Dicas

Marcar consultas no centro de saúde pela net

Marcar consultas online e pedir medicação crónica na área do cidadão do Portal do SNS é prático, mas nem todos os serviços estão ligados. Alguns centros de saúde “esquecem-se” de indicar as vagas de consultas.

  • Dossiê técnico
  • Joana Almeida
  • Texto
  • Fátima Ramos
28 novembro 2019
  • Dossiê técnico
  • Joana Almeida
  • Texto
  • Fátima Ramos
mulher na cama doente a aceder a serviços de saúde no tablet

iStock

A digitalização dos serviços públicos veio para ficar e a saúde não foge à regra. Na área do cidadão do Portal do SNS, tem acesso a uma série de funcionalidades, que, correndo bem, facilitam bastante a vida aos utentes, em particular aos doentes crónicos: evitam deslocações desnecessárias e perdas de tempo.

Aceder ao Registo de Saúde Eletrónico 

Para aceder aos seus dados, isto é, ao seu Registo de Saúde Eletrónico, terá de autenticar-se, o que significa provar que é o real dono daqueles dados. Pode ser feito com o cartão do cidadão, se tiver um leitor de cartões, ou através da chave móvel digital.

Feito o login, surgem-lhe os dados pessoais que constam no Registo Nacional de Utentes: nome, morada e número de utente, entre outros. A fase seguinte é definir as autorizações, ou seja, indicar, dentro das possibilidades previstas, quem pode ter acesso aos seus dados. Trata-se de uma área essencial para o consumidor, uma vez que está a abrir a porta a informações sensíveis.

Se o utente o permitir, o sistema envia-lhe uma notificação de cada vez que alguém entra no seu Registo de Saúde Eletrónico. Em caso de acesso indevido, deve informar, de imediato, a instituição a que pertence o profissional e os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde.

O facto de o utente não autorizar a consulta dos seus dados, por exemplo, aos profissionais do setor privado não significa que estes não tenham acesso para registo de informação - ou seja, não podem consultar, mas o que escrevem fica visível.

Consultas e exames médicos

O Registo de Saúde Eletrónico (RSE) reúne a informação relativa à saúde de cada cidadão. Trata se de uma espécie de processo clínico alargado, com várias ramificações, onde é possível aceder, por exemplo, ao boletim de vacinas e a dados registados por profissionais de saúde de várias entidades públicas e privadas, que prestam cuidados de saúde e têm sistemas informáticos compatíveis com o usado pelo Ministério da Saúde. O próprio utente pode incluir alguma informação, como alergias e medicamentos que toma, para consulta posterior pelos profissionais de saúde.

O RSE permite marcar consultas nos cuidados de saúde primários, onde se incluem as Unidades de Saúde Familiar e as Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados: basta autenticar-se, clicar em "consultas, receitas e exames", depois, em "marcações" e "marcar consulta". Esta operação só é possível se a unidade de saúde a que pertence carregar, mensalmente, as vagas disponíveis, o que, por vezes, não acontece. As consultas nos hospitais, por norma, não podem ser marcadas pelo utente. Este só pode consultar a agenda.

Os utentes referenciados como doentes crónicos pelo médico de família podem pedir a prescrição dos medicamentos que tomam habitualmente, devido a uma doença prolongada. A receita eletrónica é válida por 30 dias ou seis meses (receita renovável), os mesmos prazos das prescrições feitas em consultório. Para obter o medicamento na farmácia, basta apresentar o cartão do cidadão.

Os resultados dos exames médicos realizados no Serviço Nacional de Saúde também constam do RSE, em "consultas, receitas e exames".  Cerca de metade das entidades privadas que realizam estes exames, incluindo as convencionadas com o Serviço Nacional de Saúde, pode aceder às prescrições e dar acesso aos resultados. Os restantes ainda não dispõem de sistemas informáticos compatíveis.

A plataforma permite ainda obter declarações de presença e uma cópia do certificado de incapacidade temporária (“baixa médica”), por exemplo, para enviar para a entidade patronal.

Promoção de autocuidados

Ainda em fase experimental, o plano individual de cuidados permite desenhar intervenções individuais, por exemplo, ao nível alimentar, de atividade física e do sono. Por exemplo, numa consulta, médico e doente definem e registam o plano e, a partir daí, podem interagir via eletrónica: o doente indica se está a cumprir e como se sente, podendo até fazer registos de peso, tensão arterial e atividade física ou outros; o médico acompanha e pode ir ajustando as recomendações. É uma boa ajuda para autogestão da saúde e tem potencial para aumentar a literacia dos utentes nesta área. É uma ferramenta útil para quem tem múltiplos problemas, mas também funciona na promoção de hábitos saudáveis e na prevenção da doença.

 

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