ou aumentar a inflamação. As bactérias também competem com as células do organismo por nutrientes e oxigénio, que são necessários para a cicatrização. Ao usar um antissético, reduz a quantidade destes microrganismos e cria condições mais favoráveis à reconstrução dos tecidos. Outro argumento a favor é serem preferíveis aos antibióticos, por não criarem resistências.

Cuidados com outras substâncias  

Use com cuidado as seguintes substâncias, à venda em farmácias e parafarmácias:

  • água oxigenada, que é ineficaz a prevenir e controlar infeções; serve para limpar a zona e remover os tecidos mortos; pode ser usada para desinfetar superfícies;
  • cetrimida, pois o raio de ação é limitado, ou seja, combate menos microrganismos do que outros antisséticos;
  • hipoclorito de sódio, uma substância muito irritante e que perde eficácia na presença de matéria orgânica, como sangue ou pus; pode ser usado para limpar a lesão, embora existam produtos mais seguros;
  • nitrato de prata que, apesar de eficaz, pode causar manchas na pele e tornar-se tóxico, se usado durante longos períodos.

Não utilize:

  • álcool, pois é contraindicado em feridas abertas, seca e irrita a pele e não é eficaz na presença de matéria orgânica;
  • permanganato de potássio, uma substância vendida em cristais para preparar; se houver erro de doseamento por excesso, a solução pode tornar-se tóxica;
  • violeta de genciana que, apesar de eficaz contra algumas bactérias, não deve ser usada em feridas, pois pode ter efeitos cancerígenos.

Consulte rapidamente o médico se a ferida:

  • for larga ou profunda (pode precisar de pontos);
  • apresentar sinais de infeção - como calor, inchaço, vermelhidão ou pus - por mais de 3 dias;
  • provocar febre ou a dor aumentar;
  • tiver hemorragia e não conseguir estancá-la;
  • foi causada por uma mordedura.

 

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