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Dependência do jogo: serviço público já tem respostas

01 julho 2015

Alguns médicos de família vão aprender a diagnosticar a dependência do jogo. Prevê-se que este apoio esteja disponível no final de 2015.

Formação está a ser projetada

O papel do SICAD é elaborar a formação dos médicos de família?
Sim. Não podem ser disponibilizadas consultas de diagnóstico precoce sem os profissionais estarem capacitados. Estou convencida de que até ao final de 2015 os profissionais que selecionarmos para a formação já estarão a pôr esse conhecimento em prática, porque estamos a elaborar o currículo da formação.

A área da dependência do jogo também é nova para vós. Onde vão buscar o conhecimento?
Há uma base de conhecimento comum a todos os comportamentos aditivos, mas vamos aprender o que é específico do jogo com especialistas de outros países onde existem centros especializados na dependência do jogo. Recentemente estivemos em Barcelona e em junho vamos visitar outro em Londres. Vamos também saber como é que a rede de referenciação foi construída nestes países. Temos de aprender com os outros, porque a prática é importante. Para estarmos bem preparados, vamos contar com a ajuda, experiência e conhecimento da Universidade Católica e do professor Henrique Lopes e do seu centro de investigação; da Santa Casa da Misericórdia, de vários intervenientes da área do Turismo e do Ministério da Economia, entre outros.

E depois de concluírem o currículo da formação?
Vamos selecionar os médicos de família mais vocacionados para esta tarefa e ensinar-lhes tudo o que precisam. A seguir, dentro da rede que já existe para as outras dependências, vão ser feitas as devidas adaptações e será decidido quais dos profissionais entretanto habilitados poderão começar a receber especificamente estes doentes. Temos refletido sobre isso e, provavelmente, começará nas regiões com casinos, como Lisboa, Póvoa de Varzim e Figueira da Foz. Por exemplo, nas unidades de saúde familiar e nas unidades de intervenção local nesta área específica dos comportamentos aditivos e dependências. Mas é preciso avaliar a disponibilidade dos serviços e de recursos. Estamos convencidos de que assim que começar a haver oferta no SNS, começará a existir procura. E se na prática isso se verificar, este apoio terá de ser muito mais alargado.

Mas, no início, a ajuda pode estar muito dispersa...
Quando um doente se desloca a um serviço e os profissionais identificam uma situação que necessita de um cuidado específico que não há ali é referenciado para a unidade mais próxima com esta especialização. Mas é um facto que a consulta mais próxima pode ser muito distante e até pode desmotivar a pessoa a procurar ajuda.