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Imunoterapia: esperança para os doentes com cancro?

28 setembro 2015

T-cells e células dendríticas estão em foco no debate da comunidade científica, reunida desde sexta-feira em Viena, na Áustria, para discutir os mais recentes avanços na luta contra o cancro. A imunoterapia promete muito, mas ainda tem caminho a percorrer até demonstrar eficácia em todos os pacientes.

T-cells e células dendríticas em debate

Apesar da grande diversidade de assuntos, a estrela da companhia é mesmo a imunoterapia, pela esperança de cura que envolve. Ainda há uma década considerada como algo da esfera da ficção, consegue por estes dias encher salas de ouvidos atentos, e os investigadores parecem animados com os mais recentes resultados dos estudos clínicos, colocando o acento nos casos de sucesso. Fala-se em taxas de resposta positiva ao tratamento na ordem dos 50% para as amostras consideradas.

Quem souber ler nas entrelinhas, no entanto, compreende que, além de estes tratamentos ainda não se encontrarem disponíveis para o público em geral, mantendo-se confinados ao campo da investigação, com um custo muito elevado, as amostras são altamente controladas. Nem todos os doentes são selecionáveis para os testes clínicos: critérios como a idade, o prognóstico de evolução da doença e o tipo de tumor pesam na escolha. Em regra, são escolhidas pessoas mais jovens, em fase avançada da doença e com um tumor cujo desenvolvimento seja mais fácil de prever, embora, neste caso, “fácil” tenha de levar aspas, pois não é possível antever com rigor as mutações das células tumorais.

E esse é verdadeiramente o problema. A imunoterapia, um tratamento que, em palavras simples, recorre a células (chamadas T-cells) para identificar, bloquear e, se possível, tornar benignas as células tumorais, ainda não é eficaz em todos os doentes, porque não tem a “chave do Euromilhões” para cada um deles. Mas, mesmo que tivesse, as células tumorais são dinâmicas: podem modificar-se constantemente. Nestes doentes mais “favoráveis”, a taxa de sucesso já equivale a metade e alguns investigadores acreditam que, dentro de 20 anos, possa subir de forma exponencial. Estão, por isso, convictos de ser este o caminho, até porque a imunoterapia não é agressiva, ao contrário das terapias convencionais, como a quimio ou a radioterapia.

Também foi apresentada investigação no campo das células dendríticas, que têm feito correr tinta e levado alguns portugueses a clínicas no estrangeiro. Neste caso, a taxa de sucesso é limitada e os investigadores ainda não perceberam os mecanismos que conduzem ao sucesso. Por isso, admitem que os espera muito trabalho até alcançarem resultados sólidos.

O que, entretanto, parece certa é a capacidade de cada doente resistir ao cancro. A ciência já sabe hoje que o sistema imunitário tem um papel importante na sobrevivência do indivíduo, mas também no sucesso da terapia. Em alguns países, já existe inclusive uma escala que mede a capacidade do sistema imunitário e pode ajudar em pesquisas futuras.