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Médico de família e paciente: boa comunicação não é a regra

Médicos e doentes juntos há mais de dez anos

O médico de família propõe-se cuidar do indivíduo no contexto da sua família, comunidade e cultura, respeitando a sua autonomia. Ao contrário do que acontece noutros países, em Portugal, o médico de família reconhece ter uma responsabilidade para com a comunidade. De resto, para 70% dos profissionais inquiridos, o médico de família deve ser sempre a porta de entrada do paciente no sistema de saúde.

Mas esta relação de mediação e de proximidade, que à partida implicaria um melhor conhecimento mútuo (aliás, 43% dos inquiridos têm o mesmo médico há mais de uma década), nem sempre é temperada com uma boa comunicação. Apurámos que 22% dos pacientes nunca definem ou organizam as queixas para ajudar a conduzir a consulta e que 43% nunca tiram notas das recomendações do médico, comportamentos que podem potenciar os erros na execução do tratamento. 

A transparência para com o médico, revelando eventuais terapias que estejam a ser seguidas em paralelo ou o recurso à automedicação, também não é a regra. Apenas um em cada quatro informa sempre o médico sobre outros tratamentos. E são menos de metade aqueles que referem sempre os medicamentos que estão a tomar sem que lhes tenham sido prescritos. Outra situação que os médicos não parecem apreciar é que os doentes vagueiem pela net antes da consulta em busca de informação, algo que só 17% pensam ser útil.

Para 14% dos pacientes, as recomendações do médico são sagradas, pelo que nunca as põem em causa. Mais: 42% nunca mostram abertamente quando discordam do profissional de saúde. Por outro lado, queixam-se de que os médicos não os envolvem no tratamento e não compreendem os seus sentimentos. Só 13% dizem ser chamados a discutir as opções da terapia e 9% consideram que são compreendidos. 

É verdade que quase metade dos profissionais até confessam que gostariam de dedicar mais tempo aos doentes. Mas têm uma agenda bem preenchida: seis em cada dez atendem mais de 20 pacientes por dia, sendo que, para dois em dez, o número é superior a trinta.

O que os médicos pensam ser útil que os pacientes façam

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 O que os doentes realmente fazem

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