Notícias

Doces e outros pecados na vending machine do hospital

28 julho 2017
alimentos em máquinas de venda automática

28 julho 2017
Mais de metade das máquinas de venda automática de alimentos em estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde ainda vendia em maio produtos proibidos por lei. 
É o resultado de uma pesquisa que efetuámos no terreno, dois meses depois da data-limite dada pelo Governo para que fossem retirados destas máquinas produtos como gomas, chupas, rebuçados, chocolates em embalagens superiores a 50 g, sobremesas, refeições rápidas, refrigerantes e bebidas com álcool, entre outros.

Alguns destes alimentos ainda se encontravam em 36 das 61 máquinas que analisámos. A lei que os proíbe entrou em vigor em setembro de 2016 e previa um período de transição para os fornecedores até março de 2017. Neste estudo, em 25 estabelecimentos de saúde, as máquinas já cumpriam integralmente a lei, pois não encontrámos produtos proibidos, no momento da nossa visita.

Como fizemos o nosso estudo

Para o nosso estudo visitámos anonimamente hospitais, centros de saúde e unidades de saúde familiar, de norte a sul do País e fomos ver quais os produtos disponíveis nas máquinas de venda automática. Foram observadas 61 destas máquinas e, num questionário, registados os produtos disponíveis para venda aos consumidores. Verificámos apenas uma máquina por estabelecimento de saúde.

Lei deve ser alargada a escolas

A lei autoriza, entre outros produtos, a venda de leite simples, iogurtes, pão com queijo, fiambre, carne, ou atum, sumos de fruta e néctares e fruta fresca. Na altura da nossa visita, todas as máquinas dispensavam pelo menos um destes produtos, a que se somava a água, cuja presença nos escaparates é obrigatória.

Apoiamos a iniciativa, mas o governo legislou de forma incoerente neste caso. A lei aplica-se a estabelecimentos de saúde, mas consideramos que devia ser alargada a outras instituições, nomeadamente às escolas. Além disso, permite a presença, por exemplo, de chocolates em embalagens inferiores a 50 gramas, quando algumas apresentam valores nutricionais de açúcar e gordura superiores aos estabelecidos para outras categorias (como bolachas e biscoitos).

Também encontrámos produtos de pastelaria que nos deixaram na dúvida quanto ao item onde se podem encaixar na lei (salame de chocolate ou bolo de cenoura, por exemplo). Consideramos que a forma como a lei foi definida não facilita a sua implementação, como se verifica pelos resultados do nosso estudo. Defendemos a existência de uma lista positiva, com os produtos permitidos, acompanhada dos valores máximos de lípidos e de hidratos de carbono. E que inclua também valores de sal, que na atual legislação não é tido em conta. Essa lista deve ser atualizada com regularidade.

Imprimir Enviar por e-mail