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Saúde: DECO apela à proximidade dos serviços

15 maio 2012 Arquivado

15 maio 2012 Arquivado

Cuidados partilhados, consultas da especialidade nos centros de saúde e aposta clara nas tecnologias da informação são os caminhos propostos pela DECO para garantir o acesso dos portugueses à saúde.

“O utente dos cuidados de saúde tem de transformar-se num verdadeiro consumidor dos serviços prestados, conhecedor dos seus direitos e capaz de exigir qualidade”, afirmou Ana Fialho, dirigente da DECO, na conferência Saúde & Consumidores, organizada por aquela associação a 10 maio, no Instituto de Ciências Sociais e Políticas, em Lisboa.

A participação da sociedade civil, como as autarquias e associações, na definição das políticas e estratégias de saúde é essencial para defender os interesses dos cidadãos enquanto consumidores de cuidados. Estas organizações têm maior conhecimento das necessidades reais da população e da melhor forma de as satisfazer.

Saúde ao serviço dos cidadãos
Os serviços de saúde devem organizar-se de forma a responder a estas necessidades, numa ótica de proximidade. Os cuidados partilhados entre o hospital e os centros de saúde, que poderão resultar na oferta de consultas da especialidade nos cuidados de saúde primários, são uma das soluções apontadas. A DECO defende a proximidade entre os profissionais dos cuidados primários e diferenciados (hospitalares), de modo a responder de forma efetiva e atempada às necessidades dos consumidores.

As tecnologias da informação jogam aqui um papel importante. O Ministério da Saúde deve garantir a interoperabilidade dos sistemas informáticos, através plataformas economicamente sustentáveis, de modo a promover a informação e a comunicação entre os vários prestadores. Desta forma, promove a qualidade dos cuidados, já que os profissionais atuam na posse de toda a informação, e pode diminuir os custos, evitando, por exemplo, a duplicação de exames médicos.

Lidar com a crise
A crise económica e a diminuição do rendimento das famílias aumentam a pressão sobre os serviços de saúde. Medidas recentes, como o aumento das taxas moderadoras e a alteração das regras relativas à isenção podem afastar os cidadãos dos serviços de saúde: “têm-nos chegado relatos de associados que prescindem de cuidados de saúde devido a problemas económicos”, explica Ana Fialho.

“Esta questão preocupa a associação, dada a importância que atribuímos à saúde preventiva”, reforça a dirigente. Por isso, a DECO insiste, por exemplo, na revisão dos critérios de isenção por insuficiência económica, de forma a ter em conta o número de elementos do agregado familiar.

A conferência contou ainda com a participação de Villaverde Cabral, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa, que defendeu a realização de estudos sobre a equidade na saúde no contexto da crise. A última investigação nesta área, de 2008, indicava dois problemas no acesso ao cuidados: as listas de espera para consultas de especialidade e cirurgias e a dificuldade em aceder a cuidados menos comparticipados pelo Estado.

Alcindo Maciel Barbosa, da Unidade Local de Saúde do Alto Minho, apontou o voluntariado como boa alternativa para satisfazer algumas necessidades, sobretudo relacionadas com a crise e o isolamento de alguns grupos, como os idosos. Já Margarida Filipe, da Unidade Local de Saúde de Matosinhos, vê na melhoria da gestão de recursos técnicos e humanos uma forma de oferecer cuidados de qualidade sem acréscimo de custos.

Ana Rita Pedro, da Escola Nacional de Saúde Pública, apresenta os sistemas de informação centrados no cidadão como elemento essencial da gestão da saúde, tanto para prestação de serviços como para os utentes. Estes sistemas podem ainda ser um instrumento importante de capacitação dos utilizadores, através de ferramentas que lhes permitem controlar os cuidados ou fornecendo caminhos para obter conhecimentos de saúde validados.