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Dor de burro é só para corredores principiantes?

27 julho 2016
dor de burro corrida

27 julho 2016
Poucos se poderão gabar de nunca terem sentido a chamada “dor de burro” durante uma corrida ou uma caminhada mais vigorosa.

Por vezes, descrita como “picada”, esta dor transitória no abdómen, abaixo das costelas, surge com maior frequência do lado direito, mas também pode despontar à esquerda ou de ambos os lados.

Por falta de investigação consistente nesta área, não se sabe qual a verdadeira causa do incómodo. A explicação que reúne maior consenso aponta para uma irritação do peritoneu parietal, que reveste as paredes abdominais e a cavidade onde se encontram os órgãos. Estes, por sua vez, são envolvidos pelo peritoneu visceral. Entre as duas partes (os chamados folhetos) do peritoneu, existe um líquido para aliviar a fricção entre ambas. Durante o exercício físico, as variações na pressão intra-abominal são maiores, podendo causar atrito entre as duas camadas e irritação.

Esta situação é mais frequente depois de comer ou beber, devido à contração e distensão dos órgãos envolvidos na digestão. O peritoneu tem ramificações nervosas, o que explica que, por vezes, a dor irradie para o ombro.

O problema pode afetar qualquer praticante, embora seja mais comum em atividades aeróbicas que envolvam grandes grupos musculares e movimentos repetitivos do tronco e com vibração. Atinge, por exemplo, três quartos dos nadadores, sete em cada dez corredores de fundo e meio-fundo e seis em cada dez praticantes de hipismo.

Prevenção e tratamento
  • O açúcar e as gorduras aumentam a probabilidade de “dor de burro”. Evite os alimentos ricos nestes nutrientes antes de praticar exercício. 
  • Não ingira bebidas ricas em sais minerais e açúcar (ditas hipertónicas) e evite comer, pelo menos, nas duas horas que antecedem a atividade.
  • Durante o esforço, beba água várias vezes, mas em pequena quantidade. Se ingerir um grande volume, o estômago dilata, aumentando o risco de dor.
  • Os praticantes com melhor condição física, em geral, apresentam menos queixas. 
  • Aumente a intensidade do treino gradualmente e pratique exercício com regularidade. Comece sempre pelo aquecimento, pois reduz a probabilidade de dor.
  • Se sentir incómodo na zona abdominal, pare, incline-se para a frente e pressione a área afetada, enquanto respira profunda e pausadamente. Pode fazê-lo em movimento, mas o alívio da dor é mais demorado.
  • Em alternativa, deite-se de costas e eleve a anca ou interrompa a atividade e retome-a mais tarde. Em geral, a dor é transitória e não indicia nenhum problema de saúde grave. Contudo, se persistir e não passar ao parar a atividade, convém consultar o médico.

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