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Suicídio: entrevista a José Carlos Santos, da Associação Portuguesa de Suicidologia

06 janeiro 2012 Arquivado

06 janeiro 2012 Arquivado

O suicídio é uma decisão permanente para problemas transitórios. O apoio da família e amigos e a ajuda profissional são a chave para voltar a ver o mundo com cores vivas.

Comunicação social

Ao dar destaque a estas temáticas, a comunicação social pode gerar um impacto negativo junto de indivíduos em risco? Qual o papel que pode ou deve assumir para reforçar a prevenção?
A comunicação social tem um papel importante na forma como noticia os casos de suicídio. A ausência de rigor e a procura do sensacionalismo podem levar a uma repetição de comportamentos e, por essa via, a um aumento de suicídios. Por outro lado, uma informação rigorosa, criteriosa e pedagógica pode ajudar na prevenção, de tal forma que a Organização Mundial de Saúde elaborou um manual com indicações para os media. Posso destacar as seguintes recomendações:

  • dar conta do fenómeno promovendo a saúde pública;
  • rejeitar uma linguagem que motive ou apresente o suicídio como solução;
  • evitar o destaque a notícias sobre o suicídio;
  • não descrever os métodos de forma pormenorizada nem o local exato;
  • ter cuidado na divulgação de fotos ou vídeos acerca do suicida;
  • mostrar particular cuidado no caso de celebridades;
  • dar voz às pessoas em luto;
  • divulgar informação sobre locais de ajuda;
  • ter em atenção que também os profissionais dos media podem ser afetados pelo problema.

Resumidamente, a notícia deve restringir-se ao essencial, sem relatos de pormenores sobre o método ou ação desencadeada para o suicídio. Não deve idolatrar nem glorificar a pessoa em causa. Deve, isso sim, dar conta dos problemas que os sobreviventes em luto enfrentam: familiares, amigos, colegas de trabalho ou outros. O ideal é que alerte para soluções, não apresentando o suicídio como uma saída.