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Como tratar feridas

08 julho 2015
antisseticos

08 julho 2015

Apesar da falta de consenso quanto ao seu uso, alguns antisséticos, como o Betadine ou o Septil, podem ser úteis em feridas extensas ou sujas, pois ajudam a eliminar microrganismos que podem causar infeções.

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A ferida é uma porta aberta para a entrada de microrganismos nocivos. Estes podem chegar aos tecidos, multiplicar-se e produzir infeções, se as nossas defesas não impedirem a sua ação. Para evitar complicações, é importante limpar imediatamente a lesão. Se a água da torneira for própria para consumo, é tão eficaz quanto o soro fisiológico - e mais barata.

Em lesões extensas ou sujas, pode aplicar um antissético após a lavagem. Os mais recomendados são a iodopovidona e a clorohexidina: atuam contra múltiplos microrganismos e parecem não interferir no processo de cicatrização. As investigações apontam a iodopovidona (presente no Betadine, Ectodine e Septil) como a substância mais eficaz, seguindo-se a clorohexidina (presente no Hibitane). Ambas são vendidas em várias formas farmacêuticas, como pó, pomada ou solução.

No entanto, a utilização de antisséticos em feridas abertas, como queimaduras e lacerações, é controversa, sobretudo porque existem poucos estudos sobre a sua eficácia e segurança em condições reais de utilização.

Debate acesso sobre a utilização de produtos para a cicatrização
Quando recorremos a antisséticos, pretendemos eliminar os microrganismos nefastos ou reduzir a sua multiplicação. O problema é que estes produtos têm uma ação pouco específica: atacam qualquer tecido vivo, incluindo células humanas essenciais para a cicatrização. Este é o principal argumento dos que se opõem ao uso. Referem ainda que alguns produtos são ineficazes quando há matéria orgânica, como sangue e pus. Contudo, a toxicidade foi maioritariamente verificada em laboratório (estudos in vitro), não em situações reais. Os ensaios clínicos revelam que grande parte não interfere na cicatrização.

Outros especialistas defendem que não usar um antissético atrasa a cura, uma vez que os microrganismos produzem substâncias capazes de manter ou aumentar a inflamação. As bactérias também competem com as células do organismo por nutrientes e oxigénio, que são necessários para a cicatrização. Ao usar um antissético, reduz a quantidade destes microrganismos e cria condições mais favoráveis à reconstrução dos tecidos. Outro argumento a favor é serem preferíveis aos antibióticos, por não criarem resistências.


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