Dicas

Cuidar de um doente em casa

26 março 2015
Cuidar de um doente em casa

26 março 2015

Quem sofre de uma doença incurável e progressiva, como cancro e demência, prefere ser tratado em casa. Pesquisámos o preço de muletas e outro material e ajudamos os cuidadores a lidar com a doença.

Controlar a dor

A dor é influenciada por vários fatores: psicológicos, sociais e até espirituais. Revolta, aborrecimento, insónia, cansaço, ansiedade, sofrimento, medo, depressão, isolamento social, desconforto e desconhecimento da situação aumentam a sensação de dor. Pelo contrário, a aceitação, a autonomia, o sono de qualidade, a atividade criativa, o relaxamento, o companheirismo, a compreensão e a informação diminuem esta sensação.

Para controlar a dor, há que começar com o analgésico mais fraco que seja eficaz (por exemplo, o paracetamol ou um anti-inflamatório não esteroide, como o ibuprofeno ou o diclofenac), na forma mais adequada às caractetísticas do doente e administrado pela via que este suportar. Se não resultar, o segundo passo é um opioide fraco, como o tramadol e, por fim, um opioide forte, caso da morfina. 

Alguns dispositivos permitem administrar o fármaco de forma contínua ao longo de um período, por exemplo, de 24 horas. Outra possibilidade é aplicar um adesivo com analgésicos. Certas substâncias para a dor forte são administradas desta forma. Quando há recurso aos opiáceos, devem ser combinados antieméticos e laxantes, para evitar, por um lado, as náuseas e, por outro, a prisão de ventre.

A família pode ajudar o doente dando-lhe analgésicos regularmente para evitar que a dor regresse. Anotar as instruções dos profissionais de saúde pode ajudar. Existem ainda outras formas de diminuir a dor, como o apoio emocional, as massagens e as técnicas de distração, como ouvir música ou imaginar um cenário agradável. De acordo com a respetiva crença, há quem sinta alívio ao rezar.

Nos últimos dias de vida, por vezes, o doente é encaminhado para o hospital, onde recebe a chamada sedação paliativa, acompanhada da supressão da hidratação e da alimentação intravenosa (soro). Destina-se a colocar a pessoa num estado de inconsciência, para evitar, entre outros, espasmos musculares, dores nos ossos, dificuldades respiratórias graves e sentimentos como medo, apreensão e nervosismo. Esta sedação é uma forma de reduzir o sofrimento: embora possa ter como efeito a redução da vida do doente, o objetivo não é terminá-la. Há, no entanto, quem argumente que se trata de uma forma de eutanásia. Mas não é o caso. Conhecida como duplo efeito, é aceite entre a comunidade médica e ratificada pela nossa Ordem dos Médicos.

A administração de um medicamento com efeitos secundários negativos pode ser considerada ética, desde que envolva o melhor interesse do doente e essas consequências indesejáveis não sejam intencionais. Pelo contrário, na eutanásia existe uma intenção explícita de terminar a vida para aliviar o sofrimento, seja através de um fármaco ou da supressão de um tratamento. Outro conceito é o suicídio assistido por um médico, que corresponde ao ato de auxiliar alguém a pôr um fim à vida através do fornecimento de uma substância letal. A eutanásia é permitida em países como a Bélgica, a Holanda e o Luxemburgo, enquanto o suicídio assistido é legal nos anteriores e, por exemplo, no Canadá e na Suíça. Em Portugal, ambas as práticas são punidas como crimes.