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Treinos online: atenção ao praticante deixa a desejar

Experimentámos nove sessões de exercício físico online. No geral, o plano das aulas não merece reparos técnicos, mas nem sempre o profissional faz a avaliação da condição física do praticante.

  • Dossiê técnico
  • Teresa Rodrigues
  • Texto
  • Fátima Ramos
29 março 2021
  • Dossiê técnico
  • Teresa Rodrigues
  • Texto
  • Fátima Ramos
Mulher jovem a fazem exercício físico em casa, em frente a um computador

iStock

Se o praticante não pode ir ao ginásio, o ginásio vai a casa do praticante. No último ano, o confinamento obrigou os profissionais do exercício a contornar as trancas da pandemia e a abrir novas portas à atividade. Multiplicaram se as propostas online, com ofertas para todos os gostos: sessões gratuitas, pagas, gravadas, em direto, individuais, de grupo… E esta não é realidade apenas nacional. De acordo com a avaliação da American College of Sports Medicine, associação que inclui profissionais ligados ao desporto e à medicina de vários países, o exercício online encabeça a lista de tendências para 2021 (no ano passado, ocupava o sexto lugar).

100 EXERCÍCIOS PARA FICAR EM FORMA

Exercício físico em plataformas online

A atividade física é um pilar da saúde do corpo e da mente. Não é preciso, obviamente, recorrer ao ginásio para se tornar ou permanecer ativo, mas há quem encontre nas aulas a motivação certa para se mexer. Nesse caso, as sessões à distância podem ser uma solução, havendo ou não confinamento. Por isso, quisemos ter uma ideia sobre a forma como funcionam e os respetivos custos. Escolhemos nove plataformas com sessões em direto, individuais ou de grupo, e experimentámos uma aula em cada.

Os treinos não apresentam falhas técnicas ao nível da estruturação e execução dos exercícios, mas o acompanhamento do praticante, por vezes, deixa a desejar. Apenas em dois casos houve, por exemplo, uma avaliação prévia da nossa colaboradora: questionaram sobre os hábitos de exercício, se tinha limitações físicas e os objetivos que pretendia alcançar. Cinco profissionais não indicaram, à partida, a intensidade da sessão (nível iniciante, intermédio ou avançado) e o mesmo número omitiu explicações que permitiriam à nossa atleta perceber qual a dose de exercício (por exemplo, número de repetições) mais adequada para si. 

Guia para escolher treinos à distância

Se é dos que veem nas aulas uma motivação para praticar exercício físico e não pode ou não quer deslocar-se ao ginásio, as plataformas online podem ajudar. Deixamos algumas dicas para escolher e praticar em segurança.

  • Se sofre de algum problema de saúde, em particular doença cardíaca, metabólica (por exemplo, diabetes), pulmonar ou renal, fale com o médico antes de começar a prática do exercício.
  • Caso pretenda um treino com maior controlo do exercício que pratica, escolha aulas síncronas, em direto. Dê preferência a um serviço que permita experimentar uma aula gratuita.
  • Antes de iniciar as sessões, os profissionais devem conhecer a condição física e o estado de saúde dos participantes, para poderem adequar o tipo e a intensidade do exercício. Prefira as plataformas que realizem esta avaliação prévia.
  • As plataformas que incluem o currículo dos profissionais revelam transparência. É importante que estes tenham formação adequada para a função.
  • Certifique-se de que o profissional consegue monitorizar a atividade através da sua câmara e de que pode comunicar com ele, por exemplo, se não perceber um exercício.
  • Questione o técnico sempre que surgirem dúvidas. Se tiver alguma dor, uma lesão musculoesquelética ou outro problema de saúde, não hesite em informá-lo.
  • Pratique exercício ajustado à sua condição física: por exemplo, não faça aulas de nível elevado, se não costuma treinar. Respeite as instruções dos profissionais.
  • Tente perceber como o corpo responde ao treino e evite sobrecargas exageradas ao início. É preferível aumentar a intensidade de forma progressiva.
  • Em casa, assegure-se de que tem espaço suficiente para fazer o exercício e sem objetos no chão, nos quais possa tropeçar. Se usar cadeiras ou bancos, coloque antiderrapante nos apoios ou encoste os a uma parede. Use calçado adequado (não pantufas).

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Como realizámos o estudo

Numa primeira fase, entre 15 de dezembro e 30 de janeiro últimos, introduzimos palavras-chave num motor de busca, como “aulas fitness”, “exercício online” e “treino personalizado”. Entre ginásios, clubes e personal trainers, por exemplo, encontrámos 51 possibilidades para treinos online. Escolhemos nove plataformas com sessões em direto (síncronas), com treino personalizado ou de grupo, que aceitavam novos praticantes. Optámos por não incluir aulas que só ficaram disponíveis no confinamento (a partir de 15 de janeiro), por não termos garantia de que o serviço se manteria.

Depois, uma colaboradora nossa, que não disse estar a trabalhar para a DECO PROTESTE, frequentou uma aula em cada plataforma e registou a experiência, seguindo um guião de critérios baseado em orientações da Organização Mundial da Saúde e do American College of Sports Medicine.

 

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