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Resultados de dietas loucas desiludem inquiridos

De dietas radicais a jejum para perder peso ou “purificar” o organismo, comentamos estas “propostas” a partir dos números mais expressivos do nosso inquérito sobre hábitos alimentares.

  • Dossiê técnico
  • Bruno Carvalho e Dulce Ricardo
  • Texto
  • Inês Lourinho
18 maio 2020
  • Dossiê técnico
  • Bruno Carvalho e Dulce Ricardo
  • Texto
  • Inês Lourinho
mulher a olhar para prato com garfo na mão

iStock

As preocupações com uma alimentação saudável são uma realidade cada vez mais presente. Até aqui, tudo bem. Mas em que consiste uma alimentação saudável? Nas redes sociais, os palpites arrogam-se tanta ou mais autoridade do que a própria ciência. A procura por alimentos biológicos, a recusa de produtos processados, o consumo de frutos e sementes exóticos e a adoção de um regime vegetariano são algumas das armas glorificadas online. Mas será que são mesmo eficazes? E será que, na perda de peso, conduzem a resultados duradouros e igualmente saudáveis? Mais: será o jejum um purificador do organismo, como muitos defendem?

Para conhecermos as perceções que os portugueses têm da sua alimentação, conduzimos um inquérito entre abril e junho de 2019 junto da população portuguesa dos 25 aos 74 anos. Recebemos 948 respostas válidas, que refletem as opiniões e experiências dos participantes. Verificámos que a maioria dos portugueses considera que tem hábitos saudáveis. Quatro em dez mudaram o regime ou passaram a seguir uma dieta para perder peso nos 12 meses anteriores ao estudo. Mas, das dietas radicais ao jejum, tudo parece válido no combate aos quilos a mais. A conclusão é só uma: muitos inquiridos têm perceções erradas sobre os seus hábitos. Reunimos, por isso, os nossos melhores conselhos de saúde, e pomos os pontos nos is.

Perda de peso radical

Foi a tática mais comum, seguida por 62% dos inquiridos que mudaram a dieta nos 12 meses anteriores ao estudo. Mas apenas 44% ficaram contentes com os resultados.

As dietas loucas chegam sempre com a primavera, prometendo enfiar o mais pesado dos corpos no mais exíguo dos biquínis. Mas apenas fazem baixar o peso por via da perda de água, e não necessariamente de gordura. Um dia, os quilos vão regressar. Uma dieta para emagrecer não deve ser demasiado restritiva, mas variada, ainda que sem alimentos hipercalóricos. Deve contemplar um mínimo de 1200 quilocalorias diárias, no caso das mulheres, e de 1500, no dos homens, repartidas por várias refeições ligeiras.

Para resultados seguros, a mudança de estilo de vida é essencial, e a prática de exercício contribui para o objetivo. Dietas mirabolantes, que envolvam abordagens “revolucionárias”, como retirar ou adicionar alimentos consoante o grupo sanguíneo, e termos aparentemente científicos, como “biologia molecular” e “termogénese”, devem fazer soar as campainhas do bom senso. A perda de dezenas de quilos num mês, sem jejum, sem exercício e, melhor ainda, sem voltar a engordar, é coisa que não vai acontecer.

Jejum para emagrecer

Um em quatro afirmou fazer jejum para emagrecer e a mesma proporção, para "desintoxicar" o organismo. Porém, só 37% ficaram agradados com a opção.

O jejum radical, em que se recusa os alimentos e apenas se ingere água, tem o efeito pretendido, ainda que à custa da saúde. Mais de três dias sem comer é uma situação que pode envolver um desfecho devastador. A perda de peso é rápida, mas com ela podem surgir anemias e destruição ao nível muscular, incluindo-se aqui o coração. Quando regressa a uma alimentação normal, o organismo tende a armazenar grandes quantidades de gordura, o que força uma nova dieta.

Por sua vez, o jejum intermitente, com consumo de alimentos durante oito horas e a abstenção nas 16 seguintes, é muito popular nas redes sociais, tanto para emagrecer, como, alegadamente, para purificar o organismo e recuperar energia. Mas fazer uma refeição em duas tem o efeito inverso: a sensação de fome aumenta. O organismo absorve mais calorias na única oportunidade que tem de abastecer-se, e armazena-as sob a forma de gordura. Em lugar de jejum, recomendam-se várias refeições ligeiras, repartidas ao longo do dia.

Regime detox

Um em cinco aderiu a um regime dito detox para perder peso. Mas os resultados agradaram unicamente a 20% dos que seguiram esta via.

As bebidas ditas detox, para “purificar” o organismo ou para perder peso, são o último grito da moda. Mas não são receita contra todos os males, nem a melhor forma de emagrecer. Podem inclusive envolver alguns riscos. Se os legumes forem consumidos crus ou sem serem sujeitos a nenhum tratamento (por exemplo, lavados com uma solução de água com umas gotas de lixívia), podem ser portadores de bactérias ou vírus. Além disso, os elevados níveis de nitratos e de ácido oxálico, se estes alimentos forem frequentemente ingeridos crus, podem comprometer a saúde. Segundo a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar, um consumo diário de ácido oxálico superior a 180 miligramas aumenta o risco de formação de cálculos renais e prejudica a absorção de minerais como cálcio, ferro e potássio. No fundo, basta um smoothie para poder alcançar esta fasquia. Como ferramenta para emagrecer, escusado será dizer que as bebidas detox promovem uma dieta desequilibrada, onde faltam, por exemplo, os hidratos de carbono.

Suplementos para emagrecer

Na luta contra os quilos a mais, 30% optaram por tomar suplementos. No entanto, apenas um quarto deles se mostraram muito satisfeitos com a decisão.

Os suplementos são um negócio de peso, e há-os para todos os gostos. Porém, não existem alimentos milagrosos, com superpoderes curativos ou que, num ápice e sem esforço, reduzam os quilos em excesso. Além disso, estes produtos não estão isentos de perigos. Os suplementos de curcuma, por exemplo, garantem ter propriedades anti-inflamatórias e eficácia contra reumatismo e afins. Mas, no ano passado, o Instituto Superior de Saúde italiano retirou alguns lotes do mercado, por suspeitas de causarem hepatite.

Já os suplementos de vitamina D, inclusive receitados por médicos, são inúteis para a maioria da população. O Infarmed, a Direção-Geral da Saúde e o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge só os aconselham a crianças com raquitismo causado por deficiência alimentar ou idosos em unidades de cuidados continuados, por exemplo. Excesso de vitamina D provoca níveis elevados de cálcio no sangue, prejudicando os ossos e contribuindo para perda de apetite, náuseas e fraqueza.

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