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SARS-CoV-2: o que são e qual o impacto das variantes do novo coronavírus

O que são, por onde andam e o que escondem as mutações do novo coronavírus? Saiba mais sobre a Ómicron, a nova variante “de preocupação” na mira da OMS.

  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Alda Mota
29 novembro 2021 Em atualização
  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Alda Mota
Estudo do coronavírus em laboratório

iStock

Inicialmente identificada na África do Sul e em alguns países da África Austral, a variante Ómicron está a inquietar a Europa, onde também já foram detetados alguns casos.  A multiplicação de novas variantes do SARS-CoV-2 pelo mundo, que se arrastam há meses, tem levantado dúvidas sobre se estas mutações poderão não só ser mais contagiosas como provocar doença severa e também afetar a eficácia das vacinas.

Como surgem e se detetam as variantes do SARS-CoV-2?

Os coronavírus (CoV) constituem uma grande família de vírus com o potencial de causar doenças respiratórias, que podem ir desde uma simples constipação a situações mais graves como a síndrome respiratória do Médio Oriente (MERS-CoV) e a síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV). Trata-se de doenças zoonóticas, ou seja, transmissíveis entre animais e pessoas. O SARS-CoV-2 (que provoca a covid-19) é uma nova estirpe que nunca tinha sido anteriormente identificada nos seres humanos. As novas variantes que se têm observado ao nível mundial são mutações do SARS-CoV-2.

As mutações dos vírus são comuns, em particular nos vírus de RNA – que têm ácido ribonucleico como material genético (como os coronavírus) –, e a maioria não tem impacto significativo. Contudo, algumas mutações podem proporcionar ao vírus uma vantagem em relação aos outros vírus que não sofreram essa mutação, tal como uma maior transmissibilidade. São estas mutações que geram preocupação e precisam de ser acompanhadas de perto. Além disso, quanto maior a transmissibilidade e a circulação do vírus, maior é a probabilidade de ocorrerem novas mutações.

Sequenciar o genoma de um vírus ajuda a entender o percurso da transmissão e o tempo em que ele está presente em determinada região ou país. Obter a sequenciação do genoma do SARS-CoV-2 – tarefa que em Portugal é assegurada por um programa do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, com a colaboração do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) – é essencial para o rápido rastreio dos vírus em circulação e a única forma de descobrir novas variantes, ajustar estratégias no sentido de tentar travar a disseminação do vírus e conter cadeias de transmissão das variantes de maior preocupação.

Variantes do SARS-CoV-2 identificadas em Portugal

Segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), existem no mundo variantes do SARS-CoV-2 com maior importância epidemiológica e clínica. Para evitar o estigma contra países, a Organização Mundial de Saúde (OMS) atribuiu denominações simples, fáceis de dizer e lembrar para as principais variantes do SARS-CoV-2, usando letras do alfabeto grego. 

Variantes do SARS-CoV-2 com maior relevância clínica identificadas em Portugal
Nome Alfa (B.1.1.7 ou N501Y.V1) Beta (B.1.351 ou N501Y.V2) Gama (P.1 ou N501Y.V3) Delta (B.1.617.2) Ómicron (B.1.1.529)
País onde foi detetado pela primeira vez Reino Unido África do Sul Brasil Índia Botsuana (África Austral)
Primeira vez detetado em Portugal Dezembro de 2020 Janeiro de 2021 Fevereiro de 2021 Junho de 2021 Novembro 2021
Transmissibilidade Cerca de 50% mais transmissível. Estima-se um aumento de transmissibilidade de 50% face às outras variantes que circulam na África do Sul. Estudos indicam um aumento de transmissibilidade de 1,7 a 2,4 vezes. É 40 a 60% mais transmissível que a variante Alfa. Parece ser significativamente mais transmissível do que a variante Delta.
Severidade Aumento do risco de hospitalizações e admissões em cuidados intensivos. Poderá estar associada a maior risco de hospitalizações. Não há informação disponível para avaliar qualquer alteração na gravidade da doença
Impacto nas vacinas Sem impacto. Análises a pessoas vacinadas com as vacinas da BioNTech/Pfizer e da Moderna indiciam uma redução em seis vezes da neutralização contra as mutações presentes no vírus.
Dados referentes à vacina da AstraZeneca mostraram uma eficácia limitada da vacina (de cerca de 10%) contra doença média ou moderada causada por esta variante.
É significativamente menos resistente às respostas de anticorpos naturalmente adquiridos ou induzidos por vacina do que a variante Beta. Baixa eficácia vacinal para doenças sintomáticas após vacinação parcial (apenas uma dose). A vacinação completa proporciona uma proteção quase equivalente à obtida contra a variante Alfa. Não é conhecido, aguardam-se mais estudos.

Como travar a disseminação das novas variantes?

Face à emergência das novas variantes, e tendo em conta o seu potencial de transmissibilidade, o ECDC esclarece que o argumento da maior eficiência de filtração das partículas das máscaras respiratórias tem levado a que sejam recomendadas para travar a disseminação da doença. Contudo, revela que ainda há muito pouca evidência científica de que estas sejam vantajosas em relação às máscaras sociais. As dificuldades de assegurar um correto ajustamento ao rosto, bem como os potenciais efeitos adversos ao nível da menor respirabilidade devem, segundo o ECDC, ser tidos em conta, antes de tornar o seu uso obrigatório.

Para prevenir a disseminação e controlo da transmissão das novas variantes do SARS-CoV-2, o ECDC defende, sim, a importância de reforçar, no seu conjunto, as medidas para evitar a disseminação e controlo da transmissão da doença, tais como:

  • manter o distanciamento físico entre as pessoas e limitar ao máximo os ajuntamentos;
  • promover a boa higiene das mãos (lavagem frequente com água e sabão ou, na falta desta, desinfeção com solução hidroalcoólica) e a etiqueta respiratória (uso de máscara facial, tossir para o braço, etc.);
  • providenciar o uso de máscara facial, sempre que necessário;
  • manter o rastreamento de contactos, o respeito pela quarentena em caso de contactos de risco e o isolamento de casos covid-19 positivos;
  • desenvolver medidas para limitar a transmissão do vírus no local de trabalho, encorajando o teletrabalho sempre que compatível com as funções desempenhadas;
  • implementar medidas para manter a prevenção e o controlo da infeção em instalações de saúde e apoio social;
  • aconselhar a população a evitar viagens não-essenciais;
  • fortalecer as medidas de mitigação nas escolas, podendo, como último recurso, ser considerado o encerramento parcial ou total das escolas durante um curto período.

Também a vacinação contra a covid-19 continua a ser uma arma importante para combater o contágio, provada que está a redução da transmissibilidade e o risco de doença grave contra a maioria das variantes em circulação. Como tal, a ECDC já veio recomendar que os países considerem o alargamento das doses de reforço aos adultos a partir dos 40 anos.

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