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Imunoterapia: esperança para os doentes com cancro?

28 setembro 2015

T-cells e células dendríticas estão em foco no debate da comunidade científica, reunida desde sexta-feira em Viena, na Áustria, para discutir os mais recentes avanços na luta contra o cancro. A imunoterapia promete muito, mas ainda tem caminho a percorrer até demonstrar eficácia em todos os pacientes.

Medicina mais humana

Enquanto a cura universal e a preço acessível não chega, muitas vozes criticam a chamada “biomedicina”, que se preocupa apenas em tratar o organismo e esquece dimensões importantes como o controlo dos sintomas, a saúde mental e a integração social.

Acompanhamento psicológico desde o diagnóstico e em todas as etapas da doença e integração laboral e social são aspetos com impacto no bem-estar do indivíduo e que, em última instância, podem prolongar-lhe a existência com qualidade.

Um estudo muito interessante, originário do Reino Unido, mostrou o risco de um doente oncológico perder o trabalho e equiparou-o ao do consumo de 10 maços de cigarros por dia, tal o impacto que pode ter na sua vida. Continuar a trabalhar tem um impacto positivo na saúde mental, defende a pesquisa, mas também é uma mais-valia para a economia. O custo de retirar os doentes do mundo laboral é repercutido em toda a sociedade, por exemplo, através das prestações pagas pela Segurança Social.

Uma experiência conduzida na Dinamarca, país que construiu recentemente diversos centros de acolhimento para doentes de cancro segundo a filosofia da “healing architecture”, isto é, uma arquitetura em espaços verdes e harmoniosos que contribui para a cura, mostrou a importância de investir na melhoria da nutrição, do exercício físico, da saúde mental e, sobretudo, do sono.

Durante seis semanas, cada paciente recebeu treino sobre a melhor forma de desenvolver estes aspetos, discutiu problemas e sentiu que não estava sozinho e poderia ter controlo sobre a sua vida. O estudo-piloto demonstrou que, ao fim das seis semanas, o sofrimento psicológico dos doentes tinha diminuído. Tal só vem sublinhar que um doente com cancro é mais do que a sua doença e que, na abordagem ao problema, não são apenas os medicamentos a trazer alívio.