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Uso medicinal da canábis com eficácia por provar

Eficácia por provar na dor e apetite

O uso medicinal da Cannabis sativa e seus canabinoides pode, de acordo com as investigações realizadas, ajudar no alívio de alguns sintomas em casos específicos. A dor crónica – a indicação mais pesquisada para o uso de canabinoides – é um deles. No entanto, os resultados dos estudos são contraditórios. Se alguns, como a revisão da publicação científica Journal of the American Medical Association (JAMA), sugerem que poderão ser benéficos em caso de dor crónica neuropática ou oncológica, outros revelam que os canabinoides não são mais eficazes do que a codeína (medicamento). Conclusão: são necessários mais estudos para apoiar o uso de canábis contra a dor crónica.

Há também quem alegue que melhora o apetite das pessoas com HIV/sida, resultando em ganho de peso, melhoria do humor e, consequentemente, da qualidade de vida. Mas os resultados não são unânimes. Uma revisão de estudos realizada pela Cochrane, organização independente que avalia e promove a medicina baseada na evidência, concluiu que não existem provas de eficácia e segurança para o uso de canábis nestas situações.

A JAMA também analisou estudos que avaliaram a estimulação do apetite com dronabinol (canabinoide sintético) em doentes com HIV/sida. Porém, os estudos revistos são pouco robustos.

Outra investigação comparou os efeitos de extrato de canábis, do tetrahidrocanabinol (THC) e de um placebo no apetite e na qualidade de vida de doentes oncológicos com anorexia ou caquexia (grande perda de peso) e não encontrou diferenças entre as três substâncias. Ou seja, as investigações são contraditórias e insuficientes para corroborar a eficácia do uso de canábis no aumento do apetite.

No controlo das náuseas e os vómitos associados à quimioterapia, os canabinoides parecem ter efeito. Após a análise de 23 estudos, a Cochrane revelou que podem ser uma opção terapêutica em doentes que não conseguem controlar estes sintomas com outros medicamentos.

O uso da canábis e dos seus canabinoides tem sido igualmente proposto para o tratamento de outras condições médicas, mas os estudos são limitados e apresentam resultados contraditórios.

Neste contexto, é preciso ter em conta que a maioria das investigações incide sobre os canabinoides e não sobre a planta completa. Ou seja, não contempla fatores, como o tipo de solo e a exposição solar, que influenciam as características da planta, nomeadamente, a quantidade de princípios ativos. No uso medicinal, a segurança, eficácia e qualidade dos canabinoides só poderá ser garantida quando usados em medicamentos.