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Serviços de urgência: hospitais absorvem faltas de centros de saúde

22 setembro 2014

22 setembro 2014

Grande parte dos portugueses recorre às urgências hospitalares por falta de resposta dos cuidados de saúde primários, revela o nosso inquérito a mais de três mil portugueses.

Quase metade dos doentes que recorreram às urgências hospitalares no último ano fê-lo por não conseguir atendimento nos centros de saúde. Em 2009, altura em que realizámos o último estudo, apenas um quarto dos inquiridos evocou motivos idênticos para recorrer ao hospital. Nessa altura, quatro em cada 10 utentes que precisaram de uma consulta urgente foram atendidos no centro de saúde. Na presente investigação, apenas dois em cada 10 seguiram os mesmos passos.

A convicção de que existem melhores condições de tratamento e de que os profissionais são mais eficientes, por estarem mais habituados a lidar com situações graves, foram outras razões indicadas pelos utentes inquiridos para preferirem o hospital.

O problema de saúde apresentado nem sempre seria grave. A avaliar pelas conclusões dos serviços de triagem hospitalar, quatro em cada 10 utentes não precisariam de um atendimento na hora, tendo recebido pulseira azul ou verde. Globalmente, só 13% estariam em situação crítica, a necessitar de cuidados imediatos ou quase imediatos (pulseira vermelha ou laranja). Grande parte dos utentes considerou adequada a cor da pulseira que lhes foi atribuída. A maior proporção de discordantes encontra-se nos casos catalogados como menos urgentes: 35% dos que receberam pulseira azul e 28%, no caso da verde.

Espera do costume
O tempo médio de espera para ser atendido pelo médico aumentou ligeiramente face a 2009, passando de 55 para 62 minutos nos cuidados de saúde primários, e de 70 para 72 minutos no hospital. Nos serviços de urgência privados, os inquiridos afirmaram ter esperado menos de metade do tempo, o que estará relacionado com a menor afluência de doentes, devido ao custo das consultas.

Por região, Lisboa e Vale do Tejo destaca-se pela negativa ao nível dos cuidados de saúde primários, com uma espera média de 82 minutos, não se registando diferenças significativas entre as restantes regiões. No âmbito do hospital, a distinção é positiva e vai para o Alentejo, onde os utentes aguardam, em média, 56 minutos para serem vistos pelo médico.

Consumidor prevenido
Cerca de metade dos inquiridos utilizou os serviços de urgência no ano anterior ao nosso inquérito e mais 12% tê-lo-ia feito se tivesse dinheiro para pagar a taxa moderadora. Em contrapartida, talvez por falta de informação ou por falta de hábito, apenas 16% telefonaram para a Linha Saúde 24 (808 24 24 24) para obter ajuda. A função dos profissionais de saúde desta linha é precisamente ajudar a resolver problemas agudos menos graves e encaminhar os utentes para os serviços adequados. Por isso, convém telefonar para aquela linha antes de se dirigir às urgências. Se a situação exigir que o paciente seja visto por um médico, os profissionais encaminham-no.

Este estudo baseou-se nas respostas de 3556 portugueses a um questionário por nós enviado em outubro de 2013. Contemplámos uma amostra da população portuguesa, estratificada por sexo, idade e região. As respostas foram ainda ajustadas de acordo com as habilitações literárias dos inquiridos.