Notícias

Síndrome do Choque Tóxico: o que é e qual a ligação aos tampões

Os tampões não são o único factor de risco da doença, que afeta mulheres e homens. Feridas, queimaduras e varicela também estão relacionadas com a Síndrome do Choque Tóxico. Conheça os sintomas e saiba como se proteger.

12 janeiro 2018
Tampões não são o único fator de risco da Síndrome do Choque Tóxico

Thinkstock

A notícia de que a modelo Lauren Wasser terá de amputar a segunda perna, devido a uma infeção bacteriana que se suspeita ter sido provocada por um tampão, inundou as redes sociais no final de 2017. Em causa está a Síndrome do Choque Tóxico, doença que afetou a modelo há cinco anos e levou à amputação, na altura, da perna direita.

A Síndrome do Choque Tóxico, também conhecida por TSS (do inglês Toxic Shock Syndrome), é uma infeção bacteriana rara causada por Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes. Estas bactérias vivem normalmente sem causar danos na pele, nariz ou boca. Mas podem entrar no corpo através de feridas, queimaduras, da garganta ou da vagina. Quando isso acontece, invadem a corrente sanguínea e libertam toxinas. Estas podem causar inflamação e interferir com os processos que regulam a pressão sanguínea, provocando a sua queda para níveis perigosamente baixos. Isto pode provocar a falência de vários órgãos, afetando geralmente os rins. As toxinas também danificam os tecidos, incluindo a pele, músculos e órgãos.

Ainda não se compreendeu por completo o que provoca a doença, mas já foram identificados alguns fatores de risco. Nem todos estão relacionados com o uso de tampões e a doença não afeta exclusivamente mulheres em idade fértil. Estudos indicam que cerca de metade dos casos de TSS ocorre em mulheres menstruadas. Os demais 50% atingem mulheres mais velhas, homens e crianças.

Alguns fatores de risco da Síndrome do Choque Tóxico:

  • usar o tampão por muitas horas seguidas (recomenda-se que troque a cada 4 a 8 horas);
  • recorrer a contracetivos de barreira femininos, como o diafragma;
  • desenvolver uma infeção numa ferida após uma cirurgia;
  • ter uma infecção, por exemplo na pele, provocada por bactérias do tipo estafilococos ou estreptococos;
  • desenvolver uma infeção após o parto;
  • ter uma ferida na pele, como um corte ou uma queimadura;
  • ter tido varicela recentemente.

Febre súbita é um dos principais sintomas

A Síndrome do Choque Tóxico pode começar a dar sinais através de um súbito aumento da temperatura, com febre acima dos 39ºC. Nas horas seguintes surgem outros sintomas: 

  • sintomas semelhantes a uma gripe, como dor de cabeça e de garganta, dores musculares e tosse;
  • náuseas e vómitos;
  • desmaio ou sensação de desmaio;
  • tonturas ou sensação de confusão.

O corpo também pode desenvolver uma erupção cutânea generalizada, semelhante a uma queimadura solar. A zona branca dos olhos, os lábios e a língua ficam vermelhos.

Entre uma a duas semanas após o aparecimento da erupção cutânea, é normal a pele da palma das mãos e da sola dos pés começar a escamar ou a cair.

Quando procurar o médico

Se tiver febre súbita e um ou mais dos sintomas mencionados acima, procure logo o médico de família ou um serviço de urgência. É pouco provável que tenha TSS. Porém, os sintomas não devem ser ignorados.

Se estiver com um tampão, retire-o imediatamente e informe o médico. Avise-o também caso tenha sofrido uma queimadura ou ferimento na pele, ou se tiver alguma infeção cutânea.

Uma pessoa com TSS deve ser imediatamente admitida no hospital. A maioria dos doentes responde ao tratamento em poucos dias, mas a alta médica pode demorar várias semanas. É preciso tratar a infeção com uma combinação de antibióticos e apoiar todas as funções do corpo afetadas (com oxigénio, soro, diálise, entre outros tratamentos). 

Como se proteger

A melhor maneira de prevenir a TSS é tratar rapidamente as feridas. As mulheres devem ter particular atenção ao uso correto de tampões e de métodos de contraceção de barreira femininos.

Embora a relação entre a TSS e os tampões não seja clara, alguns estudos sugerem que a absorção dos tampões pode ser um dos fatores para o desenvolvimento da doença. Siga os nossos conselhos.

  • Prefira sempre o tampão com o menor grau de absorção e que melhor se adapte ao fluxo. Se usar tampões mais absorventes do que o necessário, poderá aumentar o risco de secura e úlceras vaginais.
  • Alterne a utilização de tampões com pensos higiénicos.
  • Lave as mãos antes e depois de colocar o tampão.
  • Mude de tampão a cada 4 a 8 horas.
  • À noite, coloque um tampão novo mesmo antes de se deitar e retire-o assim que acordar.
  • Não use tampões se já teve TSS.

Mitos à volta dos tampões

Virgindade
Algumas raparigas acreditam que, por serem virgens, não conseguem inserir um tampão. Não existe qualquer relação entre a virgindade e os tampões. Além disso, os tampões são bastante mais pequenos do que o tamanho médio do pénis, pelo que não há risco de perder a virgindade pelo uso de um tampão.

Dormir
Muitas mulheres acreditam que não podem usar tampões quando vai dormir, por causa do risco de TSS. Os tampões podem ser usados de forma segura até 8 horas, apesar de ser recomendado mudar a cada 4 a 8 horas. Quando usa um tampão durante a noite, deve colocar um novo mesmo antes de se deitar. Se acha que vai dormir muito mais que 8 horas, opte por um penso higiénico.

Sentir o tampão
Se for inserido de forma correta, não deverá sentir nada. Caso haja algum desconforto, é porque o tampão não foi colocado de forma correta ou não foi “empurrado” o suficiente.

Ficar preso ou perder-se no corpo
Algumas mulheres têm medo de que o tampão seja “empurrado” muito fundo na vagina e fique preso. Isso não é possível, pois o cervix (abertura da vagina para o útero) é do tamanho da cabeça de um fósforo. Ou seja, é demasiado pequeno para deixar passar um tampão ou para que este se perca no corpo.


Imprimir Enviar por e-mail