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Urgências: reclame se esperou demais no hospital

23 julho 2015

23 julho 2015

Verifique se esperou mais do que o recomendado pelo protocolo de Manchester, com a atribuição de pulseiras de cores. Os dados são anónimos e enviados às autoridades em situações fora do normal. Segundo o Observatório dos Sistemas de Saúde, a falta de resposta nas urgências é um dos problemas nesta área.

Em Urgências hospitalares: esperei demais?, os utentes podem saber se foram atendidos dentro dos tempos recomendados pelo protocolo de triagem de Manchester, usado na maioria dos estabelecimentos. Os dados vão permitir detetar problemas e pressionar as autoridades para melhorar o serviço.

Baseado em critérios acordados ao nível internacional, este protocolo permite avaliar o risco clínico do utente e atribuir um grau de prioridade, através de uma cor de pulseira, que vai do vermelho (situações de emergência, que exigem atendimento imediato) ao azul (identifica as situações não urgentes, cuja espera se admite até 240 minutos, ou seja, 4 horas). Quando não existe pulseira, também se utiliza a referência dos tempos recomendados por Manchester e, mesmo que não se saiba o nível de prioridade, considera-se 240 minutos o tempo máximo para atendimento. 

Os prazos recomendados pelo protocolo servem como referência para as urgências hospitalares, mas não estão previstos na lei. A situação é diferente para as consultas nos centros de saúde, primeiras consultas da especialidade no hospital, cirurgias, cateterismo cardíaco ou pacemaker. Nesses casos, existem tempos de resposta definidos legalmente para o Sistema Nacional de Saúde. Se não forem respeitados, é possível apresentar uma reclamação.

Para ajudar os utentes a reivindicar os seus direitos, no início do ano lançámos uma ferramenta sobre os tempos de espera na saúde, que permite verificar se o prazo legal para o utente obter o cuidado de saúde já se esgotou e, em caso afirmativo, usar a nossa carta-tipo para reclamar.

Já 3 064 utentes simularam. Em 22% dos casos, os dados inseridos pelos utentes indiciam que o tempo de espera previsto na lei não foi respeitado. Foi nos hospitais que ocorreu a maioria destas situações, 17 por cento. As unidades de saúde familiar e os centros de saúde falharam em 5% dos casos. A primeira consulta da especialidade e as cirurgias não oncológicas foram os cuidados mais visados, com incumprimentos em 43% e 25% dos casos, respetivamente.

De salientar ainda que mais de 80% dos utentes não sabiam o seu nível de prioridade, nem lhes foi dada uma estimativa do tempo de espera para serem atendidos. Essas informações são essenciais para garantirem que obtêm melhor acesso aos cuidados de saúde dentro dos prazos legais.

Observatório aponta falhas do Serviço Nacional de Saúde
As nossas ferramentas online foram criadas para ajudar os utentes a tirarem o melhor partido possível de um Sistema Nacional de Saúde que sofre de várias patologias. 

A falta de capacidade dos serviços de urgência e de camas na rede de cuidados continuados e integrados estão entre as preocupações reveladas pelo Observatório dos Sistemas de Saúde, no Relatório da Primavera 2015. Este organismo recomenda a reorganização dos recursos de modo a responder às necessidades nos picos de afluência já identificados nas urgências. Por exemplo, na altura da gripe ou de ondas de calor. Aconselha ainda o reforço da assistência na área da saúde a idosos em lares e nos serviços de urgência, e o alargamento da rede de cuidados continuados e integrados.

Segundo o relatório, o aumento do número de camas da rede nacional de cuidados continuados integrados não chegam para as necessidades, e são necessárias mais equipas de cuidados na comunidade. Atualmente, a rede responde a menos de 30% dos que dela precisam.


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