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Trombocitopenia: o que é e como tratar

Geralmente assintomática, pode manifestar-se através de "nódoas negras" ou pequenos pontos vermelhos na pele. Saiba o que provoca a trombocitopenia e como deve ser tratada.

  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Rita Santos Ferreira e Alda Mota
10 agosto 2021
  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Rita Santos Ferreira e Alda Mota
Plaquetas sanguíneas

iStock

Existe um novo efeito secundário associado à vacina contra a covid-19 da Janssen. Trata-se da trombocitopenia, ou seja, a diminuição do número de plaquetas. Esta já constava das reações adversas da vacina da AstraZeneca. Não é considerada uma doença, mas sim uma diminuição do número de plaquetas, que pode ser devida a várias situações, mais ou menos graves. 

As plaquetas são células responsáveis pela coagulação do sangue, limitando hemorragias, cicatrizando lesões traumáticas, tais como feridas e cortes, e, ainda, combatendo certas patologias, como cancros e doenças crónicas.

Estas células, também conhecidas como trombócitos, são fragmentos de células da medula óssea, e têm oito a dez dias de vida na circulação sanguínea. Posteriormente, são destruídas no baço. São considerados níveis normais de plaquetas quando a contagem destas, através de uma análise a uma amostra de sangue, está entre os 150 mil e os 400 mil por microlitro de sangue.

A trombocitopenia acontece quando a contagem de plaquetas está abaixo do limite inferior. Pode ser:

  • leve – quando a contagem está entre 100 mil e 150 mil;
  • moderada – quando a contagem está entre 50 mil e 99 mil;
  • grave – quando a contagem está abaixo dos 50 mil.

No entanto, estes números devem ser interpretados por um profissional de saúde, tendo em conta o contexto de cada pessoa e os problemas que lhe estão associados.

Qual é a causa da trombocitopenia?

A trombocitopenia tem várias causas. Pode ser por:

  • alteração da medula óssea, com a diminuição dos megacariócitos (células produtoras de plaquetas), tal como acontece, por exemplo, na aplasia medular, por efeitos de quimioterapia ou da radioterapia;
  • infiltração da medula por células leucémicas ou em outras neoplasias;
  • aumento da destruição das plaquetas por anticorpos, como acontece, por exemplo, na trombocitopenia imune, em doenças autoimunes como o lúpus ou, ainda, com alguns medicamentos;
  • em situações mais raras de infeções graves ou em que há alterações da circulação.

Quais os sintomas e os tratamentos?

Apesar de, frequentemente, a trombocitopenia, por ser assintomática, só ser identificada por baixa contagem de plaquetas em exames de rotina, existem alguns sintomas e sinais que deve ter em conta.

  • petéquias (pequenos pontos vermelhos na pele);
  • púrpura (hematoma ou “nódoa negra”);
  • sangramento da mucosa.

 
Fonte: National Heart, Lung and Blood Institute, 2021.

O tratamento depende da causa. No caso de haver destruição por anticorpos (como é o caso da trombocitopenia imune), o tratamento inclui corticoides ou outros medicamentos imunossupressores. Por vezes, é utilizado um anticorpo monoclonal.

Em situações mais graves, como ocorre no tratamento de leucemias agudas, podem ser necessárias transfusões de plaquetas.

Como prevenir?

Normalmente, a trombocitopenia não pode ser prevenida. No entanto, existem comportamentos que podem evitar problemas de saúde associados à trombocitopenia, tais como, por exemplo:

  • evitar beber muito álcool, uma vez que este retarda a produção de plaquetas;
  • evitar o contacto com produtos químicos tóxicos, tais como pesticidas, arsénio e benzeno, sob pena de estes atrasarem a produção de plaquetas;
  • evitar medicamentos que provoquem a diminuição das plaquetas na correntes sanguínea. Há ainda medicamentos que podem aumentar o risco de sangramento, nomeadamente, a aspirina e o ibuprofeno, que tornam o sangue mais "fluido";
  • proteger-se de ferimentos que possam causar hematomas ou sangramentos.

Qual é a ligação entre a vacina contra a covid-19 da Janssen e o desenvolvimento de trombocitopenia?

O Comité de Avaliação de Risco de Farmacovigilância (PRAC) da EMA recomendou a inclusão da trombocitopenia imune como uma possível reação adversa à vacina contra a covid-19 da Janssen, bem como um aviso para alertar os profissionais de saúde e as pessoas a quem são administradas as vacinas sobre este possível efeito secundário.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e o Infarmed estão, ainda, a recomendar às pessoas que procurem de imediato um médico e informem as autoridades de saúde caso detetem um dos seguintes sintomas após a vacinação com esta vacina ou com a da AstraZeneca:

  • falta de ar;
  • dor no peito ou estômago;
  • inchaço ou frio nos braços ou pernas;
  • dor de cabeça intensa ou que se agrava ou visão turva;
  • hemorragia persistente;
  • múltiplos e pequenos hematomas, manchas avermelhadas ou arroxeadas ou vesículas com sangue sob a pele.

O que é a trombocitopenia imune?

A trombocitopenia imune é uma condição na qual o sistema imunológico ataca e destrói erroneamente as células sanguíneas chamadas plaquetas, necessárias para a coagulação normal do sangue. Não existem medidas que previnam o seu surgimento.

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