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Próteses da anca: implantes de metal sob vigilância

03 abril 2012 Arquivado

03 abril 2012 Arquivado

Após colocarem a prótese de metal sobre metal, alguns doentes revelaram reações locais, sobretudo inflamações ou morte dos tecidos. Em Portugal, menos de 6% das cirurgias recorrem a estes implantes, mas o Infarmed está atento à situação.

As próteses de metal sobre metal são usadas há vários anos e, nos últimos tempos, têm-se verificado reações em alguns pacientes. O Infarmed esclarece que são casos raros, mas que podem afetar os resultados de uma eventual cirurgia de substituição da prótese.

Os componentes dos implantes são fabricados a partir de uma liga de cobalto e crómio. Segundo uma investigação publicada no British Medical Journal, os níveis destes iões no organismo aumentam e, em alguns doentes, mantêm-se, pelo que o risco de toxicidade é elevado. No entanto, os níveis de segurança dos iões metálicos ainda não foram definidos. É necessário continuar a vigiar.

Acompanhamento médico
O Infarmed recomenda que, em caso de sintomas, o doente seja anualmente acompanhado nos 5 anos após a cirurgia. Já se a haste da cabeça femoral do implante tiver um diâmetro de 36 milímetros, a vigilância deve prolongar-se durante todo o tempo de vida da prótese, com exames periódicos, como ecografias e ressonâncias magnéticas.

Se o paciente não manifestar sintomas, o Infarmed sugere que seja sujeito aos exames normais, exceto se a haste da cabeça femoral apresentar 36 milímetros. Neste caso, a vigilância tem de ser anual até 10 anos após a cirurgia, acompanhada de exames.

Em qualquer das situações, o médico avalia a necessidade de substituir o implante com base nos resultados.

Próteses da Depuy: o que fazer
Com ou sem sintomas, todos os doentes que receberam implantes fabricados pela Depuy devem ser acompanhados anualmente durante toda a vida da prótese e realizar exames. O fabricante retirou as próteses do mercado em 2010, pelo que os médicos devem devolver ao distribuidor os dispositivos que ainda tenham em stock.

Os doentes já implantados têm interesse em marcar uma consulta com o seu médico ou cirurgião, para avaliar o implante.

Consumidores exigem
Depois de observados pelo médico, os doentes devem reportar os efeitos adversos ao Infarmed, que tem a obrigação de transmitir os avisos de segurança aos portugueses. As agências europeias que regulam o uso de dispositivos médicos também deveriam ser obrigadas a comunicar entre si os potenciais riscos dos produtos.

Outro aspeto a mudar é a responsabilidade pelo implante. Nem sempre é claro sobre que entidade recai em caso de problemas. O consumidor fica sem saber a quem se dirigir para reclamar os seus direitos. Neste sentido, deveria ainda receber informação sobre o implante, como o número de série.