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Suicídio: entrevista a José Carlos Santos, da Associação Portuguesa de Suicidologia

06 janeiro 2012 Arquivado

06 janeiro 2012 Arquivado

O suicídio é uma decisão permanente para problemas transitórios. O apoio da família e amigos e a ajuda profissional são a chave para voltar a ver o mundo com cores vivas.

Prevenção, consultas e ajuda

Que tipo de ações promove o Estado ao nível da prevenção?
A prevenção é uma tarefa multifacetada e com diversos intervenientes. Não é exclusiva da saúde, mas esta tem um papel crucial. Portugal assinou o pacto Europeu de Saúde Mental em 2005 e considera a prevenção da depressão e do suicídio como uma das prioridades do Plano Nacional de Saúde Mental 2007-2016. Mas, quando falamos de medidas concretas, há dificuldade em identificá-las. Existem algumas intervenções em escolas do 3.º ciclo e secundário e consultas especializadas, nomeadamente nos hospitais de Santa Maria, Universidade de Coimbra, São Marcos (Braga), Beja, Portalegre e Guimarães. Se for promovido o diagnóstico precoce de doença mental e facilitada a acessibilidade aos cuidados de saúde, são aumentadas as medidas de suporte social e é possível prevenir comportamentos suicidários.

Qual o modelo de referenciação, no Serviço Nacional de Saúde, para consultas especializadas?
Antes das consultas especializadas, os técnicos dos centros de saúde, sobretudo médicos de família, mas também enfermeiros de família, podem ser importantes na identificação de problemas e encaminhamento para uma consulta de psiquiatria. Cabe ao médico de família tomar a decisão de acordo com a rede de referenciação nacional. No caso de as pessoas apresentarem vários fatores de risco para o suicídio ou já terem evidenciado este tipo de comportamentos, podem ser encaminhadas para consultas de prevenção. No geral, não têm lista de espera ou permitem um atendimento rápido.

Onde pode dirigir-se uma pessoa com depressão, em risco de suicídio?
Pode, desde logo, ligar para uma linha de apoio especializada, como a SOS Voz Amiga (213544545), a Escutar - Voz de Apoio (225506070), o Telefone da Amizade (228323535) ou a SOS Estudante (808200204), mantidas por voluntários que, sob o duplo anonimato do escutante e apelante, prestam um serviço a pessoas em crise e no combate ao isolamento. Disponíveis sobretudo à noite, estas linhas ajudam a refletir sobre soluções que, por vezes, sozinho, não é possível identificar.

Se a pessoa tiver um diagnóstico de depressão, com a identificação de sinais de risco, pode contactar o seu técnico de referência, para perceber a gravidade da situação e as medidas a tomar. Em situações mais graves, pode dirigir-se a um serviço de urgência (de preferência, com psiquiatria).