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Dependência do jogo: serviço público já tem respostas

01 julho 2015

01 julho 2015

Alguns médicos de família vão aprender a diagnosticar a dependência do jogo. Prevê-se que este apoio esteja disponível no final de 2015.

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O Serviço Nacional de Saúde (SNS) vai acompanhar os dependentes do jogo. Formar alguns médicos de família para o diagnóstico dos sinais desta dependência é o primeiro passo. Caberá a estes profissionais fazer o rastreio e encaminhar para os centros especializados. O Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) está a organizar o currículo da formação, com a ajuda de especialistas que trabalham diariamente com dependentes do jogo em centros especializados de Barcelona e de Londres. 

O jogo patológico é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como uma perturbação dos hábitos e dos impulsos, segundo a Classificação Internacional de Doenças. Há pelo menos 16 mil viciados em jogos a dinheiro em Portugal e mais de 400 mil jogadores de risco, de acordo com um estudo de Henrique Lopes, investigador da Universidade Católica, de 2009. O número de jogadores mais novos está a aumentar devido ao acesso a jogos a dinheiro na Internet: dos jogadores de risco, 1500 têm menos de 25 anos.

Graça Vilar, diretora de serviços de planeamento e intervenção do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências, explica-nos o que está a ser feito neste momento na área da saúde e o que fica para um futuro próximo.

Graça Vilar, diretora de serviços de planeamento e intervenção do SICAD.
Graça Vilar, diretora de serviços de planeamento e intervenção do SICAD.

Como vai funcionar o acompanhamento médico da dependência do jogo no Serviço Nacional de Saúde?
De preferência, os cuidados de saúde primários vão ser a porta de entrada do dependente do jogo. A rede de referenciação e articulação será a mesma que existe para os comportamentos aditivos e dependências com substância [álcool, droga e tabaco].

Ou seja, a pessoa vai ao seu médico de família como iria noutra situação de saúde?
Correto. Mas o profissional de saúde tem de estar capacitado para fazer o diagnóstico. Poderá estar devido à sua experiência profissional, mas tem de se formar para ser capaz de diagnosticar e encaminhar. Se, agora, for ao centro de saúde, provavelmente ninguém lhe perguntará se tem dependência do jogo, porque isso não está definido na prática clínica. É importante conduzir a conversa nesse sentido, porque as pessoas muitas vezes não contam...

Mas a ida espontânea ao médico de família pressupõe que a pessoa admite ter uma dependência e quer ajuda...
Há várias possibilidades: a pessoa procura ajuda por sua iniciativa; os familiares pedem ajuda por ela ou o médico deteta o problema durante uma consulta de saúde familiar marcada por outro motivo.

Em regra, a pessoa tende a negar. Acha que consegue controlar a situação: se quiser deixar de jogar, deixa. Mas não controla nada se o problema já estiver instalado, muito menos se tiver chegado à fase de dependência. Pode até fazer tentativas para recuperar dinheiro. Muitas vezes, é a família desesperada quem pede ajuda ao enfermeiro e ao médico, porque a situação em casa está gravíssima. 

Normalmente, estas pessoas não têm só problemas só com o jogo. Podem abusar do álcool ou fumar. Consequentemente, quer num caso quer noutro, acabam por ter problemas orgânicos e, por essa razão, vão ao médico. Especialmente neste caso é muito importante que os profissionais estejam capacitados para perceber e identificar a dependência e sejam capazes de ajudar a pessoa. Sem experiência, pode ser difícil. 



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