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Luvas contra a covid-19 não aconselhadas a todos

O uso de luvas pela comunidade para prevenir a infeção da covid-19 não diminui o risco e pode até aumentá-lo. A falsa sensação de proteção leva a comportamentos de risco, como a não higienização das mãos.

  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Sofia Frazoa e Filipa Nunes
30 julho 2020
  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Sofia Frazoa e Filipa Nunes
mulher a comprar maçãs e bananas com luvas azuis

iStock

O uso de luvas pela população como medida de proteção contra o novo coronavírus pode levar as pessoas a negligenciarem as práticas de higiene das mãos. Além disso, como efeito colateral, o uso prolongado de luvas contribui para possíveis problemas dermatológicos, se não cuidar da pele. As luvas podem causar alergia, sobretudo para os que são alérgicos ao látex. O uso desnecessário de luvas diariamente por milhões de pessoas no mundo resulta ainda na geração de resíduos desnecessários, com impacto ambiental.

De momento, não existem evidências suficientes para recomendar à população o uso regular de luvas como medida preventiva no contexto da pandemia da covid-19, conclui um relatório do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).

Quando usar luvas devido à covid-19?

As luvas como proteção devem ser usadas em contexto profissional na área da saúde. O uso de luvas médicas é recomendado como parte das precauções para reduzir o risco de contaminação das mãos dos profissionais de saúde com sangue e outros fluidos corporais, incluindo contacto com a pele não intacta e membranas mucosas.

Atualmente, não há evidências suficientes para recomendar à população que use luvas como medida de proteção da covid-19. A única exceção é para as pessoas que têm alguém com covid-19 na mesma casa, a quem prestem cuidados diretos, ou para os que limpam ou entregam diretamente resíduos potencialmente contaminados, como lenços de papel usados.

Antes da pandemia, além dos profissionais de saúde, já outros profissionais usavam luvas para se protegerem de infeção, como os cantoneiros e a polícia. Pela mesma lógica, o uso de luvas também poderia proteger da infeção por covid-19. No entanto, não há evidências suficientes para recomendar que profissionais, como trabalhadores nas caixas de supermercados, motoristas de táxi e de autocarro ou empregados de escritório, passem a usar luvas.

O uso de luvas pode aumentar o risco de infeção?

Um dos equívocos que se pode gerar com a utilização de luvas é a falsa sensação de proteção. Desta forma, lavar ou desinfetar as mãos pode ser negligenciado quando é um dos aspetos mais importantes para a prevenção da transmissão do SARS-CoV-2.

Quem usa luvas, sempre que as retirar, deve lavar adequadamente as mãos com água e sabão ou desinfetar as mãos com soluções à base de álcool. Nunca se podem desinfetar luvas descartáveis.

O principal problema de mãos ou luvas contaminadas é que a infeção ocorre quando se toca inadvertidamente no nariz, na boca ou nos olhos. As luvas contaminadas aumentam esse risco porque, com luvas, a desinfeção regular das mãos após o contato com superfícies potencialmente contaminadas geralmente não é feita.

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